Salvador, 17 de dezembro de 2017

Políticos nada têm a fazer no 2 de Julho

Data: 30/06/2015
12:41:43

O uso político do desfile do 2 de Julho normalmente é reduzido nos anos sem eleições, mas, nesse aspecto, a perspectiva para o da próxima  quinta-feira, nos 192 anos da Independência da Bahia, é de maior esvaziamento.

Aliada à inexistência de candidatos e à descrença de que partidos queiram levar às ruas sua “mensagem institucional”, está a crise que atinge profundamente a política brasileira, derrubando o pouco prestígio que ainda poderia restar a alguns dos seus atores.

Fora as autoridades que têm o dever protocolar de demonstrar civismo, como governador, prefeito e presidentes dos Legislativos, será muito masoquismo ou falta de noção ir lá para tomar chuva e vaias – e outros infortúnios eventuais.



Partidos anunciam participação

Data: 05/07/2015
14:26:44

Entretanto, há partidos que anunciam a participação no cortejo, que nasceu cívico e tornou-se político por obra da ditadura, por ter deixado a população praticamente sem nenhum canal de expressão.

O PPS está com concentração marcada para as 8 horas no Largo da Lapinha, tendo seu presidente, vereador Joceval Rodrigues, entoado o discurso: “Todos os anos o povo segue com o grito de liberdade contra outras mazelas da nossa Bahia e do Brasil”.

O presidente do PDT, deputado Félix Mendonça Júnior, não fica atrás ao anunciar a presença no desfile e convidar os correligionários: “Os ideais de liberdade e soberania que inspiraram o 2 de Julho de 1823 permanecem vivos”.

Enquanto isso, o blog Politicando, de Floriano Torres, um antigo filiado que geralmente publica notícias relativas ao partido, informa que a militância do PDT, formada por grupos diversos dentro da legenda, não irá este ano às ruas “diante da disputa interna pelo comando”.



Matéria vencida

Data: 30/06/2015
12:38:34

A nota do blog refere-se, naturalmente, às divergências entre Félix Jr. e o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa, o qual, no entanto, já praticamente selou sua saída do PDT, embora não possa dizer com certeza para onde irá.



Governos e empreiteiras na mira de movimentos

Data: 30/06/2015
12:37:44

Mais de acordo com o atual clima nacional estão os movimentos populares do centro antigo de Salvador, que vão chegar antes à Lapinha, às 7 horas, e prometem “um grande protesto contra os governos municipal, estadual e federal e as empreiteiras”.

Dizendo-se vítimas de "agressão, racismo e expulsão", denunciam a articulação de órgãos das três esferas com entes privados, entre os quais citam Odebrechet, Axxo, Prima Empreendimentos, Construtora Massafera, Bahia Marina, o Cloc Marina Residence e Hotel Txai.

O Movimento dos Sem Teto da Bahia, que coordena a manifestação, afirma que são os moradores que mantêm a “vitalidade” da área, “garantindo sua diversidade social e cultural”.

O Iphan, órgão federal que supostamente cuida do patrimônio histórico, foi acusado pelo MSTB de aproveitar a tragédia das chuvas, em maio, para, com a Prefeitura, “limpar a área e possibilitar a implantação de projetos imobiliários de alto padrão”.



O que importa é produzir

Data: 30/06/2015
12:34:25

É o caso de perguntar, como o ministro da Agricultura Delfim Netto encarnado por Jô Soares em seus humorísticos da década de 80: o mandiocal está mandiocando?



Empresas são a cara dos donos

Data: 30/06/2015
12:33:26

Temos ouvido muito, no fragor da Operação Lava-Jato, que é preciso distinguir empresas de pessoas na contemplação da roubalheira geral que se implantou na Petrobras.

Dizem-no muitos políticos ligados ao governo e ao PT, sendo um grande sustentador desse argumento, desde o início, por exemplo, o ex-governador Jaques Wagner, que foi seguido por numerosos correligionários.

Mas agora surge um jornalista, Mino Carta, que não se pode dizer suspeito, porque todo mundo sabe bem quem é ele, para defender a mesma tese, no artigo intitulado “À imitação de Jim Jones”, na Carta Capital.

