Salvador, 21 de julho de 2018

Para analisar

Data: 25/10/2015
09:59:48

Uma frase enigmática de Lula na entrevista ao radialista Mário Kertész, na Metrópole, durante sua estada na Bahia: “Se o governo não der certo, quem perde não é a Dilma, quem perde sou eu, é você, é o povo brasileiro...”

A primeira parte revela: se o governo fracassar, quem perde não é a presidente, que não pode mais se reeleger, mas ele próprio, que não poderia se apresentar ao eleitorado em 2018 com um legado negativo.

É possível que a inclusão de “você e o povo brasileiro” entre as vítimas das perdas tenha sido um jeito de tentar corrigir a escorregada.



Lula perdeu o teste com a classe média

Data: 24/10/2015
10:29:15

Não é que o ex-presidente Lula desconheça a realidade e o modo como a população o enxerga hoje, tanto que entra sorrateiro nos hotéis. Apenas não tem outra saída senão defender-se com a disposição que lhe restar, porque a omissão será necessariamente mais perigosa.

Das manobras de bastidores, da pressão para exercer o máximo de influência no governo, Lula emergiu, nestes últimos dias, para um desesperado corpo a corpo a distância, repetindo um discurso que já não tem mais cabimento.

Esse negócio de referir-se a um inimigo imaginário único que chama de “eles” para, na verdade, atingir setores diversos que o rejeitam, não cola. “Eles” odeiam os pobres, “eles” odeiam “a Dilma” porque é mulher. Como se diz, tenha dó.

“Eles” querem, com a presidente Dilma, “destruir um mandato que mal começou”. Ora, o mais desinformado dos brasileiros sabe que Dilma foi presidente da República de 2011 a 2015 e, junto com ele, é a maior responsável pela situação do país.

Aliás, por obra e graça da mesma conversa mole de Lula, só que naquele tempo ele surfava sobre números melhores da economia internacional, que não chegaram a nos afetar como agora, e podia oferecer um cala-boca aos miseráveis e necessitados.

O ex-presidente refere-se também a “políticos inconformados” com o resultado da urnas como insufladores do quadro atual, mas não explica por que a oposição não lhes dedicou a mesma estratégia nos anos em que ele e Dilma, três vezes, venceram a eleição.

Ao contrário, com políticos igualmente medíocres, como José Serra, Geraldo Alkmin e Aécio Neves, a oposição temeu-lhe a “popularidade” adquirida da conjuntura e do trabalho de terceiros e acovardou-se desde a primeira grande corrupção, o mensalão, da qual Lula não pode se eximir.

Dez anos depois, chegamos aos dias atuais, em que o último recurso do antigo líder messiânico é contar com a ignorância popular para a qual muito contribuiu nos seus anos de poder, inclusive com a demissão de Cristovam Buarque do Ministério da Educação.

Mas Lula pode fazer uma avaliação definitiva: seu processo de ascensão foi lento. Só venceu em 2002, após três pleitos, e no segundo turno, por ter enfim incorporado o apoio de uma verdadeira classe média, que fez, digamos, um teste – desastrado, como se vê.



Reda: quando o temporário se torna definitivo

Data: 24/10/2015
10:24:37

Não há discurso que justifique o envio à Assembleia Legislativa, pelo governo do Estado, de um projeto de lei que, entre outras mudanças no sistema de contratação pelo Regime Especial de Direito Administrativo, o Reda, aumenta de dois para três anos o prazo de contrato, prorrogável por outros três.

Um governo que se diz em esforço permanente para alcançar o equilíbrio fiscal, que impõe reajuste salarial inferior à inflação e que, vez por outra, dá de cara com magotes de funcionários fantasmas, que ninguém sabe onde trabalha, decididamente não pode criar condições para mais dispêndio – supostamente inútil.

Dizer que exceções assim serão abertas, por exemplo, para garantir o funcionamento regular dos serviços de saúde, é tripla gozação, porque as contratações pelo Reda jamais obedecem aos critérios da lei, a rede de saúde vai continuar a mesma deficiente de sempre e todo mundo sabe que os cargos terão preenchimento político.

