Salvador, 21 de outubro de 2017

O Brasil, enfim, deve algo a Calheiros

Data: 30/09/2015
21:30:13

Se algum resto de máscara ainda havia para cair, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, terminou de retirá-lo hoje, com sua manobra, felizmente infrutífera, de fazer vigorar no Brasil o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas.

Ao tentar forçar a apreciação do veto da presidente Dilma ao projeto do financiamento, Cunha não apenas chantageou o Congresso Nacional, mas revelou descaso com o STF, que o declarou inconstitucional, e comprovou que o que lhe interessa mesmo – e a seus amigos – é dinheiro.

Sucessivas vezes Cunha vem demonstrando espírito antidemocrático e determinação de moldar as leis e as práticas políticas ao feitio de seu caráter. O que surpreende é que até agora, com todas a acusações que pesam contra si, ainda não foi possível afastá-lo do cargo que desonra.

A lamentar neste episódio de hoje, em que, para fazer pressão, marcou intempestivamente uma sessão da Câmara para o mesmo horário da do Congresso em que seriam apreciados os vetos da pauta-bomba, somente o fato de que a nação fica devendo esta ao senador Renan Calheiros, que também não é grande coisa.

Os seis vetos que tinham votação prevista para hoje, incluindo o do exorbitante aumento do Judiciário, por causa do boicote de Cunha, ficaram para depois, o que estende a “preocupação” da equipe econômica com a possibilidade de que sejam derrubados e “prejudiquem” o “ajuste fiscal”.

Em contrapartida, além de denunciar publicamente os “caprichos” do presidente da Câmara, o senador Calheiros assegurou que a PEC que tramita no Senado instituindo o financiamento privado não será votada até sexta-feira. Ou seja, para a campanha de 2016 não vai dar mais para angariar “doações”.



Efeito Eveready

Data: 30/09/2015
21:27:08

Sempre tendendo ao sensacionalismo, a imprensa nacional alardeia como se grande notícia fosse: “Cunha recusa mais três pedidos de impeachment”.

Ora, o que mais tem na sua gaveta é pedido de impeachment. O gato, no caso, Cunha, sabe que tem sete vidas. Ou mais.

Os arquivamentos havidos até agora não passam de exibição inconvincente de pudor. Por trás, está a garantia dos recursos “doados” por empreiteiras, mas cuja origem todo mundo, no presente momento, conhece.



Entregue às feras

Data: 30/09/2015
21:25:43

Somos contra o impeachment sem motivo constitucional concreto, mas, por razões humanitárias, seria positivo tirar esse peso das costas de Dilma.



Aqui mando eu

Data: 30/09/2015
21:24:47

Claro que o ingrediente político pesou muito na iminente decisão da Caixa de interromper o repasse de recursos para o BRT de Feira de Santana, mas a medida seria improvável se a obra estivesse de acordo com o que foi aprovado no Ministério das Cidades.

Ao modificá-la a seu bel-prazer, permitindo a investida dos adversários, a administração municipal reforça o estereótipo de arrogância e irresponsabilidade que se faz de prefeito do interior, que mal assume o poder, sem medo de nada e de ninguém, “bota” a mais vistosa caminhonete e dana-se a emitir notas frias a torto e a direito.

O prefeito José Ronaldo de Carvalho não poderia cometer esta atitude de interferir no projeto original, quando nada, porque Feira de Santana não é nenhum ajuntamento de casebres perdidos na poeira, e sim o sexto município em população e 25º em riqueza de todo o interior do Brasil.



Blitzes: é preciso mais que números

Data: 30/09/2015
21:23:01

Como se dizia antigamente, o governador Rui Costa tomou assinatura com essa história de blitzes. Foi pessoalmente ao quartel dos Aflitos dar entrevistas e ouvir o relatório de dados não comprovados.

Claro que quem anda nas ruas já reparou que parou a fiscalização febricitante que a todos incomodava e prejudicava, mas o governo quer continuar a fazer seu marketing e apela para o espetáculo.

Que nos perdoem as autoridades, mas insistimos: os bons resultados dessas operações, que mexem profundamente com a vida da cidade,  têm de ser demonstrados inquestionavelmente.

Para nos atermos a dois itens mais relevantes da “coletiva” de hoje, não basta citar números. É preciso publicar a lista dos 256 veículos recuperados e os nomes dos 473 presos em flagrante. Com internet, isso nem é custoso.



