A cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, vive uma escalada de violência provocada pela disputa entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Com cerca de 200 mil habitantes, o município tornou-se um território estratégico para o tráfico de drogas, agravado pela ausência de um grupo dominante e pela fragmentação interna do PCC.

Foto: Divulgação.
Aumento nos homicídios
De janeiro a setembro de 2025, foram registrados 24 homicídios dolosos, um aumento de 26% em relação ao mesmo período de 2024. A taxa local de 11,92 mortes por 100 mil habitantes é quase três vezes superior à média estadual, de 4,09. Em 2024, a cidade já havia encerrado o ano com 32 homicídios.
Facções em conflito
- A atuação do CV cresceu após dissidentes do PCC formarem o grupo “Bonde do Magrelo”, que se aliou ao Comando Vermelho.
- Uma base logística do CV foi descoberta em Hortolândia, usada como ponto de apoio entre Rio Claro e o Rio de Janeiro.
- Entre os presos na operação de março estava Wilson Balbino da Cruz, o “Japonês”, responsável pela logística do CV em São Paulo.
Crimes de repercussão
A guerra entre facções já resultou em assassinatos de grande impacto, como a execução de quatro pessoas em novembro de 2024 e um homicídio dentro de um supermercado no mês seguinte. Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, o “Bode”, é apontado como líder do CV na região, com Edvaldo Luís Lopes Júnior, o “Grão”, como seu braço direito. Ambos foram alvos de ordens de morte do PCC.
Reação das autoridades
- O delegado seccional Paulo César Junqueira Hadich afirma que metade dos homicídios ligados às facções já foi esclarecida, mas destaca o medo das testemunhas e a dificuldade de identificar executores de fora da região.
- Uma força-tarefa foi criada pelo Deinter 9, envolvendo Polícia Civil, Ministério Público e Polícia Militar, para conter o avanço do crime organizado.
Clima de insegurança
Apesar de os crimes estarem concentrados entre grupos criminosos, a população vive em constante alerta. Moradores relatam medo e mudanças na rotina, como o fechamento antecipado de casas e comércios.
Rio Claro tornou-se um exemplo claro da interiorização do crime organizado em São Paulo, desafiando a capacidade de resposta do poder público e revelando um novo cenário de tensão em cidades médias do estado.
Com informações do G1.