Trump oferece asilo a brancos sul-africanos e corta ajuda ao país

Em uma de suas primeiras ordens executivas do segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu o programa de reassentamento de refugiados, alegando que representa um fardo para o país. No entanto, em um movimento controverso, abriu uma exceção para os africâneres — brancos sul-africanos de origem europeia — sob a justificativa de que são vítimas de discriminação racial.

Foto: Kevin Lamarque/Reuters

A decisão foi acompanhada de um congelamento da ajuda americana à África do Sul, afetando, entre outros setores, os programas de combate ao HIV. A medida veio após a aprovação da Lei de Expropriação, sancionada em janeiro de 2024, que permite a desapropriação de terras sem compensação caso não estejam sendo utilizadas. O governo sul-africano defende a reforma agrária como um passo necessário para reduzir desigualdades herdadas do apartheid.

Uma auditoria realizada em 2017 revelou que, embora representem apenas 8% da população, os brancos controlam 72% das terras agrícolas da África do Sul, enquanto os negros, que somam 80% da população, possuem apenas 4%. Mesmo assim, um estudo da Comissão de Direitos Humanos do país aponta que apenas 1% da população branca vive na pobreza, enquanto 64% dos negros estão nessa condição.

Elon Musk e a retórica de perseguição

A justificativa de Trump para conceder asilo aos africâneres foi reforçada pelo bilionário Elon Musk, que nasceu na África do Sul. Em publicações na plataforma X, Musk acusa o governo de seu país natal de ser “antibranco” e já afirmou que fazendeiros brancos são alvos de ataques diários — alegação que não foi comprovada por dados oficiais.

A decisão de Trump, no entanto, não foi bem recebida por grupos que representam os brancos sul-africanos. O sindicato Solidarity, que reúne cerca de dois milhões de pessoas, rejeitou a oferta de reassentamento nos EUA. “Nossos membros trabalham aqui e vão ficar aqui. Não vamos a lugar nenhum”, declarou Dirk Hermann, presidente da entidade.

Tensões internacionais e impacto diplomático

Além da questão agrária, o governo americano apontou outros focos de tensão com a África do Sul, como a recente acusação de genocídio contra Israel feita pelo país africano no Tribunal Internacional de Justiça e a aproximação com o Irã em acordos comerciais e militares.

Em resposta, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, negou qualquer perseguição aos brancos e criticou o que chamou de campanha de desinformação promovida por Trump. “Não seremos intimidados”, declarou em discurso ao Parlamento.

O impacto da medida já repercute no cenário diplomático. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou que não participará da reunião do G20 em Johannesburg, classificando a postura da África do Sul como “antiamericana”. Enquanto isso, a China, que tem ampliado sua influência no continente africano, observa com interesse o distanciamento entre os dois países.

Com informações do G1.

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