No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a história de Geraldo Enrico Tigre Herzog, de 11 anos, mostra como o fascínio pelas abelhas-sem-ferrão se tornou um importante instrumento de socialização. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o garoto encontrou nesses pequenos insetos não apenas um hobby, mas uma ponte para interagir com outras pessoas.

Foto: Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
O interesse por meliponicultura surgiu dentro de casa, influenciado pelo pai, Germani Baptista Herzog, criador de abelhas desde 2018. Inicialmente, Geraldo tinha receio, mas, com o tempo, a curiosidade venceu o medo e ele passou a acompanhar o trabalho do pai, participando de reuniões da Associação de Meliponicultores Capixabas (Amecap-ES). Hoje, é um associado mirim e ajuda no manejo das colmeias.
A paixão do menino ultrapassou os limites de casa e chegou à clínica onde faz terapia. Há um ano, ele levou uma pequena colmeia para o espaço, permitindo que outros pacientes e profissionais conhecessem de perto a criação de abelhas. Para a psicóloga Anna Maria Cunha, que acompanha seu desenvolvimento, essa conexão com os insetos contribui para o aprendizado de habilidades sociais e emocionais.
Na clínica, Geraldo tem a oportunidade de compartilhar seus conhecimentos com colegas e profissionais, o que reforça sua comunicação e interação. Segundo a especialista, interesses específicos como o dele podem ser aliados no desenvolvimento de pessoas autistas, servindo como um ponto de partida para fortalecer habilidades e ampliar a convivência social.
Além disso, a experiência do garoto inspirou um novo projeto em Vitória. Um circuito ambiental voltado para pessoas dentro do espectro autista foi inaugurado na Fazendinha, no bairro Jardim Camburi. O espaço inclui um jardim sensorial e colmeias de abelhas-sem-ferrão, incentivando o contato com a natureza e a sensibilização ambiental.
Para Germani, a trajetória do filho mostra a importância de valorizar os interesses de crianças autistas. O orgulho e a emoção tomam conta ao ver Geraldo transformar um simples fascínio em um meio de crescimento pessoal e de aproximação com o mundo ao seu redor.
Com informações do G1.