A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) tem início nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), e representa um marco histórico por ser a primeira edição realizada na Amazônia. Durante duas semanas, cerca de 50 mil participantes — entre chefes de Estado, diplomatas, cientistas, empresários e representantes da sociedade civil — discutirão soluções para conter o aquecimento global e impulsionar a transição para uma economia sustentável.

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O encontro ocorre em um momento crítico: outubro de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado no planeta, segundo o observatório europeu Copernicus. Com uma média global de 15,14 °C, o ano deve encerrar entre os três mais quentes da história, o que reforça a urgência por ações concretas.
A COP30 — sigla para “Conferência das Partes” — é o principal fórum internacional sobre o clima. Criada em 1995 no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), tem como missão definir metas e acordos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O evento deste ano é visto como um divisor de águas, já que pretende transformar promessas políticas em compromissos reais com prazos, metas e fontes de financiamento.
As discussões em Belém se concentram em três grandes eixos: transição energética, adaptação climática e financiamento. O Brasil quer liderar a criação de um “mapa do caminho” que estabeleça etapas e responsabilidades para substituir gradualmente o petróleo, o gás e o carvão por fontes limpas. A proposta busca garantir que essa mudança ocorra de forma justa, respeitando as diferentes capacidades de cada país.
Outro ponto central é o Objetivo Global de Adaptação (GGA), que mede o quanto as nações estão preparadas para enfrentar os impactos do clima. A ideia é criar indicadores que permitam comparar avanços e lacunas, mas ainda há incertezas sobre como financiar as medidas de adaptação. Especialistas defendem que o sucesso do GGA depende de recursos previsíveis e acessíveis, especialmente para os países em desenvolvimento.
No campo financeiro, as negociações giram em torno do Roteiro de Baku a Belém, plano que busca mobilizar até US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para apoiar a descarbonização global. O desafio é transformar promessas de doação em fluxos de investimento reais, com juros baixos e mecanismos que evitem o endividamento de nações mais pobres.
O governo brasileiro chega à conferência com a ambição de se firmar como protagonista global da agenda ambiental. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta em iniciativas como o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, que pretende quadruplicar o uso desses combustíveis até 2035. Paralelamente, o país busca consolidar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo que remunera países que preservam suas florestas, com o lucro gerado por investimentos de renda fixa.
Apesar da agenda ambiciosa, o Brasil também enfrenta críticas. Ambientalistas questionam o incentivo aos combustíveis sustentáveis sem uma estratégia clara para reduzir o uso de petróleo. O recente licenciamento de blocos de exploração na margem equatorial reacendeu o debate sobre a coerência entre discurso e prática.
A presidência da conferência está a cargo do embaixador André Corrêa do Lago, responsável por mediar as negociações entre os mais de 190 países. Ao lado da diretora-executiva Ana Toni, ele tem a missão de coordenar os grupos de trabalho e garantir que as deliberações avancem dentro do cronograma.
Entre os resultados esperados, estão a revisão das metas nacionais de redução de emissões (NDCs) para 2035, o avanço na definição do “mapa do caminho” da transição energética e a criação de instrumentos de monitoramento e financiamento efetivos. Até agora, as metas atuais cobrem apenas 30% das emissões globais, quando seria necessário reduzir cerca de 60% para estabilizar o clima.
A COP30 é considerada um teste decisivo para a credibilidade dos acordos climáticos. Em Belém, a diplomacia brasileira busca transformar a Amazônia em símbolo de cooperação internacional e sustentabilidade — um passo essencial para que o mundo mantenha viva a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
Com informações do G1.