A aprovação provisória do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, anunciada nesta sexta-feira, gerou reações imediatas e contrastantes. Enquanto governos e setores empresariais celebraram o avanço de um tratado negociado há mais de 25 anos, agricultores e organizações ambientalistas foram às ruas em diferentes países para protestar contra o que consideram uma ameaça ao setor rural europeu e ao meio ambiente.

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Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz classificou o acordo como um marco histórico para a política comercial da União Europeia, destacando que o tratado fortalece a soberania estratégica do bloco em um cenário global instável. Na Áustria, a ministra das Relações Exteriores, Beate Meinl-Reisinger, comemorou a formação de uma maioria favorável dentro da UE e afirmou que a Europa precisa de novos parceiros diante das mudanças na ordem mundial. Do lado do Mercosul, o presidente do Senado argentino, Federico Pinedo, declarou que a aprovação representa um passo decisivo para o futuro da Argentina, mensagem que foi compartilhada pelo presidente Javier Milei.
Em contrapartida, agricultores de países como Polônia, Bélgica e França organizaram protestos contra a abertura do mercado europeu a produtos agrícolas sul-americanos. Na França, o presidente Emmanuel Macron reafirmou sua oposição ao tratado, classificando-o como “de outra época” e argumentando que os ganhos econômicos seriam limitados, enquanto os riscos para a soberania alimentar seriam elevados. Macron destacou que há rejeição política unânime ao acordo no Parlamento francês e confirmou que seu governo votará contra a assinatura.
A Comissão Europeia defende que o pacto vai além do comércio agrícola, sendo estratégico para reduzir a dependência econômica da China e garantir acesso a matérias-primas essenciais, como o lítio, fundamental para a produção de baterias e para a transição energética. O acordo prevê a eliminação de mais de 4 bilhões de euros por ano em tarifas de exportação e permite que empresas europeias disputem contratos públicos nos países do Mercosul em igualdade de condições.
Para tentar conter a resistência, foram incluídos mecanismos de proteção, como salvaguardas que permitem suspender importações agrícolas em caso de desequilíbrio de mercado e auditorias sanitárias reforçadas. Também está previsto um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros para apoiar agricultores em caso de impactos negativos.
Apesar da aprovação provisória, o tratado ainda precisa passar por etapas de ratificação dentro da União Europeia e nos países do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira, no Paraguai. O processo, no entanto, promete manter vivo o debate político, econômico e social em torno dos benefícios e riscos da parceria.
Com informações do G1.