Um vídeo gravado na Câmara dos Vereadores de Divinópolis (MG) mostra o pastor Wilson Botelho fazendo declarações violentas contra pessoas em situação de rua. Na gravação, ele afirma: “É só eu dar uma ligada e você toma dois tiros na cabeça”. A fala gerou forte repercussão e abriu espaço para investigações do Ministério Público, que já apura práticas de expulsão e remoção irregular de moradores de rua em diversas cidades brasileiras.

Foto: Divulgação.
Contexto das declarações
Divinópolis está entre os municípios acusados de adotar medidas de “higienização urbana”, como transporte compulsório e deslocamentos forçados, condutas proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2023. Botelho alegou que sua fala foi “infeliz” e mal interpretada, afirmando nunca ter maltratado pessoas em situação de rua e que dedica sua vida a ajudar outras pessoas.
Denúncias em Minas e outros estados
Nos últimos seis meses, a prefeitura de Divinópolis pagou 564 passagens de ônibus para moradores de rua, prática que, segundo especialistas, pode configurar violação constitucional. Casos semelhantes foram identificados em Chapecó (SC), onde guardas municipais armados teriam participado de internações forçadas, e em Balneário Camboriú (SC), onde a prefeita Juliana Pavan (PSD) aparece em vídeos confrontando pessoas em situação de rua.
Em Belo Horizonte, a Câmara Municipal chegou a aprovar em primeira votação um projeto para enviar moradores de rua de volta às cidades de origem, medida criticada por defensores públicos como inconstitucional e discriminatória.
Decisão do STF e críticas
O STF determinou que qualquer forma de remoção forçada ou transporte compulsório de pessoas em situação de rua é ilegal, reforçando o direito constitucional de livre circulação. Especialistas, como o professor de Direito Constitucional Wallace Corbo (UERJ), alertam que tais práticas violam garantias fundamentais e reforçam políticas de exclusão.
Repercussão
O episódio envolvendo o pastor Wilson Botelho expõe a tensão em torno das políticas públicas voltadas para a população em situação de rua. Enquanto autoridades locais alegam buscar soluções para problemas sociais, denúncias e vídeos mostram que muitas dessas medidas acabam se transformando em ações de expulsão e intimidação, em desacordo com a Constituição e decisões judiciais.
Com informações do G1.