Extintores: um exemplo do capitalismo sem risco

Data: 29/09/2015
11:15:34

A imprensa mostrou recentemente, em pontos diversos do país, inclusive na Bahia, empresários “chorando” por terem, praticamente, perdido grandes lotes de extintores de incêndio com a decisão do Contran, há cerca de 15 dias, pela sua dispensabilidade nos automóveis.

A questão começara em janeiro, com a mudança para o extintor tipo ABC, que, naturalmente, além de experimentar aumento de preço que chegou a 300%, pela súbita procura desapareceu das lojas e postos, levando o Contran a prorrogar três vezes o início da obrigatoriedade, até a suspensão definitiva.

Sem desprezar o fato absurdo de que o fim da exigência veio apenas nove meses depois de o mesmo órgão ter determinado o uso de modelo mais complexo do equipamento, o episódio diz muito sobre o caráter do capitalismo brasileiro, que não admite o princípio basilar do risco.

O objetivo não é exercer uma atividade dentro de padrões éticos, mas explorar impiedosamente o consumidor, como, aliás, ocorre em vários outros setores, inclusive com o beneplácito do Estado, que protege mercados, desonera produtos, doa terrenos e concede polpudos incentivos com o dinheiro do contribuinte.

Esfregando as mãos com a edição da nova norma, muitos comerciantes investiram alto na aquisição de extintores, pensando em revendê-los a preços extorsivos, e agora têm de buscar outra forma de compensar o prejuízo. É do ramo. Não há o que reclamar.



PL segue os passos do Rede

Data: 29/09/2015
11:13:24

Com o parecer contrário do Ministério Público Eleitoral, a criação do PL em muito se assemelha ao doloroso processo de fundação do Rede Sustentabilidade, o partido de Marina Silva, que somente últimos dias conseguir obter seu registro.

Estranha-se que o PL, na avaliação do MPE, não tenha levantado o número necessário de assinaturas de eleitores, já que seu mentor, o ministro Gilberto Kassab, não teve dificuldade para conseguir os apoios quando lançou o PSD.

A situação é particularmente importante para a Bahia, pois é a sigla que o deputado Marcelo Nilo aguarda para fincar as bases de seu futuro político, que, assim, permanece incerto.



Só vendo para crer

Data: 29/09/2015
11:12:19

A propósito, fala-se que uma das alternativas de Nilo seria ficar no PDT, o que, em razão do grau a que chegou sua divergência com o presidente regional, deputado Félix Mendonça Júnior, descambando para o lado pessoal, demonstraria que, em política, tudo é mesmo possível.



PSD encara PMDB pelo poder

Data: 29/09/2015
11:07:39

A postergação do PL tem grande impacto na tentativa desesperada do governo federal de equilibrar-se – não só para diminuir a dependência do PMDB na Câmara dos Deputados como, principalmente, para afastar o fantasma do impeachment.

Com duas etapas de liberdade de trânsito partidário, representadas pelo surgimento da nova sigla e, depois, por sua incorporação ao PSD, Kassab faria uma bancada maior que a do próprio PMDB, já que dele também tiraria alguns parlamentares.

Os dois partidos se engalfinham nas altas esferas do poder. O PMDB se divide entre derrubar a presidente Dilma ou tutelá-la. O PSD quer, como se diz em política, criar musculatura para, pelo menos, dividir o controle com o concorrente.



Pensamento no dia

Data: 29/09/2015
11:06:20

Na internet, tudo é verdade.



Reforma ministerial

Data: 29/09/2015
11:05:44

Com o PMDB, a saúde vai bombar. É o que esperam os que penam nas portas e corredores de hospitais – ou nem chegam lá.



Nilo cumpre último mandato de presidente

Data: 27/09/2015
09:07:04

Os fatos pregressos até que não avalizariam a declaração do deputado Marcelo Nilo de que “dificilmente” será candidato à presidência da Assembleia Legislativa, pois nos casos anteriores, desde 2009, a conversa foi a mesma.

Desta vez, entretanto, o presidente parece sincero, por ter sentido que extrapolou todos os limites do razoável ao exercer o cargo pelo quinto mandato consecutivo. Embora mantendo forte liderança entre os parlamentares, a estratégia o aconselha a afastar-se.