Carta afirma que “a mídia permanece em campanha maciça contra o governo”, visando ao “impeachment da presidenta” e ao “envolvimento de Lula na Lava-Jato”, o que, como o citado fanático, nos levará ao “suicídio coletivo”.

O texto, como apontado no início, termina com o longo bordão: “Provadas as acusações, punam-se os culpados, está claro, e sem concessões ou resguardos. Salvem-se, porém, as empresas, que garantem trabalho e progresso”.

Dos políticos se entende o apelo ao discurso disponível, mas, quando feito por um técnico da qualidade do criador de Veja, nele se deve procurar o conteúdo de justiça e verdade, pelo que lamentamos Mino Carta não ter se estendido.

A nação precisa saber, primeiro, que consequências haverá para grandes empresas cujos donos foram flagrados roubando descaradamente dinheiro público, em conluio com agentes governamentais e políticos – e por isso estão presos, passíveis de condenação.

E depois, uma vez comprovado que ruirão, arrastando para o buraco dezenas de milhares de empregos, índices de crescimento econômico e divisas que o país receberia, se, em nome da estabilidade, deveria ter sido feita vista grossa à corrupção.

É óbvio que as empresas atuam segundo diretrizes traçadas pelos diretores e, necessariamente, deles refletirão o caráter. Não há empresas idôneas de donos ladrões nem empresários honestos de empresas que ferem a lei e manipulam o mercado.

Empresas são corporações orgânicas que suprem demandas em sociedades de livre concorrência e têm limites a respeitar. Não desabarão, com os donos, por osmose, mas a depender do que eles fizeram na sua administração, comprometendo-as.

Quanto ao papo do significado social, é intrinsecamente furado, já que os recursos desviados eram do povo brasileiro. Por outro lado, sobre o patriótico progresso, para quem mesmo essas empresas estavam “produzindo riquezas”?



Pensamento do dia

Data: 30/06/2015
12:28:35

Todo dia é útil.



Oposição ameaça recesso da Assembleia

Data: 29/06/2015
17:23:30

Quando se esperava que prevalecesse a quase inércia da Assembleia Legislativa, alimentada pelo longo feriadão, eis que a bancada da oposição engrossa o caldo e pode impedir o recesso parlamentar de meio de ano, pelo menos o seu início em 1º de julho, como prevê o Regimento Interno.

Para o fim do semestre legislativo, é preciso que seja aprovada a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a cujo projeto a minoria apresentou quatro emendas. Pelo perfil do governo, é possível que seja acatada apenas uma, a que determina a divulgação na internet da execução dos investimentos das empresas públicas.

Quanto às demais, nem pensar, diz a experiência: o governo não destinará 7% da receita corrente líquida às universidades estaduais, não investirá pelo menos 1% da RCL em segurança, saúde e educação e não limitará a 0,5% desse mesmo índice as despesas com propaganda.



Régis vai de turma conversar com Zé Neto

Data: 29/06/2015
17:21:46

Amanhã, obviamente, é a última data do calendário regular para que a LDO seja aprovada, o que depende de um acordo. O líder da oposição, Sandro Régis (DEM) informou que está acertada para amanhã, em horário a ser ajustado, um encontro com o líder do governo Zé Neto (PT).

Indagado se há espaço para negociação quanto às emendas propostas, Sandro avisou: “Não vou sentar sozinho. Vou com os líderes do DEM, Luciano Ribeiro, do PSDB, Adolfo Viana, e do PMDB, Pedro Tavares. Vai ser uma decisão conjunta. O que posso dizer é que não há LDO se a oposição não for escutada”.

Sandro não se preocupa com a desvantagem numérica da bancada, afirmando que, com 20 deputados, os recursos regimentais permitem “fazer uma obstrução que pode ir muito longe em julho”.

O líder Zé Neto não compareceu à sessão de hoje da Assembleia por se encontrar numa reunião. Procurado por Por Escrito às 15h34, não pôde de imediato conversar sobre o assunto, pedindo que nova ligação fosse feita "daqui a duas horas".
 



Até hoje não honrado o orçamento impositivo

Data: 29/06/2015
17:19:37

Embora não haja uma relação direta, pesa no humor oposicionista a resistência do governo em cumprir as emendas parlamentares, curiosamente chamadas de orçamento impositivo.

