O caso da “Viúva Negra da Bahia”

Em agosto de 1998, o desaparecimento do aposentado da Petrobras Raimundo Nonato de Alcântara, de 73 anos, deu início a uma investigação que revelaria uma trama marcada por traição, manipulação e morte. Raimundo vivia em um sítio isolado em Areia Branca, Lauro de Freitas, ao lado da esposa, Luzimar Regina Vieira de Alcântara, então com 29 anos. No último domingo daquele mês, ela organizou um churrasco para receber as filhas do marido, alegando que ele viajaria para Brasília no dia seguinte. A suposta viagem, no entanto, nunca aconteceu.

Foto: Divulgação.

Pouco depois, surgiram as primeiras suspeitas. As filhas descobriram que Luzimar mantinha um relacionamento com o sobrinho e filho de criação de Raimundo, o eletricista Evandro Crispiniano dos Santos. A revelação reforçou a desconfiança de que algo estava errado. Pressionado pela família e tomado por remorso, Evandro ingeriu veneno em setembro e morreu dias depois, deixando uma confissão a um enfermeiro de que havia sido manipulado por Luzimar.

O caso ganhou contornos definitivos em dezembro, quando a polícia encontrou o corpo de Raimundo enterrado no quarto do casal. O piso, que antes era de terra batida, havia sido cimentado recentemente. A suposta viagem era uma farsa sustentada por telefonemas simulados: todas as ligações atribuídas ao aposentado vinham, na verdade, do celular de Evandro.

Luzimar foi presa e tentou culpar o amante e um pedreiro, mas o laudo apontou que a morte ocorreu por sufocamento, desmontando sua versão. Em 2000, após julgamento que mobilizou a cidade, ela foi condenada a 17 anos de prisão. O pedreiro acusado acabou absolvido por falta de provas.

A expressão “Viúva Negra” passou a ser usada pela polícia e pela imprensa para se referir a Luzimar, em alusão à aranha que devora o macho após a cópula. O apelido ganhou força porque outros relacionamentos dela também haviam terminado em circunstâncias suspeitas.

O caso deixou marcas profundas não apenas pela brutalidade do crime, mas também pelo impacto sobre as famílias envolvidas. A viúva de Evandro, por exemplo, mergulhou em dificuldades financeiras e emocionais após a morte do marido, reforçando a percepção de que a trama arquitetada por Luzimar destruiu mais de uma vida.

O episódio permanece como um dos crimes mais emblemáticos da Bahia nos anos 1990, lembrado pela frieza da protagonista e pelo desfecho trágico que envolveu todos os personagens.

Com informações do Correio da Bahia.

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