Nilo imaginou que a presidência seria passaporte para figurar numa chapa majoritária do governismo na Bahia, o que não ocorreu. Fixa-se, agora, na posse de um partido político, que julga outra condição para alcançar o objetivo.

Com o PL ainda em processo de criação, Nilo está tendo dificuldades que são públicas, e poderia tê-las mesmo depois, com a incorporação ao PSD, apesar do espaço e tranquilidade com que lhe acena o senador Otto Alencar.

Quanto à presidência, é consensual que uma nova reeleição, mesmo tecnicamente segura, representaria grande desgaste para a Casa e para o deputado, prejudicando sua pretensão de candidatar-se ao Senado em 2018.

O projeto mais simples e viável é concentrar-se na opção partidária que fará, consolidar na Assembleia uma bancada numerosa, como se desenha, e indicar ao plenário um sucessor para o biênio 2017-19.



Menezes faz aquecimento para disputar a sucessão

Data: 27/09/2015
09:04:50

Na verdade, esse nome já existe, e foi apontado em primeira mão em Por Escrito no dia 24 de fevereiro, em matéria intitulada, justamente, “Nilo tem candidato para 2017”.

O fato, conforme o texto, foi comunicado pelo presidente da Assembleia, no final do ano passado, ao então governador Jaques Wagner e ao governador eleito, Rui Costa.

A conversa do trio era em torno de uma emenda constitucional para proibir a reeleição, que acabou não saindo.

Nilo disse a Wagner e Rui que a mudança na lei dependeria da maioria da Casa e que, mesmo ficando fora do processo, apoiaria o deputado Adolfo Menezes.

Menezes se encaixa no perfil ideal: é muito querido pelos colegas, dos quais recebeu votação unânime para vice-presidente, há sete meses, e é um governista que fala com independência, o que o credencia no âmbito da oposição.

Em visível processo de aquecimento para entrar em campo, Menezes esteve à frente da maioria das sessões este ano e até foi indicado por Nilo para presidir uma solenidade que lhe é muito cara: o lançamento de livros editados pela Assembleia.



Campo Formoso pode atrapalhar os planos

Data: 27/09/2015
09:02:26

Sendo amigo íntimo do deputado Marcelo Nilo, curiosamente o deputado Adolfo Menezes não é citado nas listas de parlamentares que o acompanhariam num novo partido.

A explicação está na política de Campo Formoso, onde ele, embora tenha ganhado a Prefeitura por larga margem, não assumiu o cargo, preferindo continuar deputado devido ao risco de uma ação de impugnação de sua eleição.

Comenta-se nos bastidores que Menezes vai disputar novamente no próximo ano e para isso é muito valioso o número 55, do seu partido, o PSD, que já está no sentimento do eleitorado.

É claro que, se Menezes vier a ser prefeito de Campo Formoso, Nilo terá de escolher novo candidato na Assembleia.



Ambiente de Marta não muda muito com o PMDB

Data: 27/09/2015
08:59:38

Há coisas inacreditáveis, como a tentativa da Volkswagen de burlar a legislação ambiental e o discurso da senadora Marta Suplicy no ato de filiação ao PMDB.

O crime da montadora alemã, uma iniciativa evidentemente temerária, prejudica diretamente os interesses da empresa no mundo e joga no lixo uma marca que constitui um importante patrimônio.

A senadora, por sua vez, abandonou muito apropriadamente o PT, mas, optando pelo PMDB, permanece muito próxima dos métodos de fazer política que levaram à grave crise que vivemos.

Poderia, pelos princípios e programas de toda a sua vida, evitar dizer, por exemplo, que quer “um Brasil livre da corrupção, livre das mentiras, livre daqueles que usam a política como meio de obter vantagens pessoais".

E Marta ainda mostrou que é figadal sua questão com a presidente Dilma ao declarar que o vice Michel Temer é, sim, capaz de reunificar o país.



Suicídio coletivo

Data: 27/09/2015
08:57:47

Decididamente, não há, na configuração institucional brasileira, um organismo que mais se ajuste à fábula do escorpião e do sapo que o PT.

Sair com nota defendendo o ex-tesoureiro João Vaccari Neto é seguir no processo de suicídio. É simples loucura ou confissão coletiva de culpa.



