Expedição descobre aquífero submarino que pode abastecer milhões e reacende debate sobre crise hídrica global

Uma expedição internacional revelou a existência de uma imensa reserva de água doce sob o leito do Atlântico Norte, entre os estados de Nova Jersey e Maine, nos Estados Unidos. O achado, considerado pioneiro, reacende discussões sobre soluções alternativas para enfrentar a crescente crise hídrica mundial.

Foto: Carolyn Kaster/AP

A descoberta foi feita durante a Expedição 501, que perfurou o fundo do mar ao largo de Cape Cod, em Massachusetts. Os cientistas encontraram um aquífero subterrâneo com potencial para abastecer uma cidade do porte de Nova York por até 800 anos. Os estudos iniciais indicam que a água pode ter origem no derretimento de geleiras de milhares de anos ou em sistemas subterrâneos ainda conectados ao continente.

A análise das quase 50 mil amostras coletadas será realizada nos próximos meses em laboratórios de diferentes países. A expectativa é identificar se a água é segura para consumo, quais microrganismos vivem nesse ambiente e, principalmente, se o aquífero se recarrega naturalmente ou se é um recurso finito.

O projeto, financiado pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA e pelo Consórcio Europeu de Perfuração em Pesquisa Oceânica, custou US$ 25 milhões e mobilizou cientistas de mais de dez países. A equipe perfurou até 400 metros de profundidade, confirmando suspeitas levantadas em pesquisas anteriores de que depósitos semelhantes podem existir em várias regiões costeiras do planeta.

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam para os desafios. A extração em larga escala exigiria tecnologias seguras para evitar a salinização das reservas, além de debates sobre propriedade, uso e impactos ambientais. Há também o risco de alterar ecossistemas marinhos que dependem da água doce que escapa naturalmente para o oceano.

A importância do achado ganha força diante das previsões da ONU, que estima um déficit de 40% entre oferta e demanda global de água doce até 2030. A descoberta de aquíferos submarinos amplia as perspectivas para mitigar crises como a vivida por Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2018, e as que ameaçam estados norte-americanos cada vez mais dependentes de água em meio à expansão de data centers.

Embora ainda distante de uso prático, a expedição é considerada um marco na pesquisa oceânica e reforça a urgência de explorar alternativas para garantir água potável em um cenário de mudanças climáticas e pressão sobre os recursos naturais.

Com informações do G1.

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