Brasil registra 27 ataques a escolas nos últimos três anos, aponta relatório

Um levantamento do D³e – Dados para um Debate Democrático na Educação revelou que o Brasil registrou 27 ataques de violência extrema em escolas entre março de 2022 e dezembro de 2024. O aumento nos casos de agressões dentro do ambiente escolar acende um alerta sobre os desafios de segurança e prevenção da violência. Desde 2001, o país contabiliza 42 ataques, sendo que 64,2% ocorreram nos últimos três anos.

Foto: REUTERS/Carla Carniel

O estudo aponta que em 2022 foram registrados 10 ataques, em 2023 esse número subiu para 12, e em 2024 houve 5 casos. Apesar da redução no último ano, especialistas alertam que medidas estruturais de prevenção ainda precisam ser fortalecidas para impedir a radicalização de jovens e a disseminação de discursos violentos.

Perfil dos ataques e dos agressores

Os dados do relatório revelam padrões preocupantes nos episódios de violência extrema dentro das escolas. Em 81% dos casos, os ataques aconteceram em instituições onde a maioria das famílias possui nível socioeconômico médio, médio-alto ou alto. Além disso, 78% dos autores dos ataques eram menores de 18 anos, o que reforça a necessidade de políticas de prevenção voltadas para adolescentes.

Os números apontam que São Paulo lidera a lista de estados com maior incidência de ataques, seguido pelo Rio de Janeiro e Bahia. No total, foram 44 mortos, sendo 32 alunos, seis funcionários e seis suicídios dos agressores, além de 113 feridos.

Em relação aos instrumentos utilizados nos ataques, armas de fogo e facas aparecem como os principais meios de agressão. A maioria dos episódios foi caracterizada como ataques ativos, nos quais os criminosos buscaram atingir o maior número possível de vítimas.

Por que os ataques aumentaram?

Especialistas apontam que vários fatores podem ter contribuído para a escalada da violência extrema nas escolas brasileiras. Entre eles, destacam-se:

  • Pandemia da Covid-19, que intensificou o isolamento social e a exposição prolongada às redes sociais.
  • Busca por aceitação e pertencimento, levando jovens a grupos de ódio na internet.
  • Exposição a conteúdos violentos e participação em comunidades extremistas online.
  • Falta de regulação das plataformas digitais, que facilita a disseminação de discursos radicais.
  • Concepção de masculinidade violenta, que incentiva atitudes agressivas como forma de afirmação social.
  • Fragilidade nos vínculos familiares, que pode impulsionar o envolvimento de adolescentes em ambientes de risco.
  • Acesso facilitado a armas de fogo, permitindo que menores cometam atos de violência dentro das escolas.

Medidas para conter a violência nas escolas

O estudo recomenda diversas ações para evitar novos ataques, incluindo:

  • Regulação das plataformas digitais, visando limitar o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos extremistas.
  • Ampliação dos serviços de psicologia e assistência social nas escolas públicas.
  • Educação digital e alfabetização midiática, para prevenir a radicalização online.
  • Expansão do ensino em tempo integral, proporcionando um ambiente escolar mais seguro e estruturado.

Apesar da redução no número de ataques em 2024, especialistas alertam que o desafio da prevenção ainda está longe de ser totalmente resolvido. A implementação de políticas públicas voltadas para a segurança nas escolas e a proteção de crianças e adolescentes contra discursos extremistas são consideradas fundamentais para conter essa onda de violência.

Com informações do G1.

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