Sem levar em conta que já passa batido o fato de ser inconstitucional, por afrontar o artigo 37 da Constituição federal, o Reda, como diz o próprio nome, é um regime especial para admissão temporária de pessoas, supondo o atendimento a situações de emergência. Não se concebem no serviço público atividades tão complexas que não permitam, em seis anos, a realização de concursos para provimento de vagas.



Deputado aponta gasto elevado com pessoal

Data: 24/10/2015
10:21:46

Sempre uma pedra no sapato do governo do Estado – basta lembrar a greve de quatro meses dos professores em 2012 –, o coordenador-geral da APLB-Sindicato, Rui Oliveira, critica o Reda, que “não passa de terceirização e reduz em dois terços os salários”.

Ainda esperando o concurso para docentes prometido pelo governo, com mais de sete mil vagas, Oliveira defende as contratação pelo Reda apenas em casos eventuais, como licenças de servidores. Ele vai acompanhar a tramitação do projeto e disse que a entidade, a depender do conteúdo, poderá recorrer à Justiça.

Mais cáustico, o deputado Pablo Barrozo (DEM) afirmou da tribuna da Assembleia que “o governador Rui do PT tinha 10 mil contratos Reda e agora tem 18 mil”. Segundo ele, o Estado elevou os gastos com pessoal de R$ 8,7 bilhões em 2014 para R$ 10,7 bilhões, um acréscimo de 22%.



Solidariedade criminosa

Data: 24/10/2015
10:20:09

Não há diferença essencial entre a ação de policiais militares que acuam um delegado pela prisão de um colega e a manobra de motoristas de ônibus que travam a cidade em protesto contra uma norma de trabalho – ou ainda taxistas que cercam um indefeso proprietário de carro particular quando se envolve num acidente com um táxi

Todos praticam constrangimento e ameaça movidos unicamente pelo sentimento corporativista, contra a lei e os princípios da cidadania e do respeito humano. A falta de certo nível de capacidade de convivência ou a dependência da ação coletiva para afirmar-se resultam, em geral, na violação do direito de pessoas que nem se conhece.



Dilma sobe ao palco para contra-atacar

Data: 21/10/2015
20:22:07

A ópera-bufa da política brasileira adquire contornos de tragicomédia. O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo, não consegue abrir o processo contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha, porque ainda não transcorreu o número de sessões plenárias exigido regimentalmente.

A convocação dessas sessões, por outro lado, é prerrogativa de Cunha, que, certamente, não quer ser julgado por quebra de decoro, o que leva o baiano guardião da ética a achar que talvez no próximo mês os trabalhos sejam iniciados.

Como já disse que não deixará voluntariamente a presidência da Câmara, apesar dos apelos da oposição e outros, com arrazoados, de tão pesados, levados em carrinhos, Cunha mantém também a prerrogativa de não permitir a instalação do processo de impeachment contra a presidente Dilma.

Assim, esta se dá ao luxo de espicaçar, lá da Escandinávia, o inimigo declarado, por saber que a ele interessa o equilíbrio desse roteiro burlesco a desfilar há quase um ano na televisão.

A plateia, sentindo-se, com toda razão, roubada, pela comparação do custo com a qualidade do espetáculo, permanece em estéril indignação, sem força para mudar o elenco de cabo a rabo.



Prazos e mumunhas entravam a história

Data: 21/10/2015
20:20:20

Eduardo Cunha nada pode fazer. Está no impasse mais angustiante da vida, pois quer cassar Dilma, mas não pode nas condições em que se encontra, e quanto mais tem de esperar, amplia-se igualmente o risco de ser ele próprio a perder o mandato.

“Nada mudou” sobre o processo de impeachment, disse, atestando que tudo agora é o famoso compasso de espera. Ficam, portanto, ele e a presidente Dilma nessa troca de desaforos inócuos, como na briga de garotos em que nenhuma das partes quer, de verdade, brigar.

Para esse engrossar de pescoço da presidente muito contribuiu o presidente do Senado, Renan Calheiros – outro encalacrado para quem a pasmaceira é melhor que o rebuliço –, ao conceder-lhe 45 dias para “o contraditório” ao relatório do TCU sobre as pedaladas fiscais.