É o instrumento que garante, ou deveria garantir, a cada um dos 63 deputados, o investimento anual de R$ 1,2 milhão, nos municípios que indicassem, em obras e serviços, dentro de certos critérios.

Foi preciso uma emenda constitucional para fixar essa obrigação, porque o governo, desde o tempo de Jaques Wagner, tinha por hábito enrolar e não executar emendas parlamentares incluídas no orçamento anual do Estado, o que, pelo visto, não mudou.



Questão passa por Marcelo Nilo e Josias Gomes

Data: 29/06/2015
17:17:20

Na sessão de hoje, o deputado Adolfo Viana questionou a falta de cumprimento do dispositivo constitucional, pedindo uma explicação ao presidente dos trabalhos, Adolfo Menezes (PSD), que é o primeiro vice-presidente da Casa.

Menezes observou que o presidente Marcelo Nilo, a quem é estreitamente ligado, se encontra em Brasília, e disse que amanhã, com seu retorno, o assunto será esclarecido, mas não sem antes concordar com o argumento da oposição, de que “a lei é para ser cumprida”.

Ao referir-se, também, à ausência do líder Zé Neto, Menezes cedeu a palavra ao líder do PT, Rosemberg Pinto, que informou estar programada uma reunião dos líderes do governo e da oposição com o secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes.

Viana não se conformou, afirmando que não cabe mais nenhuma negociação sobre o orçamento impositivo. “Esta Casa tem de exercer suas prerrogativas”, declarou, apoiado pelo deputado Alan Sanches (PSD): “”Não tem cabimento os deputados ficarem aqui solicitando uma ambulância, uma posteação de luz”.

O deputado Rosemberg voltou à cena, informando que “a bancada do PT também acha que não se discute a aplicabilidade das emendas, mas quando fazer isso, devido às condições do Estado”, numa referência à decantada falta de dinheiro nos cofres do governo.
 



A shopping não se vai para comprar e sair

Data: 28/06/2015
12:40:53

O conceito dos shopping centers transcende o simples ato de ir a uma loja comprar um produto ou serviço e voltar para casa. São locais que convidam à convivência, à permanência, para que as pessoas, diante de tantas ofertas, se transformem, efetivamente, em consumidores.

Tanto que neles existem cinemas, academias, terminais bancários, salões de estética, bares, restaurantes e até cartórios, entre muitos outros serviços. Ninguém vai a um shopping necessariamente para tudo isso, mas a disponibilidade, muitas vezes, induz ao consumo múltiplo.

O principal estímulo à ida do consumidor a um shopping é, certamente, a facilidade de estacionamento, não sendo demais registrar que os proprietários de veículos têm, em geral, maior poder aquisitivo, sendo razoável que os comerciantes desejassem atraí-los, e não espantá-los.



Clientes potenciais garantem a vitalidade

Data: 28/06/2015
12:39:37

Essas considerações decorrem da declaração do representante dos proprietários de shoppings centers, Edson Piaggio, que atribuiu ao longo período de feriados, fins de semana e dias enforcados a queda de frequência observada nos estacionamentos desde que começaram a cobrar tarifas, no dia 22.

De fato, até hoje, são nove dias de esvaziamento da cidade, e isso certamente influiu na queda. Mas a partir de amanhã ele vai constatar que esse não é o único motivo, e não apenas pela ausência dos que utilizavam malandramente as vagas para cuidar de sua vida particular.

Os shoppings perderão, com a cobrança, a visita dos que se dispunham a um simples passeio pelos seus corredores para observar vitrines, “namorar” produtos, conhecer novidades, tomar um simples cafezinho – hábito que, na maioria das vezes, resulta em uma ou mais compras.

Haverá uma tendência a concentrar o máximo de atividades num único dia, isso para quem não tiver outra opção. Aqueles gigantescos empreendimentos, a título de combater o uso abusivo de sua área, ficarão sem a vitalidade que só os clientes em potencial podem garantir.



