Procedimento identifica marcador biológico associado à doença e pode reduzir a necessidade de exames mais invasivos, mas não confirma o diagnóstico isoladamente
Um exame de sangue capaz de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil nesta quinta-feira (15), inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Na rede privada, o procedimento custa cerca de R$ 3 mil e pode reduzir a necessidade de exames de imagem e de punção lombar durante a investigação da doença.
O teste é indicado para pessoas que já apresentam sintomas e têm suspeita clínica de Alzheimer. A análise detecta a proteína p-tau217, um biomarcador relacionado às alterações cerebrais associadas à doença. Apesar de contribuir para a investigação, um resultado positivo não é suficiente, por si só, para confirmar o diagnóstico de demência.

Uma pesquisa publicada em 2025 na revista científica Nature Medicine avaliou a tecnologia em 1.767 pessoas com alterações cognitivas na Suécia, Espanha e Itália. Na comparação com a análise do líquor, o exame de sangue apresentou concordância entre 89% e 91% quando utilizado um único ponto de corte. Com dois limites de referência, o índice variou de 92% a 94%, mas houve aumento na proporção de resultados inconclusivos.
A tecnologia foi regularizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 17 de agosto. No entanto, os resultados da validação realizada no Brasil ainda não passaram por revisão científica independente.
A indicação é voltada a pacientes com sinais de comprometimento cognitivo, como alterações de memória identificadas durante avaliação médica. O exame não tem aplicação clínica estabelecida para pessoas sem sintomas. Por isso, quem apresenta esquecimentos frequentes deve procurar um médico, que poderá avaliar o quadro e determinar a necessidade do procedimento.
Exame ainda não está disponível pelo SUS
Ainda não há previsão para a oferta do teste pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde informou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) não recebeu solicitação para avaliar o procedimento.
Uma eventual incorporação ao sistema público depende de análises que considerem a eficácia, a segurança, o custo-benefício e o impacto financeiro da tecnologia.
O Hospital Moinhos de Vento pretende negociar a cobertura do exame pelos planos de saúde ainda em 2026, mas não divulgou datas nem quais operadoras poderão oferecer o procedimento.