Filme: Obsessão

Onde assistir: Não sei, pesquise.

Por Djanga Baiana (o “D” é mudo).

Assisti à Obsessão no cinema e não entendo o tamanho do alvoroço que vem acontecendo. Não me entenda mal. Como especialista empírica em filmes de terror, eu considero este um bom exemplar com uma mensagem importante e tudo mais, ok. Mais um representante que eleva o gênero do terror. Ótimo.

O filme é, de fato, um sucesso absoluto de arrecadação (ainda mais considerando tratar-se de um filme independente de baixo custo, o que é impressionante). Entretanto, pelo menos onde navego na internet, muitos emocionados têm afirmado tratar-se do “melhor filme de terror dos últimos 10 anos” ou “de todos os tempos” (calma, jovens). Mas o que mais tem me incomodado é a comoção acerca da atuação supostamente INCRÍVEL de Inde Navarrete.

Depois de tanto conteúdo positivo sobre o filme lançado sobre mim e de refletir melhor, eu até aumentaria a nota que dei originalmente (4,5/5 de 10 estrelinhas brilhantes para, talvez, um 7,5. Não, 7), mas ainda acho que o filme não se aprofundou o suficiente no que deveria: a incapacidade de aceitar a rejeição. Talvez o aprofundamento fique, acertadamente, por parte do espectador, e esse seja o motivo de tantos comentários, discussões e teorias, o que as redes sociais adoram.

No filme, o rapaz apaixonado não tem seu amor correspondido e recorre a um artefato mágico (que concede apenas um desejo) para que a garota, objeto de seu interesse, se apaixone por ele. Acontece que a problemática discutida está voltada ao desejo formulado em si, considerado egoísta, machista e injusto, um brincar de Deus com a vida de outrem. A certeza do equívoco é que a garota se transforma não em uma pessoa apaixonada, mas em uma obcecada, tornando-se um verdadeiro demônio na vida do carinha inseguro.

Discute-se: por que ele não cogita sua própria mudança para se tornar a pessoa por quem seu amor platônico possa se interessar? Por que não pede por um amor verdadeiro? Ele pede que ela “ame-o mais do que qualquer pessoa no mundo”, e “qualquer pessoa no mundo” inclui amá-lo acima do seu amor-próprio. Egoísta, inconsequente, mas também perverso.

Mas mesmo que o desejo fosse proferido de outra forma, ainda haveria um problema. Uma pessoa deve gostar da outra por quem ela é ou pelo que naturalmente tem potencial de ser. E se ele não representa isso para ela, não há em que insistir, a não ser aceitar e trabalhar sua cabecinha para superar. Então, o erro não está no que foi desejado, nas palavras proferidas. Está em querer transformar a rejeição em controle sobre as emoções do outro, quando deveria buscar controle sobre as próprias emoções. Falta maturidade.

A paixão e o amor artificialmente criados não são livres e, justamente por isso, não são o que, na realidade, se busca. Quem finge ser o que não é para agradar o outro e quem deseja moldar alguém aos próprios desejos vive uma forma de egocentrismo. Ambas são formas de controle. E esse é o verdadeiro desejo.

Quem quer passar pela rejeição sem senti-la, sem sofrê-la, de forma mágica ou não, não saberá trabalhar a frustração incontornável na vida. Então, a questão não é o “desejo” que está sendo amplamente discutido, e sim o fato de que a rejeição sequer é uma opção para o personagem principal. Caso tivesse a sensatez de aceitar que não era correspondido, não teria havido um pedido, em primeiro lugar. O obcecado sempre foi ele.

E ele mesmo provou que, na obsessão, não cabe aceitação do “não”. Como li uma vez, “amor livre é um pleonasmo”, e isso se encaixa perfeitamente nesse cenário. Se não é livre, não é amor. E nesse caso, é obsessão.

Agora, retornemos à minha revolta. Há uma forte campanha para que a Inde seja nomeada ao Oscar. A atriz está ótima no papel, mas não entregou profundidade de atuação para uma indicação ao Oscar, a exemplo de Sally Hawkins em “Faça Ela Voltar”. Aqui vai minha opinião dissonante sobre o filme e sobre a comoção em torno da atriz: se concorrer e ganhar, será a grande Anora de 2026. 

O que me deixa satisfeita é ver o terror ganhando força, espaço e seriedade. E isso me conforta, como entusiasta do gênero. Agora só falta a comédia ter a mesma notoriedade.

E você, o que desejaria? Eu, acho que vocês já sabem: desejaria uma bolsa Chanel.

FONTES / CRÉDITOS:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossas notícias diretamente em seu email.

Inscrição realizada com sucesso Ops! Não foi possível realizar sua inscrição. Verifique sua conexão e tente novamente.

Anuncie aqui

Fale conosco