Especulação injusta

Data: 28/06/2015
12:34:33

Desde os primórdios da formação da equipe do segundo governo de Dilma Rousseff que se levantava a hipótese de o ex-governador Jaques Wagner ser sacrificado pela possibilidade de seu nome estar incluído na Operação Lava-Jato, o que jamais aconteceu.

Wagner teria perdido espaço para nomes mais “confiáveis” à presidente, e não eram poucos: Ricardo Berzoini, Pepe Vargas, Aloizio Mercadante, José Eduardo Cardozo e Miguel Rosseto. Até Edinho Silva, posteriormente, teve precedência.

O ex-governador foi para o Ministério da Defesa, de onde assiste a membros do “núcleo duro” do Planalto caírem na rede da Polícia Federal, mas ainda assim é injustiçado, como na especulação da Folha de S. Paulo de que estaria em nova lista do delator premiado Ricardo Pessoa.

Há indícios mais claros e citações objetivas nos inquéritos policias e nos despachos do juiz Sérgio Moro, mas a impressão que dá é que, nos bastidores, estão à caça de mais e mais vítimas.



O MBB na campanha de 1989

Data: 28/06/2015
12:33:05

Saudamos o lançamento do livro “Brizola”, dos jornalistas Clóvis Brigagão e Trajano Ribeiro, mas somos obrigados a fazer um reparo à nota do jornalista Levi Vasconcelos, sexta-feira, na coluna Tempo Presente, de A Tarde, que aponta Trajano como “um dos fundadores nacionais do MBB”.

A sigla é do Movimento Brasil-Brizola, ideia concebida pelo falecido jornalista Wellington Fonseca Ribeiro, em 1988, com o fim de congregar colegas de profissão para apoiar Leonel Brizola na primeira eleição presidencial de que aquela geração, nascida 40 anos antes, participaria.

Foi uma iniciativa cívica que alcançou, em Salvador e no Estado, uma dimensão bem maior do que seus articuladores imaginavam, tendo a sede do Rio Vermelho sido um referencial da campanha mais efetivo que a do próprio PDT, já que o então presidente, Mário Kertész, atuou como uma espécie de quinta-coluna.

O MBB ocupou espaço na imprensa e nas ruas, fez debates nas principais cidades, promoveu carreatas e distribuição de material na capital. Num ato de grande repercussão, trouxe a Salvador o histórico líder esquerdista Luís Carlos Prestes, aqui representado, na época, pelo grupo Ação Socialista.



Alguns participantes

Data: 29/06/2015
15:05:27

Com a certeza de estarmos omitindo os nomes de muitos, podemos citar, entre os participantes mais ativos do Movimento Brasil-Brizola, os jornalistas Jorge Ramos, Alberto Sobral, Vítor Hugo Soares, Nona Fernandes e Ipojucã Cabral, os engenheiros Alex Novaes Vieira e Cláudio Mascarenhas, o empresário Raul Menezes e os médicos Lain Carvalho, Marluce Oliveira e Luiz Rechtman.



Atuação local

Data: 28/06/2015
12:29:15

O MBB não existiu nacionalmente, restringido-se sua atuação ao Estado da Bahia.



Testemunha da história

Data: 28/06/2015
12:28:30

Citado na nota de A Tarde, o gaúcho radicado na Bahia Alexandre Brust conhece detalhes dessa história, pois teve grande interação com o MBB na campanha de 1989.

Trata-se de um “brizolista autorizado”, ligado pessoalmente ao líder trabalhista desde o governo do Rio Grande do Sul, em 1958, até sua morte, em 21 de junho de 2004.



De olho no Detran

Data: 28/06/2015
12:27:38

A CPI do Detran não perdeu o fôlego, esclarece seu principal defensor, Adolfo Viana (PSDB). A bancada da oposição encaminhou ao órgão requerimento de todos os contratos de terceirização e prestação de serviços, principalmente com relação à vistoria veicular, para detalhado estudo.

“O líder Sandro Régis fez essa ponderação, para que nós tenhamos melhores condições de fixar o objeto da investigação, que é aspecto fundamental para a aprovação da CPI”, disse Viana.

Como a bancada tem 19 deputados, faltariam dois para completar o mínimo necessário de assinaturas para criação da comissão. Durante o recesso parlamentar de 30 dias, que regimentalmente começa quarta-feira, a oposição espera definir o assunto.