Um ano sem as montanhas de Minas

Data: 27/09/2015
08:56:58

Sobre o título “Íntimo”, o jornalista Josias de Souza postou em seu blog nota sobre o excesso de viagens do senador Aécio Neves, abaixo transcrita na íntegra por julgarmos que analisa o assunto de forma definitiva e incontestável.

“Sete anos e três meses fizeram 2.610 dias de governo de Aécio em Minas, entre 2003 e 2010. Seria indelicado, no Rio, vermos Aécio como um visitante. É de casa. Mas estar como governador o pôs na condição temporária de visitante de fim de semana, cujo período típico é de sexta ao final de domingo ou, também comum, até a manhã de segunda. O equivalente a três a quatro dias.

“Especulemos com o período menor, cerca de três dias. Deixados de lado voos em aviões e helicópteros particulares e fretados, nas 124 viagens ao Rio em aviões oficiais – reveladas na Folha por Ranier Bragon e Aguirre Talento – Aécio passaria 372 dias no Rio. Na capital, em Angra, em Búzios, foi sempre foi muito solicitado, para bem mais de três a cada vez. Chamado, porém, de volta à responsabilidade de conduzir Minas e os mineiros.

“Mas 372 dias, não importa se um pouco menos ou um tanto mais, perfazem um ano de governo passado no Rio”.



De Tancredo a Itamar

Data: 27/09/2015
08:51:57

Minas está onde sempre esteve. Aécio, nem tanto.



PSOL quer tirar Nilo da cadeira

Data: 26/09/2015
14:14:11

Absorvido pela dificuldade de definir o destino partidário, para o qual – propala-se – disporia de oito opções, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo, tem agora de preocupar-se com ação de inconstitucionalidade movida pelo PSOL no Supremo Tribunal Federal contra sua capacidade de reeleger-se “ininterruptamente” para o cargo.

Nos autos, conforme noticiário distribuído pelo próprio STF, informa-se que a Constituição baiana não tratava da reeleição de deputado para cargo na Mesa Diretora, o que foi proibido por emenda promulgada em 1994. Em 2000, nova emenda autorizou a recondução para o período subsequente, fixando as condições que, muitos anos depois, resultariam na era de eternização de Nilo.

É que a norma passou a ser interpretada “no sentido de que a eleição para o mesmo cargo em legislaturas diferentes não seria considerada recondução”. O PSOL alega que conhece jurisprudência do STF de liberdade da Assembleia para regular o processo sucessório, mas quer “evitar abusos que levem a uma personificação institucional”.

O partido solicita em caráter liminar que se obedeça à Constituição para que os cargos da Mesa no Legislativo comportem uma só reeleição, com efeito retroativo ao presente biênio, o que retiraria Marcelo Nilo da cadeira.

O relator da matéria, ministro Celso de Mello, vê “requisitos para aplicação do procedimento abreviado para julgar diretamente o mérito da ação, dispensando a análise da liminar”.



Quando a história nem de longe se repete

Data: 26/09/2015
14:11:15

Numa prosaica reunião de condomínio, pergunta-se: “E aí? Estão dizendo que esta crise é igual à de 54 e à de 64...”

Nada mais falso. Em 1954, um governo que, em fase anterior, havia implantado os direitos trabalhistas, avançava na afirmação nacional, com a criação, por exemplo, da Petrobras.

Dez anos depois, sob novo governo, o país caminhava para as reformas agrária, bancária e urbana, com perspectiva de desconcentração da economia e, portanto, criação de bases para o progresso social.

No primeiro caso, suicidou-se Getúlio Vargas. No segundo, João Goulart foi deposto e exilado. As duas coisas até, in extremis, podem acontecer com Dilma Rousseff, que ainda assim não haverá termos de comparação.



O país que jamais dá o passo adiante

Data: 25/09/2015
22:48:08

O ex-presidente Fernando Collor penitencia-se por ter votado em Dilma. “Eu errei na minha avaliação. Ela realmente não estava preparada”.

Até pela sinceridade que parece propor na declaração, Collor comporta uma dúvida cujo esclarecimento poderia contribuir para o aprendizado da juventude e, portanto, para o futuro da nação.

É saber se ele próprio se sentia “preparado” em 1989, quando caiu de paraquedas na primeira eleição presidencial pós-ditadura, desbancando o líder histórico Leonel Brizola e, depois, o emergente Lula.

