Ameaça silenciosa: o impacto do coral invasor na Baía de Todos-os-Santos e o esforço para erradicá-lo

O ecossistema da Baía de Todos-os-Santos enfrenta uma ameaça crescente e silenciosa. Nos últimos meses, pescadores da Ilha de Itaparica começaram a notar a diminuição de peixes nas águas da baía, especialmente robalos, que antes eram abundantes na região. O culpado por essa escassez é uma espécie invasora, um octocoral originário do Oceano Pacífico, identificado pela primeira vez em solo brasileiro no Rio de Janeiro na década de 1990. Agora, o Chromonephthea braziliensis está se espalhando rapidamente na Baía, prejudicando a biodiversidade local e afetando a pesca artesanal.

Foto: Divulgação Matheus Landim/ GOVBA

O alerta foi dado por pescadores da Ilha há mais de um ano, quando a presença do coral invasor foi registrada pela primeira vez. Alexandre Domício, conhecido como Xandinho e pescador experiente da região, lamenta a escassez de peixes, como o robalo, tradicionalmente utilizado na culinária baiana. “Antes, o que mais tinha aqui era robalo e tainha. Robalo de cinco, até 10 quilos. Eles sumiram depois que o coral cresceu”, relata Xandinho, que agora acompanha de perto os esforços para erradicar a espécie que está comprometendo a pesca local.

O coral Chromonephthea braziliensis, que se reproduz de maneira acelerada e sem predadores naturais, ocupa espaços vitalmente importantes nos recifes, superpondo os corais nativos e competindo por recursos. Com isso, os peixes se afastam da área, buscando um ambiente mais propício. A explicação para esse fenômeno vem de Tiago Porto, superintendente da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), que detalha os impactos da bioinvasão: “Quando esse coral começa a ocupar o espaço das espécies nativas, desestrutura todo o ecossistema. Espaço é o recurso mais importante para os corais, e os invasores impedem que os nativos cresçam”, explica.

Pesquisadores e órgãos ambientais, como o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), têm se mobilizado para conter o avanço do octocoral. Uma força-tarefa inédita, formada por especialistas e voluntários, realiza testes de erradicação. Em 8 de janeiro, a equipe acompanhada pelo CORREIO observou que métodos como a retirada manual do coral e a aplicação de sal azedo (ácido oxálico) estão mostrando bons resultados. No entanto, a remoção exige grande cuidado, já que uma retirada inadequada pode intensificar a propagação da espécie invasora.

“A retirada manual e o tratamento com sal azedo têm sido mais eficazes. A pilastra onde os corais foram retirados continua limpa, e os corais tratados com sal azedo estão se soltando e morrendo”, explicou a bióloga Tatiane Silva Aguiar, especialista em bioinvasão. Esses métodos prometem resultados positivos, e novos testes devem ser realizados nos próximos dias.

O impacto do Chromonephthea braziliensis não se limita aos recifes. A espécie tem colonizado também os pilares da Marinha, postes de navegação e até mesmo o famoso navio Ariadne Pandellis, que afundou na região em 1936. A velocidade de reprodução do coral é alarmante, sendo capaz de se multiplicar tanto de forma assexuada quanto sexuada, o que contribui para sua rápida expansão.

O coral invasor é flexível e carnoso, com cores que variam entre o vermelho e o branco, e pode atingir até dois metros de comprimento em alguns pontos da costa da Ilha de Itaparica. Agora, com os indícios de métodos eficazes para a sua erradicação, as autoridades ambientais buscam a autorização para uma remoção em larga escala. A bióloga Luana Ribeiro, uma das responsáveis pelo estudo da espécie, afirma que a expectativa é de que a Pró-Mar, uma organização ambiental, seja autorizada a liderar a ação de erradicação.

A Baía de Todos-os-Santos, que é uma Área de Proteção Ambiental (APA), conta com o apoio de diversas entidades para o combate à espécie invasora. A remoção do Chromonephthea braziliensis é uma prioridade, mas, ao mesmo tempo, o combate a outras espécies invasoras, como o coral-sol, também continua. Contudo, devido à sua proliferação já disseminada, a erradicação do coral-sol já não é mais uma opção viável, sendo necessário apenas o controle de sua expansão.

A luta contra a bioinvasão na Baía de Todos-os-Santos é um exemplo de como o equilíbrio do ecossistema marinho pode ser fragilizado por organismos estrangeiros, afetando diretamente a pesca e a biodiversidade da região. A missão agora é impedir que o avanço do coral invasor se torne irreversível e, assim, preservar a rica vida marinha da baía.

Com informações do Correio da Bahia.

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