Referindo-se ao diretor Maurício Bacelar em discurso na Assembleia Legislativa, o deputado tucano afirmou: “Ele ficou muito nervoso, muito preocupado, e essa preocupação está aumentando as minhas suspeitas. Vou investigar até o fim”, prometeu.



Das grandes dúvidas

Data: 28/06/2015
12:26:17

Terá o PT perdido a utopia ou a vergonha?



Um destino incerto para Lula

Data: 29/06/2015
17:27:31

Os eleitores que olham de longe a situação política, atendo-se a flashes que supõem ser o principal, hão de estar interpretando a última fala de Lula a religiosos: “Ele está certo. Dilma e o PT são os culpados de tudo”.

Nessa linha de raciocínio, analistas da imprensa nacional entendem que ele quer “se descolar” do que hoje soa mal, numa tentativa de “viabilizar-se”, que é um verbo muito popular entre os políticos, para 2018.

Mas, na verdade, é difícil de crer que o ex-presidente pense em eleição neste momento. Mais razoável é que esteja tonto com a precipitação dos fatos aproximando-o do olho do furacão e, mesmo sem nexo, busque uma saída.

A turbulência é explícita a ponto de ingressarmos na fase “solidariedade”, como a que acaba de prestar a Lula a bancada do PT no Senado, que lança mão até da velha cantilena do menino pobre que superou os obstáculos e buscou a felicidade de seu povo.

Os programas de debate, informação e comentários políticos, em todas as emissoras, já passaram dos boatos. Fala-se com desenvoltura na possibilidade de a Operação Lava-Jato alcançar o ex-presidente, como se se dissesse: “Estamos só esperando essa bomba estourar”.

O terror é alimentado até por um habeas corpus preventivo solicitado em seu favor, que a própria Secretaria Geral do partido apressou-se, em comunicado distribuído à imprensa, em desmentir. Poderia ter dito que, assim como Sarney, “Lula não é uma pessoa comum”.

Tentam compará-lo a ex-presidentes que defenderam a causa popular. Getúlio Vargas suicidou-se. Juscelino Kubitschek foi cassado e morreu no ostracismo. João Goulart amargou o exílio o resto da vida. Mas Lula não está à altura de nenhum desses destinos. Da prisão, talvez.



Um estilo que fez escola

Data: 26/06/2015
12:10:08

O comunicado com que a Odebrecht se defende, após a prisão do seu presidente, é uma sequência de negativas das práticas ilegais apontadas na Operação Lava-Jato e acolhidas pelo juiz Sérgio Moro.

A Odebrecht alega que um depósito na conta de uma empresa estrangeira “não é um depósito”, mas “um investimento realizado por um dos réus da Lava-Jato (...) sem qualquer controle ou envolvimento da Odebrecht”.

Diz também que a expressão “sobrepreço”, usada num e-mail emitido por Marcelo Odebrecht, “nada tem a ver com superfaturamento, cobrança excessiva ou outra irregularidade”.

Nega, ainda, vinculação com pessoas citadas no processo e a realização de pagamentos à Constructora Internacional del Sur, afirma que não participou de nenhum cartel e que não colocou obstáculo às investigações.

Mais recentemente, quando foi apreendido um bilhete do presidente a auxiliares com a ordem de “destruir e-mail sondas” (o tal do “sobrepreço”), a empresa declarou que “destruir” queria dizer “desconstruir”, no sentido de contestar.

É a versão pessoa jurídica de Paulo Maluf.



Ribeiro usa a Bíblia contra Isidório

Data: 26/06/2015
12:06:20

Acostumado a citar o Salmo 133 – “Oh, quão bom e abençoado é que os irmãos vivam em união” –, o deputado Sargento Isidório (PSB) não esperava que a sentença bíblica fosse usada para repreendê-lo.

Mas foi o que fez o deputado Luciano Ribeiro (DEM), depois que o colega atacou a Comissão de Constituição e Justiça por ter rejeitado seu projeto de criação de centros psicológicos para atendimento a vítimas de infidelidade conjugal.

