Caso Marabraz: Ministério Público da Bahia avalia ação contra noivo de Marina Ruy Barbosa

Disputa familiar pelo controle da rede de lojas leva a denúncia de falsidade ideológica, e processo pode avançar sem anuência do pai.

Foto: Divulgação.

O Ministério Público da Bahia (MPBA) poderá mover uma ação contra Abdul Farnes, de 41 anos, herdeiro da Marabraz e noivo da atriz Marina Ruy Barbosa, investigando sua conduta em meio a uma batalha judicial familiar de grandes proporções. A promotora Milena Moreschi de Almeida, em despacho datado de 17 de dezembro, declarou que o órgão tomará as “medidas cabíveis” após analisar as acusações feitas por Jamel Fares, pai de Abdul, que afirmou que o filho cometeu crime de falsidade ideológica ao alegar um endereço residencial falso em um processo judicial. O caso reacende o conflito familiar que envolve o controle do império de móveis Marabraz e coloca Abdul no centro de uma possível ação penal.

Acusações e cenário legal

A denúncia de falsidade ideológica, prevista no artigo 299 do Código Penal, pode render pena de 1 a 5 anos de prisão e decorre de uma suposta fraude cometida por Abdul no início da disputa familiar. Em novembro de 2024, ele processou o pai, buscando sua interdição judicial. O pedido incluía a curatela dos bens sob o argumento de que Jamel, aos 64 anos, enfrentava problemas graves de saúde, como depressão e dependência de medicamentos, além de episódios de comportamento agressivo que, segundo o herdeiro, o tornariam incapaz de gerenciar os negócios. A ação foi ajuizada na Comarca de Simões Filho, na Bahia, baseada na alegação de que ambos residiam no município.

No entanto, Jamel revidou, afirmando que nunca morou em Simões Filho e residia em Alphaville, um condomínio de alto padrão em Barueri, São Paulo. Segundo ele, a escolha de Simões Filho foi uma manobra para tentar influenciar o julgamento em outra jurisdição. A defesa de Abdul afirmou que havia um contrato de locação formalizado no município, mas o imóvel nunca foi entregue, resultando na rescisão do contrato. Essa controvérsia é o cerne da acusação de falsidade ideológica, que não depende da vontade das partes para ser investigada e processada, pois se trata de crime de ação pública incondicionada.

Tentativa de reconciliação e novo fôlego ao conflito

A investigação surge em um momento delicado. Em dezembro, Abdul e Jamel tentaram colocar um ponto final nas disputas judiciais. O filho retirou o pedido de interdição e o pai, por sua vez, abriu mão da notícia-crime. Em um gesto simbólico de reconciliação, ambos posaram para uma fotografia em um café da manhã familiar. Jamel declarou publicamente: “Jamais autorizei medidas criminais contra meu filho. Divergências empresariais são comuns, e detalhes privados não deveriam ser expostos de maneira sensacionalista.”

Apesar dessa trégua temporária, o despacho da promotora Milena Moreschi deixa claro que o processo pode prosseguir. Se confirmada a falsidade ideológica, Abdul responderá por um delito grave, independentemente do perdão paterno. A promotora também concordou com a transferência da ação para Barueri, onde pai e filho realmente residem, fortalecendo os argumentos de Jamel.

Riquezas, luxo e disputas familiares

As disputas judiciais da família Fares vão além do embate sobre a curatela. Jamel e seu irmão Nasser Farnes, sócio e gestor principal da Marabraz, ingressaram com outra ação para reaver participações societárias transferidas aos herdeiros. Segundo os irmãos, Abdul e outros membros da nova geração estavam dilapidando o patrimônio familiar. Documentos citados no processo apontam que Abdul teria gasto mais de R$ 22,5 milhões em despesas pessoais em menos de três anos. O estilo de vida luxuoso incluiu a compra de um anel de noivado avaliado em US$ 1 milhão para Marina Ruy Barbosa, adquirido durante uma viagem-relâmpago a Dubai.

A joia, no formato navete, com diamantes finamente lapidados, tornou-se um símbolo do padrão de vida extravagante mencionado nos autos. O caso ilustra como a gestão de grandes fortunas familiares frequentemente se entrelaça com rivalidades internas e exposições midiáticas.

O que esperar a seguir?

O desenvolvimento do processo agora depende da análise técnica do MPBA e do andamento das ações em São Paulo. O possível desfecho criminal contra Abdul Farnes pode influenciar o controle futuro da Marabraz, uma das maiores redes de varejo de móveis do Brasil. Mesmo com o aparente perdão familiar, a independência das instituições jurídicas manterá o caso sob os holofotes por mais algum tempo.

Com informações do Metrópole.

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