Ex-diretor da PRF foi detido em Assunção, passou a noite sob custódia da PF em Foz do Iguaçu e terá prisão preventiva cumprida no Brasil
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi entregue pelas autoridades do Paraguai à Polícia Federal brasileira após ser preso ao tentar embarcar para o exterior com documentos falsificados. Ele passou a noite sob custódia da PF em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, e deve ser transferido para Brasília até o início da tarde deste sábado (27).
A prisão ocorreu na madrugada desta sexta-feira (26), no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção. Segundo a Polícia Federal, Vasques tentava viajar para El Salvador quando foi abordado pelas autoridades paraguaias. Após a detenção, ele foi conduzido de carro até a região de fronteira e entregue à PF brasileira na Ponte da Amizade, por volta das 20h30.
O ex-diretor da PRF chegou ao local algemado e com o rosto coberto, escoltado por agentes da Polícia Nacional do Paraguai. Após os procedimentos de entrega, o capuz foi retirado e ele foi encaminhado em uma viatura da Polícia Federal.

No Brasil, Vasques deverá ser levado ao sistema prisional. A prisão preventiva foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a constatação da tentativa de fuga. Até então, ele cumpria prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
Na decisão, Moraes afirmou que “a fuga do réu, caracterizada pela violação das medidas cautelares impostas sem qualquer justificativa, autoriza a conversão das medidas cautelares em prisão preventiva”.
Tentativa de fuga
O alerta sobre a fuga foi emitido após a Polícia Federal identificar, na madrugada do dia de Natal, a perda do sinal de GPS da tornozeleira eletrônica utilizada por Vasques. Por volta das 23h do dia 25 de dezembro, agentes se dirigiram ao endereço do ex-diretor, mas ele não foi localizado. O STF foi comunicado, e o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva.
As autoridades paraguaias foram acionadas e realizaram a prisão. Em nota, a Polícia Nacional do Paraguai informou que a detenção ocorreu após alerta do Comando Tripartite, mecanismo de cooperação policial e de inteligência entre Brasil, Argentina e Paraguai. A identidade de Vasques foi confirmada em consulta à Polícia Federal brasileira.

De acordo com as investigações, o ex-diretor teria saído de Santa Catarina e seguido de carro até Assunção. Apesar da condenação, ele ainda não havia iniciado o cumprimento da pena em regime fechado, pois os prazos para apresentação de recursos pela defesa não estavam encerrados.
Condenação e atuação nas eleições de 2022
Em 16 de dezembro, Silvinei Vasques foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão no julgamento do núcleo 2 da trama golpista. Ele foi considerado culpado pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Vasques deu ordens ilegais para que agentes da PRF realizassem operações de fiscalização com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno das eleições de 2022, em 30 de outubro, principalmente na região Nordeste. A defesa nega as acusações e afirma que o ex-diretor foi alvo de notícias falsas.
Vasques já havia sido preso em agosto de 2023, também por determinação de Alexandre de Moraes, sob a justificativa de risco de interferência em depoimentos de policiais rodoviários federais. Ele permaneceu detido por cerca de um ano e foi solto mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do porte de arma, proibição de deixar o país e de utilizar redes sociais.
Em janeiro deste ano, chegou a assumir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação da prefeitura de São José, em Santa Catarina, a convite do prefeito Orvino Ávila (PSD), mas deixou o cargo após a condenação no STF.
Silvinei Vasques é o terceiro condenado no processo da trama golpista a tentar deixar o país. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso em novembro após tentar romper a tornozeleira eletrônica, enquanto o deputado federal Alexandre Ramagem (PL) conseguiu viajar aos Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça por não utilizar equipamento de monitoramento.