Uma operação ambiental inédita na Bahia resultou na remoção de mais de 1.600 quilos da medusa Cassiopeia andrômeda, espécie exótica invasora que ameaça a biodiversidade da Baía de Todos-os-Santos. A ação foi realizada no último sábado (23) pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), com apoio de pesquisadores e da comunidade local.

Foto: Divulgação.
Conhecida como “medusa invertida”, a Cassiopeia andrômeda tem se proliferado rapidamente em áreas de águas calmas, como estuários e manguezais, onde pólipos microscópicos liberam novas medusas. A presença da espécie compromete o equilíbrio ecológico e restringe o uso tradicional da baía por moradores e turistas.
Ciência e comunidade unidas
Segundo Tiago Porto, diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, o trabalho alia ciência, gestão pública e participação comunitária. “Estamos monitorando como a biodiversidade da região se recompõe após as remoções. Essa é uma experiência inédita no estado, que pode servir de referência para outras localidades que enfrentam problemas semelhantes”, afirmou.
A iniciativa faz parte de um projeto de pesquisa iniciado em junho pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). A metodologia inclui campanhas de remoção, mensurações periódicas e monitoramento por três meses. A população local participa ativamente do processo, por meio da chamada “ciência cidadã”.
Invasão silenciosa
A Baía de Todos-os-Santos já registra mais de 60 espécies exóticas invasoras, segundo pesquisadores da Ufba. A Cassiopeia andrômeda é uma das mais preocupantes, devido à sua capacidade de explosão populacional e resistência em ambientes propícios à reprodução.
No Dia Mundial dos Oceanos, em 8 de junho, uma visita técnica confirmou a presença de pólipos da medusa, sinalizando reprodução ativa. Desde então, ações de contenção vêm sendo intensificadas.
Cooperação regional
A experiência em Itaparica está sendo compartilhada com outras regiões afetadas. Representantes da Prefeitura de Maraú, onde a espécie também foi registrada, acompanharam a ação para aprender a metodologia e aplicá-la em seu território.
A operação reforça a importância da vigilância ambiental e da cooperação entre instituições científicas, órgãos públicos e comunidades locais para enfrentar os desafios da bioinvasão marinha.
Com informações do Correio da Bahia.