Assim, os prazos e outras tecnicalidades do ritual legislativo assumem papel preponderante na conjuntura histórica, na esperança dos canastrões de estender o quadro de inércia e impunidade até 2018, não se sabe como.



O monstro em gestação

Data: 21/10/2015
20:18:24

Enquanto isso, a inflação, que, de longe, é o maior problema econômico a ameaçar o povo brasileiro, continua encorpando, com o IPCA-15, que representa uma prévia do mês, chegando a 0,66%.

Parece pouco, mas mostra em todas as comparações uma tendência de alta desse índice que diz respeito diretamente aos preços ao consumidor. Foi maior que a taxa do mês passado e a de outubro de 2014, além da maior elevação, no mês, desde 2002.

O acumulado dos 12 meses anteriores era, em janeiro do ano passado, de 5,59%. Nesses últimos 20 meses, cresceu regularmente até atingir 9,49% em setembro. Mas a tendência de alta não parece preocupar as lideranças do país, que seguem perigosamente estagnadas.



Lúcio e Picciani de novo na mesma raia

Data: 21/10/2015
20:15:19

Na perspectiva de o deputado Eduardo Cunha deixar a presidência da Câmara, três parlamentares são falados no PMDB para substituí-lo: o líder Leonardo Picciani (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE) e Lúcio Vieira Lima (BA).

Jarbas, remanescente da bancada dos “autênticos” do velho MDB, ao lado de nomes como Chico Pinto e Alencar Furtado, parece improvável, porque não tem o apoio da cúpula do partido, sendo hoje uma espécie de dissidente.

Picciani e Lúcio enfrentaram-se, ainda este ano, pela liderança, tendo o primeiro vencido por 34 votos a 33, num equilíbrio surpreendente, considerada a força da seção fluminense do partido.



Caixa joga com seus apostadores

Data: 20/10/2015
10:05:52

Especialista em loterias dos melhores do Brasil, mas que pede reserva de sua identidade, relata a Por Escrito um fato ocorrido no concurso 674 da Loteca, do dia 13 último, em que a Caixa Econômica Federal incidiu em erro de direito, podendo ter prejudicado um número incerto de apostadores.

O jogo 12 do teste, conforme relação disponibilizada pela Caixa na internet e também nos revendedores, seria Nigéria x Somália, supostamente pelas eliminatórias africanas da Copa do Mundo. Entretanto, a partida verdadeiramente realizada foi entre Níger – outro país africano – e Somália.

A questão é que a Caixa, além de desinformar os apostadores por incompetência na seleção dos jogos, fê-lo também, dissimuladamente, em comunicado oficial na página da instituição na internet, abaixo reproduzido:

“A Caixa informa que em função da não ocorrência do jogo 12 (Nigéria x Somália) programado para o concurso 674 da Loteca, o resultado, para efeito de apuração dos ganhadores do referido concurso, foi obtido por meio de sorteio, realizado no dia 13/10/2015, em Brasília/DF”.

Nesse curto texto está o espírito capcioso: ninguém pode negar a “não ocorrência” do jogo, mas a Caixa passa aos leitores a falsa ideia de que o jogo Nigéria x Somália estava programado, quando isso não é verdade – e a Caixa sabia.

“A Nigéria”, esclarece a fonte deste blog, que também é um estudioso das principais competições internacionais de futebol, “estreará nas eliminatórias somente na segunda fase, beneficiada por sua posição no ranking da Fifa”.



Resultado pode ser contestado na Justiça

Data: 20/10/2015
10:03:38

Ele próprio um apostador, o especialista em questão jogou R$ 32 no teste 674, fazendo cinco duplos no volante de 14 jogos.

Apurados os resultados, fez 12 pontos, o que não lhe conferiu ganho algum, porque a Loteca premia apenas os acertadores de 13 e 14 jogos.

No citado concurso, houve 351 ganhadores com 13 pontos, cada um levando R$ 293,26, e seis com 14 pontos – prêmio individual de R$ 56.043,80.

O apostador errou em Israel x Chipre, jogo 9, vencido por este último, no que considerou uma “meia zebra”, e justamente no “Nigéria x Somália”, porque deu Somália no sorteio, uma zebra.

