A Bahia enfrenta uma crise silenciosa no campo: ataques de cães a rebanhos já deixaram mais de dois mil animais mortos somente em 2025, segundo dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). O prejuízo estimado ultrapassa R$ 70 milhões nos últimos cinco anos, apenas no território da Bacia do Jacuípe.

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As vítimas incluem caprinos, ovinos, galinhas e até bezerros, muitos deles feridos gravemente ou mortos por mordidas de cães solitários ou em matilhas. Os municípios mais afetados são Cansanção (301 mortes), Ipirá (222) e Monte Santo (147).
“É assustador. A gente recebe vídeos e relatos quase todos os dias”, afirma Sivaldo Rios, prefeito de Capim Grosso e presidente da Federação dos Consórcios Públicos da Bahia (FEC).
Programa de manejo
Diante do cenário, o governo estadual lançou um programa de controle populacional de cães e gatos em 36 municípios do semiárido baiano. A iniciativa prevê:
- 10 mil castrações em seis meses
- Vacinação preventiva
- Identificação por microchip
- Campanhas educativas sobre guarda responsável
O investimento será de R$ 5 milhões, com apoio de clínicas credenciadas e dois castramóveis que circularão pelas cidades atendidas. A meta é castrar 70% das fêmeas e esterilizar animais de médio porte com maior potencial de ataque.
“A superpopulação de cães é um problema comum, agravado pela guarda irresponsável e abandono”, explica Lívia Peralva, médica veterinária e secretária-geral do CRMV-BA.
Impacto na agropecuária
Segundo Waleska Viana, assessora técnica da Seagri, os ataques têm afetado principalmente pequenos produtores da agricultura familiar. “Cada ataque pode matar até 12 animais, o que representa uma perda imediata no plantel”, afirma.
O impacto também é sentido nos preços: o quilo do caprino, que antes custava entre R$ 10 e R$ 12, já chega a R$ 30 em algumas regiões. “Se continuar assim, só grandes produtores vão conseguir manter a criação”, alerta Rios.
Riscos ambientais e sociais
Além dos prejuízos econômicos, os ataques têm implicações ambientais e sociais. Cães em matilhas podem atacar animais silvestres e representar risco para crianças e idosos. “Não é fome, é instinto predatório. Muitos desses cães são semidomiciliados e têm acesso à rua”, explica Peralva.
Registro e legislação
Desde maio, os ataques podem ser registrados na Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Há também um projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para instituir o programa estadual de controle populacional. No plano federal, foram lançados os programas Sinpatinhas (registro unificado) e Propatinhas (manejo e proteção).
Com informações do Correio da Bahia.