Deise Moura dos Anjos, acusada de envenenar quatro pessoas da mesma família, foi encontrada morta na prisão. Polícia confirma crime e investiga acesso a substâncias tóxicas pela internet.

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A única sobrevivente do envenenamento em massa que chocou Torres (RS) falou pela primeira vez sobre o crime que tirou a vida de quatro familiares. Em entrevista ao Fantástico, Zeli dos Anjos relatou o impacto da tragédia e a relação conturbada com a nora, Deise Moura dos Anjos, principal suspeita.
“Eu sabia que ela era má, que fazia maldades, mas nunca imaginei que chegaria a esse ponto”, desabafou Zeli. “Quando penso que ela tirou as quatro pessoas mais importantes da minha vida…”
Reunião familiar terminou em tragédia
O crime aconteceu em 23 de dezembro, durante uma confraternização em que sete pessoas compartilharam um tradicional bolo de reis, preparado por Zeli há mais de 40 anos. Poucos minutos após consumirem o doce, todos começaram a passar mal.
As irmãs de Zeli, Maida e Neuza, e a sobrinha Tatiana não resistiram. Jefferson, marido de Maida, e o filho de Tatiana, de 11 anos, sobreviveram. João, marido de Neuza, escapou por não ter comido o bolo.
Inicialmente tratada como uma intoxicação alimentar, a ocorrência tomou um novo rumo quando exames detectaram a presença de arsênio no sangue e na urina das vítimas.
Ódio da sogra e pesquisas na internet
As investigações apontaram que Deise nutria uma forte antipatia pela sogra, chegando a chamá-la de “naja”, segundo relatos de testemunhas e declarações da própria suspeita. A polícia encontrou no computador e no celular de Deise um histórico de pesquisas sobre substâncias tóxicas, incluindo “veneno para o coração” e “veneno para matar humanos”.
“O primeiro termo pesquisado por ela foi ‘o veneno mais mortal do mundo’. Isso mostra que ela não tinha dúvidas sobre o que queria fazer”, afirmou o delegado Marcos Vinícius Muniz Veloso.
Primeira vítima foi o sogro
As investigações revelaram que Deise já havia usado arsênio meses antes do crime de dezembro. Em agosto, ela comprou o veneno e, no final do mês, misturou a substância no leite em pó que levou para os sogros. Dias depois, Zeli e Paulo Luiz dos Anjos, de 68 anos, passaram mal. Paulo morreu em 3 de setembro, com causa da morte registrada como “infecção alimentar”.
Sem suspeitar da nora, Zeli utilizou a farinha contaminada por Deise para preparar o bolo que matou três pessoas em dezembro.
Morte na prisão e questionamentos sobre acesso ao veneno
Presa preventivamente, Deise Moura dos Anjos foi encontrada morta dentro de sua cela na Penitenciária Feminina de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O laudo médico confirmou suicídio por enforcamento.
Na cela, Deise escreveu que não era assassina e deixou outras anotações. Seu advogado, Cassyus Pontes, alegou que a cliente sofria de depressão e que a defesa havia solicitado acompanhamento psiquiátrico. A Polícia Penal informou que a detenta recebeu atendimentos psicológicos e apresentou comportamento estável.
Para a polícia, o caso está encerrado e será arquivado. No entanto, as investigações destacaram um fator preocupante: a facilidade de compra de substâncias altamente tóxicas pela internet.
Com informações do G1.