Suspensão de financiamento impacta serviços essenciais em Roraima

Foto: Yara Ramalho/g1 RR.
Migrantes venezuelanos em Roraima enfrentam uma grave crise humanitária. Três instalações sanitárias administradas pela CÁritas Brasileira foram fechadas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender repasses destinados à ajuda humanitária. O fechamento deixou centenas de pessoas sem acesso a banheiros, água potável e lavanderias.
Os serviços, localizados em Boa Vista e Pacaraima, eram oferecidos gratuitamente pelo projeto “Orinoco: Águas que Atravessam Fronteiras”. Somente em 2024, mais de 50 mil migrantes utilizaram as instalações. A decisão do Departamento de Estado Americano, que atendeu a um pedido do governo Trump, interrompeu o financiamento que custeava o projeto.
“Não temos como usar o banheiro e estamos quase desidratados. Faz muita falta”, lamentou Yohanna Santana, de 37 anos, que utilizava os serviços diariamente. A suspensão também afetou a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que precisou interromper suas atividades devido ao corte de verbas.
Impacto direto na vida dos migrantes
Migrantes como Lucimar Hernandez e Joel Egoldo relataram as dificuldades enfrentadas desde o fechamento das instalações. Lucimar, que costumava dar banho em seu filho de dois anos, encontrou os portões trancados: “Tenho fé que voltarão a abrir”. Já Joel afirmou que precisa passar o dia sem tomar banho ou acessar água potável: “Era a única coisa que tínhamos”.
Em 2024, as instalações registraram 365 mil acessos, segundo a CÁritas. O custo anual de R$ 4 milhões era financiado exclusivamente pelo governo americano. Com a suspensão dos recursos, os espaços foram fechados por tempo indeterminado.
Alternativas na operação acolhida
Os migrantes agora buscam suporte na Operação Acolhida, iniciativa do governo brasileiro coordenada pelo Exército. A força-tarefa oferece abrigos, alimentação e apoio para regularização de documentos. No entanto, a alta demanda sobrecarrega os serviços, gerando longas filas para acesso a banhos e água potável.
“As pessoas mais afetadas por isso, especialmente aquelas em situação de rua, precisam de ajuda urgente”, destacou Wellton Leal, assessor nacional da CÁritas Brasileira. A organização segue em diálogo com o governo brasileiro em busca de soluções.
Crise humanitária em Roraima
Roraima é a principal porta de entrada para venezuelanos que fogem da crise política e econômica na Venezuela. O estado já recebeu milhares de refugiados, tornando o Brasil o terceiro país da América Latina com maior número de migrantes venezuelanos, atrás apenas de Colômbia e Peru.
“Estamos ficando praticamente nas ruas”, relatou Gerson José, migrante de 27 anos. Ele utilizava as instalações diariamente e agora espera por suporte de organizações enquanto tenta se estabilizar no Brasil.
Revisão das políticas de financiamento dos EUA
A suspensão dos repasses integra uma revisão mais ampla das políticas de ajuda humanitária dos Estados Unidos. O governo Trump determinou a análise dos programas em andamento durante os próximos 90 dias.
A CÁritas Brasileira reafirmou seu compromisso em apoiar os migrantes e buscar alternativas para reverter a situação. No entanto, sem financiamento, milhares de pessoas em extrema vulnerabilidade permanecem desassistidas.
Com informações do G1.