Trump chama mudança climática de “farsa” na ONU; dados científicos apontam recordes de aquecimento e CO₂

Durante discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a mudança climática como “a maior farsa já perpetrada contra o mundo”. Ele também criticou o consenso científico, defendeu o uso do carvão como fonte de energia e celebrou a saída dos EUA do Acordo de Paris.

Foto: Shannon Stapleton/Reuters

As declarações contrastam com dados de instituições como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Nasa, que confirmam que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média global 1,55 °C acima dos níveis pré-industriais.

Evidências científicas

  • A Nasa aponta que a Terra esteve cerca de 1,47 °C mais quente em 2024 em relação ao final do século XIX
  • Concentração de CO₂ chegou a 422,5 ppm — 52% acima da era pré-industrial
  • Emissões globais de combustíveis fósseis bateram recorde: 37,4 bilhões de toneladas
  • Mais de 3 bilhões de pessoas vivem em áreas altamente vulneráveis às mudanças climáticas
  • Metade da população mundial enfrenta escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aquecimento global é “inequívoco” e sem precedentes em milhares de anos. A maioria dos especialistas concorda que ele é provocado pela ação humana.

Repercussão e críticas

Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, criticou o discurso de Trump: “Inventou uma realidade particular onde carvão não polui e os EUA teriam pago sozinhos pela mudança do clima. A realidade já desmente por si só.”

Ela reforçou a importância do Acordo de Paris e da cooperação internacional: “Precisamos reafirmar fatos, valorizar a cooperação e não ceder espaço a narrativas que vivem de negar o óbvio.”

COP30 e expectativas globais

Na véspera do discurso, o secretário-executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, cobrou compromissos mais claros dos países para a COP30, que será realizada em novembro em Belém (PA). Ele destacou a necessidade de um plano financeiro robusto para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em apoio aos países mais vulneráveis.

“Ação climática ousada significa melhores empregos, padrões de vida mais altos, ar mais limpo, vidas mais saudáveis, comida segura, energia e transporte acessíveis. É isso que está em jogo”, afirmou Stiell.

A meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C, definida no Acordo de Paris, já está sendo superada. Em 2024, o planeta atingiu 1,6 °C, e cientistas avaliam se esse valor representa um novo padrão ou um pico isolado.

Com informações do G1.

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