Um “fenômeno” inacreditavelmente alimentado pelos resquícios do regime à base da ilusão da “modernidade”, sustentado por computação gráfica, que se aproveitou do hiato de dez anos de esterilidade entre a anistia e o pleito.

O Brasil é assim. Nunca está “preparado” para a mudança mais efetiva, desde a Independência, passando pela Abolição, República e eventos menos solenes ao longo do século XX.

Pintam com tintas de heroísmo certas passagens, na verdade mais merecedoras das marcas da covardia e da vergonha. Collor foi uma das caras dessa anomalia histórica congênita.



Em cartaz

Data: 25/09/2015
22:45:52

Verdades Secretas sai do ar, mas as mentiras públicas continuam.



Colaboração desinteressada

Data: 25/09/2015
22:44:56

A polícia não suspeita a motivação de crime ocorrido na madrugada de hoje em São Gonçalo dos Campos, onde um transmissor da Rádio São Gonçalo foi incendiado.

Algumas sugestões: alguém quer calar a emissora; alguém quer intimidar o diretor Ronaldo Pinto Nascimento; alguém quer dar um baita prejuízo aos donos do negócio. Ou coisa pior.



Eufemismo substitui conteúdo na linguagem política

Data: 25/09/2015
22:43:31

Temos já alguns anos ouvindo esta expressão – infraestrutura hídrica – para designar alguns quilômetros de tubos que quebram um galho nessa luta eterna do nordestino contra a seca.

E a velha falta d´água, hoje denominada insegurança hídrica, permanece na linha de frente da “ação política” de arrancar a duras penas uma adutora, uma barragem, um carro-pipa.

Constata-se que temos vivido de muitos símbolos vazios, como “movimentos sociais” e “minorias” que, mesmo sendo governo, não avançam nos seus objetivos, apenas subsistem da reprodução de cargos burocráticos e na concessão de benesses.

Tudo envolto na palavra mágica “projeto”, que é algo que existiria para o Brasil. Não tinha linhas muito claras, era levando pra diante até onde Deus quisesse. Ou seja, da esquerda, será preciso muito esforço nas próximas décadas.



Neto e Solla

Data: 25/09/2015
22:41:47

Em recente análise da conjuntura, o prefeito ACM Neto definiu como “toma lá, dá cá” a política desenvolvida pelo governo federal para superar a grave crise que o atinge – e ao Brasil, para quem não lembra.

A declaração ganhou manchetes, alimentando a medíocre guerrinha eleitoral que trava com o governador Rui Costa, mas, no mesmo dia, outro político, de quem não se pode dizer amigo de Neto, o deputado Jorge Solla (PT), falou sem muito destaque sobre o mesmo tema.

Observando as negociações sobre os ministérios, especialmente o da Saúde, Solla não enxergou “discussão de programa”, mas apenas um “toma lá, dá cá”.

Adversários mais duros desde que Solla fez comentários sobre o patrimônio da família do prefeito, se convergem, ainda que numa simples expressão, é porque a realidade periclita.



Língua de fogo

Data: 25/09/2015
22:39:13

Aliás, que o clima é de caldeirão geral, está na cara. São três ministérios pelo preço de um, o líder do PT pede a cabeça dos ministros mais poderosos e o helicóptero da presidente solta inocentes labaredas.



PMDB faz réquiem para o governo Dilma

Data: 24/09/2015
23:34:55

O PMDB não deixou dúvida em seu programa de TV. A desavisados, que são muitos ainda no Brasil, poderá parecer que é um partido que está na oposição, que nunca esteve no governo.

Denuncia sem meias palavras a crise econômica, a recessão e o desemprego, como se fruto não fossem de uma gestão com ampla “colaboração” de peemedebistas, que agora acham que o país tem de “acertar as contas com a verdade”.

As grandes estrelas deram os conceitos. O vice-presidente Michel Temer quer “unir forças” e “determinação e retidão” para enfrentar a crise. O senador Renan Calheiros teve coragem de atacar com um “governos passam” e o deputado Eduardo Cunha falou em “escolher o Brasil que queremos”.