Cioso de sua pesquisa na área, reconhece o erro no jogo 9, “pois o futebol do Chipre tem evoluído”, e admite que nem estudou “seriamente” o jogo 12, devido à “ampla superioridade da Nigéria, se fosse ela”.

Sem interesse em recorrer à Justiça, já que o prêmio para 13 pontos é insignificante, o apostador não descarta, no entanto, que outros prejudicados possam fazê-lo: “Quem fez 13 pontos e perdeu no jogo 12 pode ir buscar esses R$ 56 mil”.



Escala invertida

Data: 20/10/2015
10:01:19

A respeito da nota “A oitava”, sobre a vice-prefeita Célia Sacramento, publicada domingo, leitor deste blog, em contato fortuito com o editor, opinou: “Na musicalidade política, ela é uma oitava abaixo”.



Pensamento do dia

Data: 20/10/2015
10:00:25

E nada mais digo nem me seja perguntado.



Não era bem assim

Data: 20/10/2015
09:59:36

O Banco Central acaba de reavaliar suas estimativas. Antes entendia que a inflação “convergiria para o centro da meta” (4,5%) no final de 2016, ou seja, daqui a até um ano de dois meses.

A previsão agora indica que essa máxima glória da economia será atingida “em 2017”, o que deixa dúvida quanto ao mês, porque certamente janeiro não seria.

Impressiona é que diretores e técnicos dos mais altos galardões, regiamente pagos, vivam, embora em geral não sejam capazes de enxergar um palmo adiante do nariz, fazendo cálculos precisos tão antecipados num campo sujeito a incontáveis variáveis.



Estamos às 8h40

Data: 18/10/2015
09:40:07

Pelo menos por enquanto, os leitores de Por Escrito devem abater uma hora no relógio das postagens. É que o servidor em que o blog está hospedado ainda não se deu conta de que a Bahia está fora do horário de verão.



Bandalheira geral já é de domínio público

Data: 18/10/2015
09:34:56

As televisões mostraram ontem “manifestações em todo o Brasil” com a presença de 15 a 20 pessoas, em algumas capitais, protestando contra a corrupção e em apoio à Operação Lava-Jato e ao juiz Sérgio Moro.

Foi uma tentativa frustrada de atacar a presidente Dilma Rousseff, superdimensionada pela adesão dos meios de comunicação, que, no entanto, fazem ouvidos moucos e vista grossa para outros atos mais concorridos.

Não se pode negar que o governo federal e as forças que o sustentam estão afundados num mar de lama que pode, com justiça, levar à destituição da presidente, mas é impossível não enxergar o esforço da mídia por influenciar politicamente esse processo.

Acontece que a insatisfação popular se recolhe claramente à medida que os fatos, que a imprensa não pode ignorar, de tão volumosos, desmascaram os adversários de Dilma e do PT, pela simples constatação de que estamos diante de “farinha do mesmo saco”.

Os movimentos artificiais pelas redes sociais, cujos mentores são entrevistados pelos grandes jornais e de casa convocam o povo para a rua, não encontram mais eco. Ninguém quer mais se bater com faixas dizendo que “somos todos milhões de Cunhas”.



BLAGUE NO BLOG - Bastou

Data: 18/10/2015
09:32:41

Temos visto na seção de cartas de A Tarde o espaço, que já é pequeno para as legítimas queixas e denúncias de leitores, sendo tomado por mensagens de parabéns ao jornal por mais um aniversário, prática tão provinciana quanto cabotina.

É a oportunidade que políticos, empresários, artistas e mesmo pessoas comuns encontram para “aparecer”, com uma postura bajuladora que não tem por que existir, assim como os jornais que se pretendem sérios não publicam nem elogios nem agradecimentos.

A situação lembra o tempo em que Jorge Calmon dirigia a Redação, quando era comum a divulgação, por semanas a fio, na parte editorial, da relação de parabenizantes.

Num desses anos, cansado do espaço roubado diariamente nas páginas 2 ou 3, o velho jornalista botou a lista do dia sob o título “Últimas manifestações pelo aniversário de A Tarde”.



