A chegada inesperada de 41 imigrantes venezuelanos à rodoviária de Montes Claros mobilizou autoridades locais e órgãos de controle. O grupo, formado por sete famílias indígenas da etnia Warao — incluindo 14 adultos (quatro gestantes) e 27 crianças — desembarcou na madrugada de sábado (15), após viajar cerca de 680 km desde Itabuna, no sul da Bahia.

Foto: Divulgação.
Acolhimento emergencial
Atualmente, os imigrantes estão abrigados no Ginásio Municipal Ana Lopes, adaptado pela Secretaria de Desenvolvimento Social. No local, recebem alimentação, roupas, itens de higiene e atendimento básico de saúde. A prioridade inicial foi garantir condições mínimas de segurança, especialmente para as crianças.
A Prefeitura de Montes Claros informou que iniciou o processo de regularização documental das famílias, necessário para acesso ao Cadastro Único e futura inserção dos adultos no mercado de trabalho. Também avalia alternativas de moradia, como aluguel social e programas habitacionais, além da matrícula das crianças na rede pública.
Divergência entre municípios
Relatos da Guarda Municipal indicam que o transporte foi contratado pela Prefeitura de Itabuna, que teria pago o motorista para levar as famílias até Montes Claros. O município mineiro, no entanto, afirmou não ter sido avisado e registrou boletim de ocorrência pelo abandono.
Em nota, a Prefeitura de Montes Claros declarou:
“A Prefeitura reforça seu compromisso com a proteção social, a dignidade humana e a atuação responsável diante de situações emergenciais, ao mesmo tempo em que esclarece que não participou, não autorizou e não foi previamente comunicada sobre o transporte e o desembarque dessas famílias.”
Já a Prefeitura de Itabuna apresentou versão distinta. Segundo o município, os próprios líderes Warao decidiram pela transferência em reunião realizada no dia 12 e solicitaram ônibus, mantimentos e fraldas para a viagem. O texto afirma que os caciques assinaram um Termo de Declaração confirmando o desligamento voluntário do programa de acolhimento.
Contexto
Em Itabuna, os venezuelanos viviam há cerca de quatro anos em residência custeada pelo município. Segundo relatos, os pagamentos teriam sido interrompidos, deixando as famílias sem alternativa.
A Polícia Federal foi acionada e deve analisar a documentação dos imigrantes. Uma reunião marcada para esta segunda-feira (17) reúne Prefeitura de Montes Claros, Ministério Público de Minas Gerais e Defensoria Pública para definir os próximos passos do acolhimento.
Com informações do Correio da Bahia.