O programa teve dois fatores marcantes: o cenário meio lúgubre, próprio a que Temer exibisse o proverbial semblante de mordomo de filme de terror, e a estratégia de fragmentar o texto para a fala de parlamentares, governadores e ministros de todo o país, transmitindo unidade de propósitos.

Uma visão geral do quadro invoca personagem de antigo humorístico de TV. “Não sei se estou sendo claro”, dizia, indiferente à evidente clareza de cada uma de suas palavras. Os sinais sugerem rompimento, mas não se descarta que seja um tensionamento profissional para avançar no controle da máquina governamental.

O PSDB, outro dos principais interessados no desfecho dos acontecimentos, não seria beneficiário direto imediato do impeachment, e contorce-se entre o desejo de tirar a presidente Dilma e preocupação em entregar o poder ao competente adversário.



Marmelada judicial seria caso de povo na rua

Data: 24/09/2015
10:46:27

O noticiário sobre a decisão do STF de tomar para si a prerrogativa de investigar a senadora Gleisi Hofmann (PT) foi todo ele carregado do sentimento negativo de que o fato “poderá mudar os rumos da Operação Lava-Jato”, seja pela postergação dos processos, seja pela nulidade de condenações em foro indevido.

A senadora é suspeita de ter despesas pessoais pagas pela Consist Software, que prestava serviços ao Ministério do Planejamento na gestão de seu marido, Paulo Bernardo, e a empresa ainda teria contribuído irregularmente para a campanha de Gleisi ao governo do Paraná em 2014.

Ao detectar essas informações nas investigações da Lava-Jato, o próprio juiz Moro remeteu os documentos ao STF, que agora tomou a decisão. Entendeu-se que os fatos descritos não têm relação com a corrupção na Petrobras e foram praticados em São Paulo e Brasília – além disso, a senadora tem foro especial para qualquer tipo de crime.

Ainda bem que temos uma corte suprema destinada a interpretar e defender a Constituição, e, se assim é, só nos resta acatar a maioria de ministros que viram necessidade de pôr os feitos nos seus respectivos lugares, pois aquela plêiade de homens sábios não trairia deliberadamente sua consciência jurídica.

A leitura aqui é necessariamente outra. Viva a decisão, porque agora teremos a confirmação de que existe Justiça no país, e não apenas o juiz Sérgio Moro e o ministro aposentado Joaquim Barbosa. Não podemos crer que tenham sido inócuas a criação do nosso arcabouço legal e a implantação da custosa estrutura do Poder Judiciário.

Claro que o que leva a imprensa – até a internacional – a suspeitar é o “benefício” a uma senadora do PT, profundamente ligada ao governo Dilma Rousseff, do qual foi ministra, mas a preocupação não condiz com o momento atual do país. Para ficar no campo dos símbolos, Gleisi Hoffmann, se for esta a questão, é tão passível de prisão quanto o poderoso empresário Marcelo Odebrecht.

Investigações que eventualmente venham a ser realizadas na Justiça paulista e na da capital federal, caso tenham os ingredientes que as tornem de alto interesse público, serão acompanhadas por uma nação mais atenta à realidade. Se for constatada em qualquer delas uma improvável marmelada, que a imprensa livre denuncie e o povo saias às ruas.



Negócio fechado

Data: 24/09/2015
10:43:36

Por falar nisso, será que vai haver manifestações populares depois que a presidente Dilma resolveu trocar o impeachment pelo Ministério da Saúde?



Bóia da salvação

Data: 24/09/2015
10:42:47

Não há dúvida: como dizia o falecido jornalista Luiz Eugênio Tarquínio sobre Paulo Maracajá e o Esporte Clube Bahia, Lula é o ex-presidente em exercício.



Um deficitinho de 2,2% do orçamento

Data: 24/09/2015
10:41:50

Os governos, particularmente os de países “emergentes”, têm em geral duas preocupações ao tomarem decisões de grande peso na economia: a reação da sociedade e a avaliação das agências de risco.

Por isso houve um estranhamento quando a presidente Dilma enviou ao Congresso um projeto de orçamento prevendo déficit de R$ 30,5 bilhões, fato escandalosamente repercutido pela imprensa, resultando em contrariedade social e perda do grau de investimento do Brasil.

O valor da proposta orçamentária, ninguém ficou sabendo, mas foi R$ 1,4 trilhão, ou seja, o propalado déficit é, para quem se deu ao luxo de calcular, de 2,1785% do total, ou 2,2%, numa aproximação generosa.