Papo furado favorece imperialismo dos EUA

Data: 18/10/2015
09:31:16

Somente o fato de ser o primeiro regime comunista dinástico do planeta – uma contradição em si – seria suficiente para a desconfiança de que a Coreia do Norte apenas bravateia quando se diz “pronta” para enfrentar uma guerra contra os Estados Unidos.

Não é preciso, também, ser um analista qualificado para entender que, dadas as diferenças de potência e de território, os Estados Unidos teriam, num confronto real, condições de fazer a Coreia do Norte desaparecer do mapa.

Mas os norte-americanos gostam e necessitam de exagerar, pois as supostas ameaças servem ao seu propósito de manter um tacão sobre o mundo e, eventualmente, agir de acordo com suas conveniências.

Os pequenos, por sua vez, lastreados nas circunstâncias geopolíticas que lhes garantem certa imunidade, curtem bastante o exercício da retórica, de olho mais no controle social interno do que propriamente numa iminência bélica.

A única vez em que essa antiga prática ultrapassou o plano dos discursos gerou uma conjuntura que afetou gravemente o já frágil equilíbrio mundial: a invasão do Iraque, em busca das “armas de destruição em massa” que Saddam Hussein teria para deflagrar “a mãe de todas as batalhas”.



Sete e sete são quatorze...

Data: 18/10/2015
09:29:02

Se o PT tem sete candidatos a prefeito de Salvador, tendo feito questão de nominá-los oficialmente, o prefeito ACM Neto, em tese candidato à reeleição, tem sete candidatos a vice-prefeito.

Será um vice – pensam todos os interessados – com destino certo: o exercício do prestigioso cargo durante dois anos, “quando Neto sair para disputar o governo”.



...com mais sete, vinte e dois

Data: 18/10/2015
09:27:43

No ano da graça de 2015, esses esperançosos não contam com uma hipótese plenamente factível: o prefeito resolver não encarar o governador Rui Costa em 2018 e carregar as baterias para o pleito de 2022.



Vão contando

Data: 18/10/2015
09:26:10

Estariam dispostos ao “desafio” de administrar Salvador a partir de 2019 Lúcio Vieira Lima, Fábio Mota, Bruno Reis, Sílvio Pinheiro, Guilherme Bellintani, Luiz Carreira e Paulo Câmara.



A oitava

Data: 18/10/2015
09:25:20

Ah, sim, tem ainda a atual detentora da vice-prefeitura, Célia Sacramento. Mas essa parece ser carta fora do baralho.



Hoje ainda pagamos o preço da ditadura

Data: 17/10/2015
09:55:31

O regime militar, cuja volta alguns sonham irresponsável, inocente ou malandramente, causou muitos males ao Brasil, mas o mais nocivo, sem dúvida, foi a castração do debate político, que legou ao país a carência de lideranças capazes de formulá-lo e conduzi-lo.

Isso foi constatado no período da redemocratização, quando, a bordo de uma longa transição caracterizada por um intragável sistema híbrido, as novas ideias e propostas foram misturadas aos vícios e problemas herdados da ditadura.

Mesmo quando não vivíamos em crise múltipla e permanente, como agora, o quadro não era muito diferente: não há governo ou partido com um programa denso e concreto para o país e dirigentes preparados para discuti-lo, se for o caso, corrigi-lo, e executá-lo.

Tudo gira em torno do interesse pessoal e eleitoral, pouco se dando à elite política que o país fique estagnado ou afunde, ou ainda que a nação adoeça na pobreza, na criminalidade e na falta de perspectiva.

O cenário atual é o ápice de um gigantesco projeto de desgraça coletiva que começou a ser elaborado 50 anos atrás. Uma realidade em que o cidadão não tem um lado seguro para correr.



Segurança pública, eleição privada

Data: 17/10/2015
09:53:41

Onde haja qualquer nesga de poder, haverá quem lute de todas as formas para exercê-lo, independentemente do objetivo a que ele – o poder – vá se prestar.

Como no caso do conselho de segurança pública do Imbuí, que teve suas eleições contestadas na Justiça pelo vereador Euvaldo Jorge (PP), gerando recomendação do Ministério Público para que se faça novo pleito.

