Os empresários Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, passam por audiência de custódia nesta quinta-feira (23), um dia após serem presos em São Paulo durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal. Ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos, eles são investigados por um suposto esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 900 milhões a cerca de 3 mil investidores em todo o país. As informações são do Metrópoles.
O caso ganhou repercussão nacional após o desaparecimento da fintech dos canais de atendimento e a interrupção dos pagamentos aos clientes. Em junho, o Jornal Metropole revelou, em reportagem de capa, as promessas de altos rendimentos, os atrasos nos repasses e as dificuldades enfrentadas pelos investidores para localizar os responsáveis pela empresa.

Promessa de rentabilidade elevada
A Naskar atuou por cerca de 13 anos no mercado de investimentos, captando recursos de clientes com a promessa de retorno mensal entre 1% e 2% percentual considerado elevado para aplicações financeiras convencionais. Na prática, um investimento de R$ 1 milhão poderia gerar até R$ 20 mil mensais, enquanto a empresa ficaria responsável pela administração do patrimônio.
Grande parte das operações era formalizada por meio de contratos de mútuo, modalidade utilizada para empréstimos privados. Nesse modelo, o investidor transferia recursos à empresa e aguardava a devolução do capital acrescido dos rendimentos mensais. Muitos clientes optavam por reinvestir os valores recebidos, acreditando na estabilidade e na segurança do negócio.
A expansão da empresa ocorreu principalmente por meio de indicações entre investidores e de parceiros comerciais, consolidando a imagem de uma empresa sólida, embora os rendimentos prometidos estivessem acima da média praticada pelo mercado financeiro.
Pagamentos foram interrompidos
O cenário mudou em maio, quando a Naskar deixou de realizar o pagamento previsto para o dia 4. Clientes tentaram contato com os responsáveis para obter esclarecimentos, mas não receberam resposta. Dois dias depois, em 6 de maio, o aplicativo da empresa foi retirado do ar, impedindo o acesso aos saldos, contratos e solicitações de resgate.
Investidores também relataram que a empresa deixou o endereço onde funcionava em São Paulo sem comunicar a mudança. A Naskar mantinha ainda sede no Distrito Federal e estruturas ligadas às operações em outras cidades. Sem conseguir localizar os administradores, vítimas de diversos estados registraram boletins de ocorrência.
Venda da empresa aumentou suspeitas
Dias após a interrupção dos pagamentos, a Naskar anunciou ter sido adquirida pela empresa norte-americana Azara Capital por R$ 1,2 bilhão. Segundo o comunicado, a nova controladora assumiria os ativos, as dívidas e o pagamento dos investidores, com início do ressarcimento ainda em maio.
Os valores, no entanto, nunca foram pagos, aumentando as dúvidas sobre a operação. A empresa brasileira ligada à Azara havia sido aberta cerca de 100 dias antes do anúncio, possuía capital social de R$ 13 milhões e não tinha autorização do Banco Central para atuar como instituição financeira. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também informou ao Jornal Metropole que as empresas citadas não possuíam registro para operar nos mercados regulados pela autarquia.
Prisões e investigação
Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e Maurício Jahu passam por audiência de custódia nesta quinta-feira (23). Como as prisões ocorreram por determinação judicial, o procedimento deverá verificar apenas se houve alguma irregularidade durante o cumprimento dos mandados.
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a atuação do grupo por suspeitas de crimes financeiros, estelionato e formação de pirâmide financeira.
Maurício Jahu, um dos investigados, integrou a Seleção Brasileira de Vôlei na década de 1980 e, posteriormente, atuou como treinador, modelo e apresentador da ESPN Brasil por cerca de duas décadas.
Até o momento, os cerca de 3 mil investidores afetados seguem sem previsão para recuperar os recursos aplicados.