Após ler o salmo, Ribeiro lembrou a Isidório que, se a Bíblia merece respeito, a Constituição, também. E que na CCJ se examinam tão somente a constitucionalidade e a técnica legislativa da matéria, não o seu mérito.

“Na ausência do nobre deputado Joseildo Ramos, que tão bem dirige aquela comissão, do vice-presidente Pablo Barrozo e dos demais membros do colegiado, cabe a mim defender a Comissão de Constituição e Justiça”, imbuiu-se Ribeiro.

E parece que atingiu o objetivo, porque Isidório baixou a bola. Em nome da paz entre os homens, que prega, voltou ao microfone para dizer que, “se teve palavra de repúdio ou de desrespeito, ele (Ribeiro) pode ter convicção de que foi o calor humano”.



O mundo se curva ante o Brasil

Data: 26/06/2015
12:04:21

O protesto de taxistas de Paris contra o aplicativo Uber, de partilha e aluguel de carros, fez Courtney Love, que teve o veículo em que se encontrava bloqueado e depredado, dizer que estava “mais segura em Bagdá”.

No Brasil, a cantora não passaria tal sufoco, pois o uso do sistema está proibido pela Justiça, com base no entendimento de que os carros não cumprem normas de vistoria e identificação e precisam de permissão municipal para explorar o serviço.



Aspiração regional

Data: 26/06/2015
12:02:47

Sobre a eventual filiação a algum partido, o prefeito ACM Neto disse à imprensa que debaterá a questão com pessoas que dividem com ele “um projeto futuro para Salvador e para a Bahia”.

Já admitiu, na visão dos exegetas da política, que tem em mente uma candidatura a governador. A presidente, por enquanto, não, senão teria incluído no pacote “um projeto para o Brasil”.



Deleite no semiárido

Data: 26/06/2015
12:03:08

Até por saber que o retorno comercial será absolutamente zero, este blog se dispõe a fazer propaganda “de graça” para o Trident Fresh, produto que se apresenta como “número 1 em refrescância”, supondo-se que seja um líquido ingerível.

O fabricante merece, porque fez nevar no Nordeste, mais precisamente nas cidades de Santo Antônio de Jesus (Bahia), Caruaru (Pernambuco) e Campina Grande (Paraíba).

Trouxe de “Sumpaulo” uma máquina que, usando duas toneladas de gelo, produziu dez minutos de flocos para a galera curtir São João com paisagem americana.



Dilma-Obama: muito tempo para pouco assunto

Data: 24/06/2015
11:49:49

De Nova York, a jornalista Sônia Coutinho, da Globonews, especula: a conversa da presidente Dilma Rousseff com o presidente Barack Obama “não deverá ser muito longa, duas horas, no máximo três”, o que seria uma surpresa, pois não se imagina uma agenda tão extensa para um encontro dos dois.

Será, de parte a parte, um evento político: Obama, externamente, quer “reconstruir a confiança” com o Brasil, abalada desde a revelação, há um ano e meio, do grampo no telefone pessoal de Dilma – não fora o azar que deu justamente agora, com a descoberta de que espionaram também os presidentes franceses Chirac, Sarkozy e Hollande.

Dilma tem alguns ganhos. Pode, por exemplo, melhorar um pouquinho a imagem pelo “prestígio” de ser recebida na Casa Branca para jantar com a família do presidente, mas o melhor mesmo são os quatro dias de descanso para a cabeça dos problemas que enfrenta por aqui.



Pacote inclui roteiro de costa a costa

Data: 24/06/2015
11:48:08

Sim, serão quatro dias de viagem aos Estados Unidos, embora não se identifique uma planilha de negociações objetivas, em que constem posições dos dois países sobre os temas em foco, preferindo-se a referência genérica a um programa formal de cultivo das boas relações, mais assemelhado a um turismo de Estado.

A presidente chega por Nova York no próximo domingo, janta com empresários e no dia seguinte tem encontro com executivos do mercado financeiro e possíveis investidores em infraestrutura. À noite, segue para Washington, para o jantar com Obama.

Só na terça de manhã é que terá a reunião de trabalho com o presidente, sem nenhuma decisão importante à vista, apenas conversas sobre mudanças climáticas, defesa e ciência e tecnologia, tudo reunido nos usuais “temas de interesse regional e global”.

