Com a posse do novo presidente dos Estados Unidos marcada para a próxima segunda-feira (20), as negociações finais para um cessar-fogo entre Israel e Hamas ganharam novo impulso. Tanto Joe Biden, atual presidente, quanto Donald Trump, presidente eleito, buscam garantir o crédito pelo acordo que promete a libertação de reféns e a suspensão dos confrontos em Gaza. A proposta, apresentada originalmente pelo governo Biden em maio de 2024, permaneceu paralisada até a recente mudança no cenário político.

Foto: Saul LOEB, Elijah Nouvelage / AFP
Trump intensificou a pressão sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao enviar Steven Witkoff, seu representante para o Oriente Médio, a Doha, no Catar, para destravar o impasse. Empresário sem experiência diplomática, Witkoff surpreendeu ao convocar Netanyahu para uma reunião em pleno sábado, dia de descanso judaico. Dias antes, Trump havia ameaçado o Hamas, prometendo retaliações caso os reféns não fossem liberados até o dia 20.
Enquanto isso, Biden também acelerava as conversas para consolidar seu legado no Oriente Médio. O presidente afirmou estar otimista: “Estamos prestes a concretizar a proposta que apresentei meses atrás. Nunca desisto”. Pela primeira vez, ambos os líderes enviaram representantes às negociações simultaneamente.
Acordo em fases e resistência política
Se aprovado, o acordo prevê, inicialmente, a libertação de 33 reféns pelo Hamas em troca de prisioneiros palestinos: 30 civis para cada refém civil e 50 para cada militar. A primeira fase dura 16 dias, com suspensão total dos combates. A segunda, de 42 dias, visa a liberação dos reféns restantes, mas enfrenta críticas de familiares das vítimas, que temem a utilização dos prisioneiros como moeda de barganha adicional.
Na terceira etapa, Gaza será alvo de projetos de reconstrução e governança, além da troca de corpos de combatentes. O plano permanece incerto e suscita reações diversas dentro de Israel. Apesar da oposição do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que ameaçou deixar a coalizão, Netanyahu obteve novos apoios e segue determinado a avançar com a trégua.
Impasse político e dilema diplomático
Netanyahu, pressionado por membros de extrema-direita de seu governo, resistiu por meses à proposta de cessar-fogo. Ben-Gvir, um dos opositores mais contundentes, vangloriou-se por frustrar tentativas anteriores de paz. Agora, com a perspectiva de mudança na Casa Branca, a urgência pela resolução aumentou, resultando em um cenário de negociação intensa e cautelosa.
Conforme destacou Amos Harel, analista do jornal “Haaretz”, o acordo representa um alto custo, mas é fundamental para a libertação de reféns. A troca iminente de governo nos EUA foi um fator crucial para impulsionar Netanyahu à mesa de negociações. A conclusão bem-sucedida do acordo poderá marcar o início de um novo capítulo no complexo conflito israelense-palestino.
Com informações do G1.