Usuários relatam perda de acesso ao World App e dificuldades no resgate de valores; especialistas apontam violações ao direito do consumidor

Foto: Darlan Helder/g1.
Milhares de brasileiros que participaram do projeto da World, escaneando a íris em troca de criptomoedas, estão enfrentando dificuldades para acessar seus pagamentos. O aplicativo World App, que gerencia os valores recebidos, tem apresentado falhas, impedindo saques e suporte eficaz aos usuários.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) proibiu a World de remunerar novos participantes, alegando riscos à privacidade e falta de transparência sobre o uso dos dados coletados. Desde então, muitas pessoas relatam que perderam acesso às contas e ao dinheiro prometido.
Problemas com o aplicativo e falta de suporte
O g1 conversou com usuários como Vivian Caramaschi, de 48 anos, que afirma ter perdido sua conta e os valores acumulados após ser informada de um suposto “banimento por atividade suspeita”, sem explicação clara. Outros participantes, como Marilis Casco Morales, relatam que o app rejeita suas senhas, mesmo digitadas corretamente, e que o suporte virtual não oferece soluções eficazes.
A falha no suporte é uma reclamação recorrente. Muitos tentam buscar ajuda presencialmente nos pontos de coleta, mas os funcionários afirmam não ter treinamento para resolver problemas relacionados ao aplicativo. “O suporte é robótico e chega um momento que ele simplesmente para de responder”, diz Nilson dos Santos, que avalia registrar um boletim de ocorrência contra a empresa.
Variação nos pagamentos e desinformação
Além das dificuldades técnicas, usuários relatam que a remuneração recebida não corresponde ao valor inicialmente prometido. Cristiano Barbosa, de 52 anos, foi informado de que ganharia cerca de R$ 300 mensais, mas ao tentar sacar em janeiro, tinha apenas R$ 24,77 disponíveis.
A cotação da criptomoeda Worldcoin tem oscilado desde a decisão da ANPD, reduzindo o valor recebido em reais. A empresa não divulgou quantas pessoas enfrentam problemas, alegando que o processo é anônimo.
Especialistas alertam sobre violações ao direito do consumidor
Advogados afirmam que a World pode estar ferindo direitos básicos dos usuários. Gabriel de Britto Silva, especialista em direito do consumidor, destaca que a empresa tem o dever de fornecer informações claras sobre pagamentos e funcionamento do app. Já a advogada Patrícia Peck ressalta que aplicativos que operam no Brasil devem estar totalmente em português e oferecer suporte acessível.
Usuários que se sentirem lesados podem recorrer ao Juizado Especial Cível para contestar o contrato com a World e exigir indenizações. Enquanto isso, entidades como a Proteste analisam as denúncias para possíveis ações de defesa ao consumidor.
Com informações do G1.