Uma disputa que favorece Dilma

"A quem aproveita o crime?" - pergunta-se nas investigações policiais para se ter uma ideia inicial de quem poderá tê-lo praticado, e é nesse antigo preceito que está a única e precária segurança de que dispõe a presidente Dilma Rousseff para manter-se no cargo.

A questão é que, no caso da política brasileira, há interessados fortes e díspares no "crime". O primeiro deles é o PMDB, que assumiria automaticamente a presidência, através do vice Michel Temer, se o impeachment decorresse de crime de responsabilidade.

O segundo grande interessado é o PSDB, mas somente no caso de acusação de crime eleitoral, pois a impugnação da chapa de 2014 levaria os dois para o buraco, abrindo-se a oportunidade de nova eleição - o sonho "secreto" de Aécio Neves.

Ambos os partidos têm força suficiente para, isoladamente, com apoio do PT, barrar na Câmara dos Deputados a abertura de um eventual processo, que, assim, exigiria um acordo muito bem amarrado para sua concretização de uma ou de outra forma.

Aparentemente, são interesses inconciliáveis, mas política é a arte do possível. A história, lamentavelmente em muitas situações, é deste jeito que se constrói, com o que temos à mão, com a realidade, não necessariamente com os nossos sonhos e projetos.

São as forças que aí estão que montarão a nova configuração de poder, mesmo com a nossa crença democrática de que "não passarão", de que não terão coragem de acumpliciar-se num regime que continuará enganando o povo brasileiro e condenando-o à desgraça perene.

Luís Augusto Gomes - Por Escrito

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