Após almoço no Departamento de Estado, Dilma comparece à Câmara de Comércio Americana e no dia 1º estará do outro lado do país, na Califórnia – para visita à Google, à Universidade de Stanford e até a um centro espacial da Nasa –, de onde decolará de volta ao Brasil.



Pesquisa estranha sobre fim da reeleição

Data: 24/06/2015
11:46:29

Sem a pretensão de questionar tão científico instituto, intriga-nos saber por que o Datafolha fez pesquisa para aferir a opinião popular sobre a reeleição, matéria vencida em primeiro turno na Câmara dos Deputados e apontada como destinada à extinção nas próximas votações.

Sessenta e três por cento dos entrevistados querem o fim do direito de prefeitos, governadores e o presidente da República buscarem novo mandato consecutivo. São, em tese, dois terços da população, índice que estaria muito longe de alguma dúvida.

Como recente levantamento do referido instituto, sobre eleições presidenciais, marcou-se, também, por uma espécie de ineditismo, nada a objetar ao raciocínio de que em bastidores nebulosos alguma coisa pode estar sendo tramada, apesar dos 452 votos favoráveis na primeira apreciação da Câmara.



A luta do século

Data: 23/06/2015
16:16:31

Wagner x ACM Neto na disputa pela Prefeitura de Salvador seria um confronto de pesos-pesados com potencial para se inscrever entre as grandes eleições a que o Brasil teria assistido.



Um codinome sem nenhuma eficácia

Data: 23/06/2015
16:24:13

Bem sabem os que observam os preceitos bíblicos que o escárnio, mais que a corrupção generalizada, leva seu autor a penas muito mais severas que a passagem de uns poucos anos – que Deus nos livre a todos – na carceragem da Polícia Federal ou na Papuda.

Lavagem de dinheiro e fraude de licitações, entre outros crimes, passam, mas o pecado poderia ser evitado pelo alto escalão empresarial do roubo do dinheiro público no Brasil, que, em e-mails e outras mensagens internas, referia-se a Lula como “o Brahma”.

Não pode ter sido para disfarçar-lhe a verdadeira identidade, porquanto a maioria do povo brasileiro, conhecedor da propalada fama do ex-presidente, logo o associaria ao apelido, numa eventual revelação, como ocorre agora, de sua existência na história.

Mas Brahma, como talvez não saiba a maioria da população, é o deus mais importante do hinduísmo, dotado da força recriadora, um ente essencialmente sublime – daí ter virado marca de cerveja no Brasil.

Portanto, quando escolheram esse rótulo para o “amigo”, que dele assim se consideravam, os empreiteiros, frouxamente despreocupados com o sigilo, se deixaram levar pela zombaria, reverenciando o “número um”, o homem de poder divino, e ao mesmo tempo curtindo com a cara dele.



O presente me condena

Data: 24/06/2015
08:50:53

Enquanto isso, em tentativa de reciclagem histórica que talvez só se possa entender com a interveniência de especialista em psicologia humana, Lula dedica-se com obstinação e frieza à inglória tarefa de remontar escombros.

São dele as seguintes palavras ante o desastre que o acomete, ao seu partido, à classe política e ao Brasil em geral: “Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como a gente chorava quando a gente mesmo falava, tal era a crença”.

E mais: “Hoje nós precisamos construir isso, porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça”.

A questão do Brasil – dizemos nós – não é o modelo petista de governar, que já disse a que veio. É o que poderá vir depois, cenário absolutamente imprevisível, em razão dos vários núcleos de poder concorrentes, num clima de crise política, econômica, moral e social.



Rompimento com uma velha amiga

Data: 23/06/2015
16:06:40

Lula nomeia um grande inimigo: a imprensa. E não é improvável que muitos setores aproveitem a situação para jogar com seus interesses.

Mas a imprensa sempre foi um útil aliado do PT e de Lula, o talentoso líder popular que enfrentou o regime militar no sensível front do sindicalismo e ajudou na reconstrução democrática.

Não por acaso, reunia em todo o país, entre seguidores e simpatizantes, milhares de jornalistas, muitos atraídos para a proximidade da vida partidária, numa mescla de profissionalismo e atividade política.

