Tradicional reduto da boemia soteropolitana, o Rio Vermelho tem enfrentado um cenário de transformações que preocupa antigos frequentadores e comerciantes da região. Apesar de seguir como símbolo da vida noturna de Salvador, o bairro tem perdido espaço para outras localidades como Saúde e Santo Antônio Além do Carmo, impulsionadas por uma combinação de fatores: aumento da violência, altos preços em bares e casas noturnas, e esvaziamento das ruas durante a madrugada.

Foto: Divulgação.
O artista Henrique Nogueira, 21 anos, diz que deixou de frequentar o bairro com a mesma frequência de antes. Para ele, que viu no Rio Vermelho um espaço de acolhimento enquanto jovem negro e LGBT, o aumento da especulação imobiliária e dos preços criou um ambiente excludente. “Acho que o que tem acontecido é a tentativa de eliminar o público indie, LGBTQIAPN+ e negro do bairro”, pontua.
O designer Erick Santos, 23, lamenta a insegurança crescente. Segundo ele, a tradicional diversão nas ruas, como na balaustrada próxima à Dinha, perdeu espaço para ambientes fechados por medo de assaltos. “Hoje em dia não conseguimos mais curtir a madrugada como antes”, conta.
Já para a publicitária Maria Luiza Pereira, 24, a questão central é o custo alto e a repetição nas programações. “Os drinks são caros e as entradas são cobradas mesmo para rolês simples. Além disso, não tem novidade. É sempre a mesma galera, os mesmos DJs e setlists”, critica.
Os relatos não são isolados. Casos de assaltos a pessoas LGBTQIAPN+ durante corridas por aplicativo, ações de grupos organizados que praticam arrastões e até instalação de estruturas metálicas em postes como forma de coibir crimes têm marcado a paisagem recente do bairro. Apesar disso, a Polícia Militar não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre as ações em andamento para reforçar a segurança na região.
Para Lucas Passos, administrador do Parador Z1, o movimento de esvaziamento é real, mas sazonal. “No verão tivemos faturamento recorde. A boemia vive no Rio Vermelho. Temos autorização legal para decibéis mais altos, o que permite prolongar a vida noturna”, argumenta.
A presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (Amarv), Maria José Goés, reforça que o bairro continua vivo e atrativo. “Temos recebido novos empreendimentos e há um público fiel, além de turistas. A violência já não tem mais a mesma mancha de antes”, afirma.
A reportagem também procurou a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seccional Bahia (Abrasel-BA), mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Com informações do Correio da Bahia.