Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul em frente à casa de Emmanuel Macron

Dezenas de agricultores franceses realizaram nesta sexta-feira (19) uma manifestação em Le Touquet, cidade litorânea no norte da França, em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron. O ato incluiu o despejo de esterco, pneus, repolhos e galhos diante da residência de tijolos vermelhos do presidente e de sua esposa, Brigitte Macron, que estava sob forte vigilância policial.

Foto: AFP.

Um caixão simbólico com a frase “Não ao Mercosul” foi colocado na entrada, reforçando a oposição dos produtores ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja assinatura foi adiada para janeiro.

Contexto do protesto

A manifestação ocorre um dia após agricultores europeus protestarem em Bruxelas contra o tratado, em atos que registraram episódios de violência. O acordo, fechado em dezembro de 2024 com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação e exportação entre os blocos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou na quinta-feira (18) que a assinatura, inicialmente prevista para este sábado (20) durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, foi adiada. A decisão atendeu à pressão da França, apoiada nos últimos dias pela Itália.

Críticas dos agricultores

Segundo Benoît Hédin, do sindicato FDSEA, o protesto é “simbólico” e contrário à política agrícola atual da União Europeia. Já o agricultor Marc Delaporte afirmou que os produtos do Mercosul entram no mercado europeu sem restrições regulatórias e competem a preços impossíveis de igualar. “Estamos protestando há dois anos e nada muda”, lamentou.

O principal sindicato agrícola da França, FNSEA, considerou o adiamento insuficiente e prometeu manter a mobilização. Em nota, a entidade declarou: “O Mercosul continua sendo um NÃO! Portanto, para dar xeque-mate no Mercosul, vamos nos manter mobilizados”.

Temores do setor

Os agricultores franceses temem que a entrada em larga escala de carne, arroz, mel e soja sul-americanos prejudique a produção local. Eles argumentam que os países do Mercosul seguem regras menos rígidas de produção, o que torna seus produtos mais competitivos e ameaça a sustentabilidade da agricultura europeia.

Conclusão

O protesto em frente à casa de Macron simboliza a resistência dos agricultores franceses ao acordo UE-Mercosul e evidencia a tensão política em torno da assinatura do tratado. Mesmo com o adiamento para janeiro, o setor rural promete manter a pressão, ampliando a disputa entre interesses comerciais e a proteção da agricultura europeia.

Com informações do G1.

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