Os principais problemas apontados são a falta de divulgação do pleito e sua convocação sem cumprimento de prazos legais. Enquanto isso, o bairro avança no fundamento índice de criminalidade.



Prefeito resiste a criticar blitzes

Data: 17/10/2015
09:52:38

A propósito, ontem, um dia útil, com as pessoas precisando sair de casa para trabalhar e estudar, a Polícia Militar paralisou o Imbuí com uma blitz em curso desde as 7 da manhã.

Nessa hora não aparecem os helicópteros da emissoras de TV para mostrar o transtorno causado a milhares de moradores e passantes. O vereador Euvaldo deveria pedir à PM que evite as barreiras congestionantes na Rua das Araras.

O dia, aliás, foi de blitzes em toda a cidade, atrapalhando em diversas partes o fim de tarde da sexta-feira.

Será assim até que o governador Rui Costa descubra o prejuízo que o governo está tendo com essa prática irracional.

Nos bastidores, sabe-se que o prefeito ACM Neto, que já anda às voltas com a “mobilidade urbana”, está resistindo para não abrir mais uma frente de conflito com o governador.



Quando falta a seriedade

Data: 17/10/2015
09:51:16

A pedido da comunidade LGBT, que fará sábado e domingo da próxima semana um evento no Jardim dos Namorados, a Transalvador autorizou a pintura de uma faixa de pedestres com as cores do arco-íris, que simbolizam o movimento gay.

Inopinadamente, A Tarde, jornal que declara em seu slogan ser fiador da verdade, anuncia que  “Salvador terá faixas de pedestres coloridas em prol das causas LGBT”, quando será um único caso, com monitoramento direto do órgão de trânsito.

Então, como temos poucos assuntos sérios a tratar, o sensacionalismo logo gerou o aproveitamento político pelo deputado Sargento Isidório, anti-gay, e pela deputada Luiza Maia, pró-gay.



Itamar conta história da Sociedade de Feira

Data: 17/10/2015
09:49:58

“Apaixonado pelo rádio desde criança”, como disse no ato festivo, o jornalista Itamar Ribeiro lançou quinta-feira o livro “Rádio AM Sociedade de Feira”, retratando a longa história da emissora, na qual atua há 15 anos.

No evento, realizado no Museu de Arte Contemporânea da Princesa do Sertão, Itamar, que faz para a Sociedade premiada cobertura da Assembleia Legislativa, lembrou que a emissora, de 67 anos, é a primeira AM do interior da Bahia e a segunda do Estado.



Futuro de Nilo depende da Justiça

Data: 17/10/2015
09:48:44

Chega à reta final a relação do deputado Marcelo Nilo com o PDT, ou, talvez, não – caso o Tribunal Regional Eleitoral entenda que ele não tem motivo justo para desfiliar-se. Nesse caso, para não correr o risco de perder o mandato, terá de enquadrar-se nas normas pedetistas ou entrar em algum novo partido que surja.

Quando deixou o PSDB, partido em que militava desde o início da carreira, Marcelo Nilo estava indo em direção à “esquerda”, afinal, tratava-se de legenda histórica por herança, originária do PTB getulista e que ainda trazia a marca da proposta do falecido líder Leonel Brizola.

O PSDB só se dizia de “esquerda” na Bahia porque, ao contrário do que ocorria nas seções do resto do Brasil, era adversário inconciliável do então senador Antonio Carlos Magalhães. Ao se impor a questão nacional para as eleições de 2010, Nilo teve de deixar os tucanos.

Pensou que, no PDT, estaria guarnecido por ser uma sigla francamente governista, nos planos estadual e federal. Esta surpresa – o controle do partido pelo deputado Félix Mendonça Júnior e sua vinculação ao carlismo – realmente o estarreceu, a ponto da não saber como lidar com ela.



Programa é trunfo eleitoral

Data: 17/10/2015
09:46:53

Se pretende mesmo ganhar a eleição de 2016 em Salvador, é melhor o pessoal do governo do Estado preocupar-se com o programa “Morar Melhor”, lançado pela Prefeitura, que investirá R$ 5 mil por unidade para melhorar residências pobres da periferia.