Por outro lado, orçamento é sempre uma peça de ficção. Equipes do governo perdem noites esmiuçando números, vai gente da Fazenda, do Planejamento, da Casa Civil, e no fim o pacote é encaminhado ao Legislativo como mera declaração de intenções.

É tão mentiroso que anualmente constatamos, mesmo na Bahia, para não ir muito longe, execuções orçamentárias que não passam de 15% da meta, e ninguém repara.

Assim, não se deve perder o sono com previsão de déficit num momento em que o governo mais precisaria de confiança da população e do “mercado”.

Quem é do ramo sabe que esse terror é para empurrar impostos e corte de despesas. Está dando certo. A manutenção de vetos presidenciais foi um obstáculo superado. Aguarda-se para ver o que ocorrerá com mais uma proposta de CPMF.



Pensamento do dia

Data: 24/09/2015
10:39:20

A economia brasileira está equilibrada – na corda bamba.



Interesse nacional

Data: 24/09/2015
10:38:51

É de perder de vez a esperança no Brasil quando se legisla sobre pau de selfie, algo como um cabo de vassoura.



Países “sem culpa” recusam cota de imigração

Data: 22/09/2015
14:17:03

Em maio, portanto há apenas quatro meses, a União Europeia pensava em distribuir por 25 países, com exceção de Dinamarca, Irlanda e Reino Unido, que não se incluem nos tratados existentes, 20 mil refugiados de países do norte da África e do Oriente Médio.

Era, evidentemente, uma previsão irreal, com a Alemanha, por exemplo, que teria o maior contingente, recebendo pouco mais de três mil pessoas. Hoje, a própria ONU estima em mais 300 mil os imigrantes que entraram ilegalmente no continente.

A situação se agrava com a recusa da Polônia, Romênia, Letônia, Eslovênia, Hungria e Eslováquia de participarem do “sistema de cotas” para acolhimento de refugiados, o que disseram com toda clareza.

Move-as talvez o fato de que não oprimiram ou exploraram os povos das regiões acima citadas, o que lhes dá, digamos, uma consciência nacional tranquila, ao contrário de França, Alemanha, Reino Unido e outros.



A justiça sendo feita

Data: 22/09/2015
14:14:42

Acostumados às longas demandas, que por vezes atravessam gerações, e mesmo à demora de julgamentos pelo júri popular, os brasileiros se surpreendem com a rapidez das investigações e sentenças decorrentes da Operação Lava-Jato.

Não é brincadeira: mais um tesoureiro do PT foi condenado, desta vez a 15 anos, pena cuja extensão se agravará com possíveis novas condenações, já que Vaccari Neto responde a processos por outros crimes.

De certa forma, a nação não está acreditando muito no que está acontecendo, algo como aquela expressão “a ficha não caiu”. O que, porém, ocorrerá inevitavelmente dentro de pouco tempo se o empresário Marcelo Odebrecht puxar uma cana das brabas.



Pensamento do dia

Data: 22/09/2015
14:12:25

Se delação contasse pro PIB, a recessão acabaria.



Fazendo história

Data: 22/09/2015
14:11:12

Roberto Jefferson deixa um legado à pátria: o sufixo “ão” para cunhar os nomes dos escândalos político-financeiros.

Do mensalão veio o petrolão, e agora já é pacífico o uso de eletrolão para as falcatruas praticadas no setor elétrico, nas quais despontam a Eletrobras e a Eletronuclear.



Um nome a zelar

Data: 22/09/2015
14:09:17

É verdade... Até Alcindo da Anunciação está saltando fora do PT.



Cenário de guerra

Data: 22/09/2015
14:08:34

O governador Rui Costa entregou obra de contenção de encosta na Palestina.

Se quiser disputar, o prefeito ACM Neto vai ter de conter alguma coisa em Israel.



Alckmin pró-Dilma

Data: 22/09/2015
14:07:27

Por convicção ou por algum interesse não decifrado, o fato é que o governador Geraldo Alckmin é um tucano de altíssima plumagem a declarar-se contra o impeachment da presidente Dilma.

No que, aliás, está na sólida companhia do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto,  para quem o Brasil corre risco de insegurança jurídica se houver um processo sem comprovação de crime de responsabilidade.




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