Brasil enfrenta a fome apesar de recordes na produção de alimentos

Mesmo sendo um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda convive com a fome e a insegurança alimentar. Entre 2021 e 2023, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 8,4 milhões de brasileiros passaram fome — o equivalente a 3,9% da população. Essa realidade mantém o país no Mapa da Fome da ONU, do qual havia saído em 2014.

Foto: Divulgação.

Especialistas apontam que o problema não está na falta de alimentos, mas sim na dificuldade de acesso por parte da população mais pobre. Embora o desemprego tenha recuado nos últimos anos, os preços dos alimentos dispararam, superando em muito o reajuste dos salários. Dados do IBGE mostram que, entre 2014 e 2024, enquanto os salários aumentaram apenas 5% em termos reais, o custo da alimentação para os mais pobres subiu 116,7%.

Outro fator apontado é a priorização da exportação. A produção agrícola brasileira é fortemente voltada para o mercado externo, com destaque para soja e milho — que juntos representam 88% da produção de grãos no país. Essas commodities são comercializadas internacionalmente e utilizadas, em grande parte, como ração animal. Já o cultivo de alimentos básicos para o consumo direto, como arroz e feijão, sofreu retração nos últimos anos.

A queda no plantio desses grãos foi compensada, em parte, por ganhos de produtividade. Ainda assim, especialistas alertam para a necessidade de reequilibrar o modelo produtivo com investimentos públicos em culturas voltadas ao mercado interno e à agricultura familiar.

Além disso, as mudanças climáticas representam um desafio crescente. A irregularidade das chuvas e eventos extremos tornam incerta a produção agrícola, exigindo novas políticas de inovação, pesquisa e adaptação no campo.

Outro obstáculo está nos chamados “desertos alimentares” — áreas onde há pouca ou nenhuma oferta de alimentos frescos. Estima-se que 25 milhões de brasileiros vivam nessas regiões, e 6,7 milhões estejam em situação de vulnerabilidade social. A aposta para reverter esse cenário está na expansão da agricultura familiar, responsável por mais da metade da produção de hortaliças no país.

Desde 2023, com o relançamento de políticas públicas como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o fortalecimento da merenda escolar, o país conseguiu reduzir significativamente os números da insegurança alimentar grave. Em 2023, o número de pessoas em situação de fome caiu para 8 milhões, segundo o IBGE.

Apesar do avanço, especialistas alertam que ainda resta uma população altamente vulnerável, muitas vezes fora dos cadastros de assistência social. Para alcançar a meta de retirar o Brasil do Mapa da Fome até 2026, o governo pretende ampliar a busca ativa por essas pessoas e aumentar a cobertura do Cadastro Único (CadÚnico), além de fortalecer programas de apoio à produção e à segurança alimentar.

Com informações do G1.

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