Galípolo defende juros altos como medida eficaz contra inflação e prega cautela na análise da economia

Presidente do Banco Central afirma que política monetária precisa de tempo para surtir efeito e que mercado deve ter “parcimônia” na interpretação dos dados econômicos

Foto: Lula Marques / Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quarta-feira (12) que a manutenção da taxa de juros em patamar restritivo é necessária para combater a inflação e que a autoridade monetária deve ter cautela na análise dos dados econômicos.

Em evento realizado no Rio de Janeiro, organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Galípolo afirmou que o Brasil atravessa um período “desconfortável”, com inflação acima da meta e desaceleração econômica.

Inflação acima da meta e impacto na economia

O Banco Central prevê um novo estouro do teto da meta de inflação em junho de 2025, que é de 4,5%, após o IPCA ter fechado 2024 com alta de 4,83%. Segundo Galípolo, a política monetária deve agir gradualmente para conter a inflação e estabilizar a economia.

“O Banco Central mostrou que tem condições de colocar a taxa de juros em um patamar restritivo e seguir nessa direção. Esse é um momento desconfortável para empresas e famílias, com inflação acima da meta, mas a política monetária precisa de tempo para fazer efeito”, afirmou.

Decisão do Copom e perspectivas para os juros

Na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) sob a gestão de Galípolo, em 29 de janeiro, o comitê decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em um ponto percentual, de 12,25% para 13,25% ao ano.

O Banco Central já indicou a possibilidade de uma nova alta da mesma intensidade na próxima reunião, em março, sem definir um ritmo para eventuais ajustes em maio.

Galípolo ressaltou que o mercado financeiro está atento aos dados sobre a atividade econômica, mas enfatizou que a autoridade monetária deve agir com prudência na interpretação dessas informações.

“Esses dados apresentam volatilidade. Cabe agora ao Banco Central ter a devida parcimônia e serenidade na observação dos números para evitar decisões precipitadas”, explicou.

Desafios institucionais e relação com o governo

No evento, Galípolo mencionou que seu desafio pessoal tem sido encontrar “o limite certo” do papel do Banco Central e afirmou que tem atuado para traduzir e explicar ao governo Lula as reações do mercado financeiro.

O presidente Lula, que nomeou Galípolo para o cargo, já manifestou confiança de que ele criará condições para reduzir os juros “no tempo que a política permitir”.

Cenário internacional e tarifas dos EUA

Sobre o cenário externo, Galípolo afirmou que há incerteza global, mas ponderou que o Brasil pode sofrer menos impacto com as tarifas impostas recentemente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na última segunda-feira (10), Trump elevou para 25% as tarifas sobre importações de aço e alumínio, justificando que o Brasil aumentou expressivamente as compras de aço da China.

Segundo economistas citados por Galípolo, o Brasil não se beneficiou tanto da reorganização das cadeias globais de produção após a pandemia e a guerra na Ucrânia, o que pode minimizar os impactos das tarifas norte-americanas sobre a economia brasileira.

Com informações do Bahia Notícias.

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