Um dinheiro desses dá para muita coisa, ainda mais levando em conta a economia de escala. Reboco, telhas, instalações sanitárias – por menos que se faça haverá um grande impacto na qualidade de vida desses moradores.

Curioso é que, como prevendo a reeleição, o prefeito ACM Neto fez o programa para cinco anos, à razão de 20 mil habitações por ano, ao custo de R$ 100 milhões, já a partir do próximo. Isso traduzido em votos pode desequilibrar a balança.



Perdas para o servidor com mudanças no Planserv

Data: 15/10/2015
09:36:09

Traduzidos os principais números do projeto de lei do governo do Estado para mudanças no Planserv, estranha-se que seja o Partido dos Trabalhadores, após quase 11 anos no poder, a fazê-lo.

A redução da idade-limite de 35 para 24 anos dos dependentes significará a exclusão de 60 mil pessoas da assistência à saúde. E mais gente deixará de aderir ao plano se o prazo para a opção do servidor for fixado em cinco anos.

O governo, por outro lado, diz que as medidas são necessárias para assegurar a estabilidade financeira do Planserv e diminui sua contribuição de 5% para 4% da folha dos segurados, ou seja, impõe uma perda de R$ 80 milhões.



Oposição promete nova obstrução terça

Data: 15/10/2015
09:35:08

A oposição, após a aprovação do parecer, ontem, em reunião das comissões, encaminhou contraproposta que os governistas ficaram de estudar.

No caso dos cinco anos para associação ao plano, a ideia é que, após esse prazo, haja algum tipo de oneração para o servidor, mas lhe seja garantido o direito de filiar-se.

Quanto à redução da faixa etária para dependentes, o objetivo da minoria é manter o limite em 35 anos e, a partir dessa idade, o dependente pagar integralmente, evitando a exclusão.

“O objetivo do Planserv é o funcionário e sua família, não podemos aceitar que isso não seja levado em conta”, argumentou o líder da oposição, Sandro Régis.

Se as propostas forem recusadas, a bancada da minoria fará obstrução, como na semana passada, e votará contra na próxima terça-feira, quando o governo espera aprovar a matéria no plenário.



Radicalizando

Data: 15/10/2015
09:33:42

Coluna política da Tribuna da Bahia dá guinada à esquerda: sai Merval Pereira (de férias), entra Heraldo Rocha.



Pulverizações distintas

Data: 15/10/2015
09:32:54

Poderá dar certo em Feira de Santana, onde o prefeito José Ronaldo não repete a performance de administrações anteriores, a estratégia do governo do Estado de lançar muitos candidatos a prefeito como forma de provocar um segundo turno.

Em Salvador, principal vitrine política baiana, há controvérsias, apesar de existirem nomes respeitáveis ou que podem conseguir muitos votos, como a senadora Lídice da Mata, a deputada Alice Portugal e o deputado Sargento Isidório.

O prefeito ACM Neto não está fazendo a gestão dos sonhos, e isso é visível na cidade. Mas cumpre bem certos fundamentos, deu um cala-boca na parte mais urbanizada e desenvolve forte incisão na periferia.



A aposta continua

Data: 15/10/2015
09:31:30

Vê lá se Wagner vai sair por Andaraí pedindo voto para D. Fátima. Sem intenção de rima, o Galego quer paz e sossego.



Em pleito, governo ou cassação, o negócio é pedalar

Data: 15/10/2015
09:29:04

“Pedalada eleitoral” hoje do conhecimento de todos, que viram a súbita reversão nas contas de luz que chegam em casa mensalmente, a redução da tarifa de energia elétrica, três anos atrás, causou um prejuízo ao setor de R$ 44 bilhões, conforme conclusão de auditoria do TCU.

O país já se valia das custosas termelétricas para sustentar a demanda prejudicada pela queda do nível das barragens de hidrelétricas, mas, ainda assim, com a tarifa menor, estimulou o aumento do consumo. O resultado foi desajuste fiscal e, segundo o TCU, mais um fator de “desequilíbrio das contas públicas”.

