Justiça e comoção marcam despedida de Sther, jovem espancada até a morte no Rio

A manhã desta quarta-feira (20) foi marcada por dor, revolta e pedidos de justiça no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Familiares e amigos se reuniram para se despedir de Sther Barroso dos Santos, jovem de 22 anos brutalmente espancada até a morte após se recusar a acompanhar um traficante em um baile funk na comunidade da Coreia, em Senador Camará, Zona Oeste da cidade.

Foto: Divulgação.

Durante o velório, a mãe da vítima, Carina Couto, emocionou os presentes ao clamar por justiça. “Tiraram a minha filha de mim. Eu não vou aguentar, ela era linda e cheia de planos. Eu quero justiça, quero a minha filha”, disse, em meio às lágrimas. Amigos e parentes vestiam camisetas com o rosto de Sther estampado, em um gesto de homenagem e indignação.

Segundo relatos da família, o principal suspeito do crime é Bruno da Silva Loureiro, conhecido como “Coronel”, chefe do tráfico no Muquiço, em Guadalupe — área dominada pela mesma facção criminosa que atua na comunidade da Coreia, o Terceiro Comando Puro (TCP). Coronel tem 12 mandados de prisão em aberto e está foragido. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso.

A irmã da vítima, Stefany, usou as redes sociais para lamentar a perda e denunciar a brutalidade do crime. Ela afirmou que o corpo de Sther foi entregue desfigurado e deixado na porta da casa da mãe. “Estou sem chão, sem estrutura. Quem nos conhece sabe o quanto somos unidas, leais, uma pela outra. Sensação de impotência por não ter tido tempo de salvar a minha irmã”, escreveu.

O atestado de óbito aponta que Sther morreu por hemorragia subaracnóide, traumatismo craniano e politrauma. A família também afirma que a jovem foi estuprada. Antes de se mudar para a Vila Aliança, onde buscava refúgio das investidas do ex-companheiro, Sther e sua família viviam no Muquiço.

Nas redes sociais, amigos compartilharam anotações feitas por Sther com metas para o ano de 2025. Entre os objetivos estavam terminar os estudos, fazer cursos, adotar um cachorro, focar na academia e agradecer a Deus todos os dias. “Ela tinha tantos sonhos… Queria estudar, trabalhar, mudar de vida. Isso foi arrancado dela de uma maneira cruel”, lamentou uma amiga próxima.

A morte de Sther reacende o alerta sobre a violência contra mulheres no estado do Rio de Janeiro. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), 49 mulheres foram vítimas de feminicídio apenas no primeiro semestre deste ano. O caso da jovem se soma a uma estatística que cresce em meio à impunidade e à ausência de políticas públicas eficazes de proteção.

A comoção provocada pela tragédia se espalha pelas redes sociais e pelas ruas, onde vozes se levantam em busca de justiça. A dor da família é compartilhada por uma sociedade que, diante de mais um caso de violência extrema, exige respostas e ações concretas para que outras jovens não tenham seus sonhos interrompidos de forma tão brutal.

Com informações do G1.

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