O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país está oficialmente envolvido em um “conflito armado” contra cartéis de drogas, classificando essas organizações como “combatentes legais” e autorizando operações militares sob a lei de conflitos armados. A medida, revelada por um memorando confidencial obtido por veículos como CBS, The New York Times e Reuters, marca uma escalada na política antidrogas americana e levanta preocupações sobre seus desdobramentos internacionais — inclusive no Brasil.

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A declaração ocorre após ataques a três embarcações no Caribe, que resultaram na morte de 17 pessoas. Os alvos seriam ligados ao tráfico de cocaína e fentanil. O governo americano já designou grupos como o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles como organizações terroristas, e especialistas avaliam que facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) podem entrar na mira.
Segundo a consultoria Eurasia, essa classificação pode ser usada como retaliação política, especialmente após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia para as Américas, afirmou à BBC News Brasil que, embora a decisão não seja iminente, a probabilidade aumenta nos próximos seis a oito meses.
A possível designação do PCC e CV como grupos terroristas traria implicações diplomáticas e operacionais. O desafio, segundo Garman, está em identificar os setores que colaboram com essas facções, dada sua penetração no setor privado e sua estrutura sofisticada. O PCC, por exemplo, é suspeito de envolvimento na adulteração de bebidas com metanol e no assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes.
A legalidade dos ataques americanos foi questionada por especialistas em direito internacional. Luke Moffett, da Queens University, alertou que o uso de força letal contra embarcações pode configurar execução extrajudicial. Já Geoffrey S. Corn, ex-conselheiro do Exército, argumenta que cartéis não representam hostilidade armada direta, o que torna a designação de “conflito armado” juridicamente controversa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o envio de forças militares americanas ao Mar do Caribe, afirmando que o terrorismo não deve ser confundido com desafios de segurança pública. Em reunião do Brics, Lula classificou a presença militar como “fator de tensão incompatível com a vocação pacífica da região”.
Diplomatas brasileiros, em caráter reservado, expressam preocupação de que os EUA possam usar a classificação de grupos como terroristas para justificar ações militares na América Latina.
Com informações do G1.