O ator Márcio Garcia registrou um boletim de ocorrência por estelionato contra a empresa Outsider Tours, após descobrir, no momento do embarque, que as passagens aéreas de sua família não haviam sido emitidas. O caso foi registrado na 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca), no Rio de Janeiro. A empresa e seu dono, Fernando Sampaio, negam as acusações.

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Segundo o ator, a viagem tinha como destino os Estados Unidos, onde ele acompanharia o Mundial de Clubes de 2025. Garcia afirmou que havia fechado uma parceria comercial com a Outsider para divulgar a marca em suas redes sociais em troca de hospedagem, passagens e ingressos para jogos da competição. Mesmo com o acordo, ele realizou pagamentos que somaram R$ 21,1 mil, incluindo um upgrade de passagens para a classe executiva.
De acordo com o registro policial, o valor foi transferido via PIX para a Arena Consultoria Esportiva, empresa aberta em março deste ano em nome de Letícia Coppi e Silva, ex-namorada de Fernando Sampaio. Ela afirmou não reconhecer a transação em nome da empresa.
No dia da viagem, ao chegar ao balcão da companhia aérea, o ator foi informado de que não havia reservas em nome dele nem de sua família. Garcia então precisou comprar novas passagens por conta própria.
Defesa e contradições
Fernando Sampaio, dono da Outsider, nega as acusações e diz que o ator não cumpriu o acordo de divulgação. Ele afirma ter pago hotel cinco estrelas, ingressos e uma das passagens da família, além de alegar que o valor pago foi estornado como reembolso.
Sampaio reconheceu ter pedido que o pagamento fosse feito à Arena Consultoria, alegando que o dinheiro seria usado para quitar uma dívida pessoal com a ex-namorada.
A assessoria de Márcio Garcia rebateu as declarações e informou que todos os pagamentos foram feitos antes da viagem. Segundo o ator, a oferta posterior da Outsider — de diárias e ingressos — não compensaria o prejuízo causado.
Histórico de processos
A Outsider Tours e seu proprietário enfrentam mais de 600 ações judiciais e registros de ocorrência em 21 estados e no Distrito Federal. As investigações apontam que Sampaio utiliza diferentes CNPJs para receber pagamentos e dificultar responsabilizações.
De acordo com o delegado Neilson Nogueira, titular da 16ª DP, o empresário oferece pacotes com preços abaixo do mercado e entrega parte dos serviços contratados, o que “dificulta a caracterização do dolo e o enquadramento criminal”.
Empresas ligadas a Sampaio, como a High Light Consolidadora de Viagens e a Turisport Turismo, também são alvo de ações na Justiça. O CNPJ da Outsider Turismo LTDA consta como inapto na Receita Federal, por inadimplência em processos trabalhistas.
Casos semelhantes
Outros clientes relataram prejuízos em pacotes da Outsider para eventos esportivos, como a final da Libertadores de 2022, em Guayaquil, e a Champions League de 2024, em Londres e Istambul. Em ambos os casos, clientes afirmam que não receberam ingressos ou passagens prometidos.
O empresário nega irregularidades e afirma que 80% dos processos contra a empresa estão relacionados à crise de 2022. Ele sustenta que já realizou reembolsos de mais de R$ 2 milhões por meio de estornos e acordos.
Investigações em curso
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e delegacias de outros estados continuam investigando Fernando Sampaio por suspeita de estelionato e fraude empresarial. Em São Paulo e na Bahia, há ações que somam quase R$ 7 milhões movidas por empresas de turismo que afirmam ter sido lesadas.
A 16ª DP apura se a Outsider e suas empresas associadas continuam comercializando pacotes turísticos, inclusive para a Copa do Mundo de 2026, mesmo após o CNPJ principal ter sido declarado inapto.
Com informações do G1.