Verdadeiramente perseguido pela mídia no Brasil na história recente foi Leonel Brizola, que enfrentou sozinho o poderio das Organizações Globo sem que Lula manifestasse qualquer gesto de solidariedade.

Ao contrário, foi beneficiário oportunista dessa anomalia institucional, pois assistia de camarote ao desgaste de seu principal concorrente na esquerda, segmento em que, na época, se incluía.



Teríamos podido

Data: 23/06/2015
16:04:47

Ainda chorando a utopia há muito tempo derramada, Lula diz que o PT, em 1980, era o atual Podemos – novo partido de esquerda surgido na Espanha.

Mas se quisesse fundar algo com nome semelhante no Brasil, seria impublicável.



Simbiose junina

Data: 23/06/2015
16:04:03

Singela homenagem aos autores Luiz Gonzaga e José Fernandes (“Olha pro Céu”), Antônio Barros (“Brincadeira na Fogueira”) e novamente Gonzaga, com Zé Dantas (“São João na Roça”).

Foi numa noite
Igual a esta
Que tu me deste
O coração.

Agora,
Meu São João,
Eu não tenho alegria
Só porque não vem
Quem tanto eu queria.

Ou seja,
A fogueira
Está queimando.



Letícia e o São João

Data: 23/06/2015
16:02:08

Aos três meses e 14 dias, a menina mais bonita, mais amada, mais apelidada e mais fotografada do mundo debutará logo mais, à noite, na farra junina com o “Arraiá da Lelê”, naturalmente em sua tenra homenagem. Haverá avô babão no pedaço.



Pensamento do dia

Data: 23/06/2015
15:59:34

Não é por juntar manga com goiaba que você obterá mangaba.



Prestidigitação e marketing

Data: 23/06/2015
15:58:46

O locutor do Sportv anuncia com total empolgação: “Não percam sá-ba-do, o clássico Vasco e Flamengo”.

É o jogo entre o lanterna e um quase lanterna, um ajuntamento de pernas de pau sem nenhuma relação com o tempo remoto em que os melhores jogadores jogavam no Brasil.

Haverá partidas melhores no horário, com times mais arrumadinhos, nos quais o torcedor poderia pelo menos ter leve recordação do que é futebol em nossos estádios.

Mas o arbítrio centralizado da comunicação no Brasil, que em esporte pode ser exercido mais descaradamente ainda, sustenta no grito uma tradição inexplicável, que despreza a competição pelo bairrismo.



Esclarecendo: em Salvador, Wagner é oposição

Data: 22/06/2015
16:35:00

Parabéns ao visionário ou desesperado que viu na ideia de candidatura do ministro Jaques Wagner a prefeito de Salvador a possibilidade de o PT, enfim, chegar ao poder na histórica capital do Estado que já governa pelo terceiro mandato consecutivo.

Dizemos “visionário” no bom sentido, o sujeito ofuscado pela luz que tem o descortino de propor que o partido enfrente o forte adversário com o nome mais poderoso de que disponha – não fosse essa a lógica dos confrontos eleitorais.

E “desesperado”, já aí no sentido próprio, porque não há nos quadros petistas outra personalidade com a estatura do ex-governador para vencer o prefeito ACM Neto, nem mesmo o senador Walter Pinheiro.

Wagner, no entanto, ainda hoje confirmou que está fora da disputa. Já o tínhamos deduzido em postagem recente, pois o candidato, por absoluta falta de prática, iria fazer campanha sem saber exatamente o local da cidade onde se encontrasse.

Mas outra coisa também nos convenceu, desde o início, de que Wagner não concorreria em 2016: o slogan que supostamente usaria, segundo o qual “a oposição vive de microfone e a situação, de realizações”.

Ora, já se vê que isso não nasceu dele, porque não seria um tão experiente político a desconhecer que, em Salvador, ele é que é oposição, a não ser que pretendesse enfrentar a máquina no gogó. A verdade é que, atualmente, falta competência até para bajulação.



Pensamento do dia

Data: 22/06/2015
16:32:40

É melhor que eu me deprima do que me dê tia.




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