Uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva revelou que 15% das brasileiras com 16 anos ou mais afirmam já ter sido vítimas de estupro. A maioria dos casos (12% dos 15%) ocorreu quando as vítimas tinham até 13 anos, e 57% dessas mulheres disseram nunca ter contado a ninguém.

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O levantamento ouviu 1.200 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 11 e 25 de julho. A maioria das vítimas não procurou serviços de saúde após o abuso, e 8% relataram ter engravidado em decorrência da violência.
Silêncio e estigma
Marisa Sanematsu, diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, explica que o tabu em torno do abuso sexual infantil e o estigma social dificultam que as vítimas sejam ouvidas. “A maioria dos estupros ocorre dentro de casa e é cometido por um parente ou conhecido. Muitas vezes, a família não quer enxergar e muito menos denunciar o agressor”, afirma.
Segundo ela, o abusador se aproveita da proximidade e da vulnerabilidade da criança, que muitas vezes não compreende o que está acontecendo. O trauma pode causar apagões de memória e lembranças reprimidas que só emergem na vida adulta.
Percepções e desconhecimento
- 59% dos brasileiros conhecem uma mulher que foi estuprada na infância
- 22% conhecem uma vítima de estupro que engravidou
- 96% acreditam que meninas de até 13 anos não têm preparo físico ou emocional para serem mães
- 70% das brasileiras gostariam de ter a opção de aborto legal em casos de estupro
- 47% conhecem uma mulher que já fez aborto; 71% desses foram clandestinos
- Apenas 43% sabem que o aborto é permitido por lei em casos de estupro, risco de vida ou malformação fetal
- Só 40% sabem que não é necessário boletim de ocorrência para acessar o procedimento legal
O estudo reforça a urgência de ampliar o acesso à informação e aos serviços de apoio às vítimas de violência sexual.
Com informações do G1.