Não se sabe se o fato tipifica algum crime pelo qual a presidente Dilma Rousseff venha a ser processada para perda do mandato, mas, sem dúvida, foi uma medida irresponsável que afetou a competição eleitoral e pode ser tratada politicamente, embora tudo indique que vá passar batida.

A presidente está tão segura no presente momento, na sua zona de conforto espinhosa, que até se dá ao luxo de confessar crime de responsabilidade e alegar que o fez pensando no bem-estar do povo.

O governo, segundo Dilma, recorreu ao dinheiro que não lhe pertencia “para garantir que famílias tivessem acesso à casa própria”, no caso do programa habitacional, mas também para o Bolsa Família, e não teve recato para acusar de “pedaladas políticas” os adversários que querem sua cabeça.

Não foi ideia própria, mas imitação do mentor, o ex-presidente Lula, que na véspera, tendo como plateia pequenos agricultores, explicou com simplicidade que a presidente usou indevidamente recursos de bancos públicos “porque tinha de pagar coisas que não tinha dinheiro”.



Emenda pode salvar obras na Ufba

Data: 15/10/2015
09:26:05

A conclusão das obras de ampliação da Universidade Federal da Bahia é considerada “uma prioridade” pelo deputado Jorge Solla (PT), que vê risco de “degradação total de um patrimônio” nos novos prédios dos institutos de Química, de Humanidades, da Politécnica, Dança e Música.

Na reunião dos deputados federais baianos, ontem, o parlamentar propôs a inclusão de R$ 40 milhões no orçamento, como emenda da bancada. Atrasar mais essas obras, para Sollla, “será jogar dinheiro público no lixo, e como o caixa da Ufba não comporta os custos, a emenda será fundamental”.



Em defesa da mentira

Data: 15/10/2015
09:25:11

O deputado João Gualberto (PSDB), embora no primeiro mandato, já ascendeu à condição de prestador de serviço do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao defendê-lo ardentemente na CPI da Petrobras.

Entretanto, errou ao tachar o PSOL, em palavras dirigidas ao deputado Ivan Valente, de “auxiliar” do PT. O PSOL nasceu de uma dissidência do PT, do qual vem sendo crítico duro nestes anos.

Eventualmente as teses dos dois partidos se encontram, como agora, no objetivo de tirar Cunha da presidência por ter mentido à CPI, o que constitui quebra do decoro, ao dizer que não tem contas secretas na Suíça.



Cadeira cativa

Data: 15/10/2015
09:24:14

Restaurando a verdade: linha auxiliar do PT é e sempre será o PCdoB.



Cancioneiro marcial

Data: 15/10/2015
09:23:30

Tropa do Exército alegra nossa manhã com música: “Eu vi um traficante/ lá no Morro do Alemão/ fazendo uma oração:/ ‘Meu Deus, me ajude/ porque a PE é mau’”.



E nós, aonde vamos?

Data: 13/10/2015
12:28:40

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, postergará até quando for possível a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e nesse espírito se encaixa a decisão de esperar a confirmação de “pedaladas” que a presidente teria cometido também em 2015.

Dilma e Cunha sabem que, agora, são interdependentes. A presidente não terá aberto o processo contra si enquanto o deputado estiver no cargo, e ele não se atreverá a fazê-lo nas tristes condições morais em que se encontra. São dois desgraçados que se odeiam, mas que podem se ajudar reciprocamente a sobreviver.

De início, Cunha, depois de queimar as caravelas, incinerou etapas para julgar as contas de Dilma.  No interregno, vieram as delações premiadas e apareceram as contas na Suíça que, antes, não existiam. Ele alertou, então, que problemas do primeiro mandato não podem determinar a cassação do segundo.

A nação se encontra diante de um impasse de desdobramentos absolutamente imprevisíveis. Cunha cairá? Se cair, seu sucessor será talhado para preservar ou derrubar Dilma? E Dilma, que preço mais poderá pagar para levar um conturbado governo até o fim?

Não é do melhor jornalismo encher de dúvidas o leitor, mas os jornalistas também são leitores e só encontram incerteza e indefinição nos mais destacados textos nacionais. Um quadro que faz lembrar o título de antiga novela de Glória Magadan.




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