Foto: Fotos: Brunno Dantas/TJRJ-
No segundo dia do julgamento dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Tribunal do Júri foi palco de embates acalorados entre defesa e acusação. As discussões, realizadas na quinta-feira (31/10), trouxeram à tona as justificativas dos réus e as duras acusações do Ministério Público, em uma audiência que se encaminha para a decisão final do júri sobre a culpa dos réus.
A defesa de Ronnie Lessa, um dos executores confessos, apelou por uma “condenação justa”. Em sua argumentação, o advogado Saulo Carvalho enfatizou que Lessa deve responder “na medida de sua culpabilidade”. Carvalho argumentou que, embora Lessa esteja sendo acusado de homicídio qualificado por motivo torpe, ele nega que o crime tenha ocorrido por razões políticas, sugerindo que a motivação teria sido uma disputa de interesses por terrenos, pelos quais Lessa receberia compensação.
O advogado criticou o enquadramento da acusação e questionou a ausência de provas que apontem uma motivação diretamente ligada ao papel político de Marielle. Segundo ele, “não há nos autos evidências de que Lessa tivesse algum interesse em silenciar a atuação política da vereadora”.
Defesa de Élcio Queiroz Questiona Participação no Crime
A defesa de Élcio Queiroz, acusado de dirigir o veículo usado na execução, argumentou que ele desconhecia o real desfecho da ação. A advogada Ana Paula apresentou a história de vida de Queiroz e afirmou que ele apenas “acreditava que Ronnie mataria somente Marielle”. A defesa pediu que o cliente fosse julgado com proporcionalidade, levando em conta seu papel de coadjuvante na execução do duplo homicídio.
Acusação Classifica Réus como “Sociopatas”
Pela manhã, o Ministério Público iniciou a sessão acusatória, com o promotor Fábio Vieira, que foi enfático em sua fala ao classificar os réus como “sociopatas”. Vieira destacou a frieza dos executores confessos, ressaltando que as confissões ocorreram não por arrependimento, mas pela expectativa de benefícios legais. “Eles não têm empatia, confessaram por conveniência”, afirmou o promotor.
Já o promotor Eduardo Martins criticou o que classificou como tentativas dos réus de amenizar suas participações, sublinhando que as provas objetivas corroboram a acusação. Ele citou o trajeto feito pelos réus e o descarte do veículo como elementos que sustentam a veracidade da acusação, rebatendo argumentos de minimização das ações dos acusados.
Relevância de Marielle Franco como Figura Política e Social
A assistente de acusação trouxe um aspecto simbólico ao julgamento, destacando que Marielle Franco representava a voz de mulheres negras e LGBTQIA+ na política. Para a acusação, a representatividade e a defesa dos direitos das minorias feitas por Marielle foram elementos que incomodaram, justificando o caráter torpe do assassinato.
O julgamento deve prosseguir com o voto do júri, enquanto a juíza responsável ficará encarregada de dosar a pena, estipulando por quanto tempo os acusados deverão cumprir a sentença.
