Setor automotivo está entre os principais pontos de divergência nas negociações comerciais
Donald Trump anunciou, na noite desta terça-feira (18), uma pausa de três dias na aplicação das tarifas de 50% sobre produtos canadenses, que começariam a valer nesta quarta-feira (19). O presidente dos Estados Unidos afirmou que os dois países chegaram a um entendimento. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou a suspensão das tarifas até 21 de agosto e disse que houve avanços importantes nas negociações, embora ainda existam pontos a serem resolvidos.
A decisão foi tomada após uma nova conversa entre Trump e Carney e semanas de negociações comerciais. Um dos principais impasses envolve o setor automotivo. Os dois governos discutem a possibilidade de reduzir de 25% para 15% as tarifas americanas sobre veículos fabricados no Canadá, com descontos adicionais de acordo com a quantidade de componentes produzidos nos Estados Unidos.
As novas tarifas poderiam atingir cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses e aumentar a pressão sobre setores como madeira, vinhos e laticínios. Trump também mencionou a possibilidade de retomar o projeto do oleoduto Keystone XL, cancelado em 2021, mas não apresentou detalhes sobre a proposta.
As negociações também envolvem divergências sobre a forma de calcular o conteúdo produzido na América do Norte para a concessão dos descontos tarifários. Enquanto Washington defende que apenas componentes fabricados nos Estados Unidos sejam considerados, o Canadá quer incluir também peças produzidas no próprio país e no México.
Na terça-feira, os Estados Unidos divulgaram novas regras para que as montadoras informem anualmente o percentual de conteúdo americano presente em seus veículos. Os detalhes do entendimento anunciado por Trump, no entanto, ainda não foram divulgados.
