O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini foi preso neste domingo (31) após atirar no pé do entregador Valério Junior, de 28 anos, durante uma discussão na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso ocorreu na sexta-feira (29), no conjunto de prédios conhecido como Merck, em Jacarepaguá, e ganhou repercussão nacional após o vídeo gravado pela própria vítima viralizar nas redes sociais.

Foto: Divulgação.
Segundo o delegado Marcos Buss, da 32ª DP (Taquara), Ferrarini alegou que o disparo foi acidental — versão sustentada antes e depois da prisão. O policial procurou a delegacia para relatar o ocorrido, afirmando que a arma disparou durante uma discussão sobre a entrega de um lanche. Valério havia se recusado a subir até o apartamento, como é permitido pelas normas da plataforma iFood, e pediu que o cliente buscasse o pedido na portaria.
As imagens mostram Ferrarini descendo armado até o portão, discutindo com o entregador e, em seguida, disparando contra o pé direito de Valério. Mesmo ferido, o motoboy tentou explicar que era morador do condomínio e pediu ajuda a um porteiro. O policial, por sua vez, recolheu o pedido e voltou para casa sem prestar socorro.
Após o vídeo circular, o delegado solicitou a prisão preventiva do agente, que foi cumprida no domingo. Ferrarini foi encaminhado ao Presídio Constantino Cokotós, em Niterói, unidade destinada a policiais presos. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) afastou o servidor por 90 dias e abriu processo administrativo disciplinar, classificando a conduta como “abominante”.
Valério foi atendido no Hospital Municipal Lourenço Jorge e liberado com o projétil alojado no pé. Ele relatou que recebia R$ 7 pela entrega e agora está impossibilitado de trabalhar. “Vai depender do médico falar se dá para tirar, se continua, se tem sequela ou não”, disse.
Entregadores realizaram um protesto em frente ao condomínio, exigindo respeito e segurança no exercício da profissão. O iFood, por sua vez, reforçou que os entregadores não são obrigados a subir até os apartamentos e anunciou apoio jurídico e psicológico ao entregador, por meio da parceria com a organização Black Sisters in Law.
Com informações do G1.