Salvador, 23 de agosto de 2017

Ao contrário de Dilma, Garrincha só teve aplausos

Data: 16/03/2015
14:09:08

O convívio reiterado e prolongado com o voto popular é que dá ao político a flexibilidade de compreender que não pode lutar contra o fato consumado e que o melhor é sorver o que o momento adverso lhe oferece de positivo, o chamado jogo de cintura.

Assim, num exemplo que este blog vez por outra cita, o governador Jaques Wagner aproximou-se do prefeito ACM Neto. Mesmo que se possa atribuir o gesto a sua natureza pessoal, é indiscutível que lhe rende pontos aos olhos do eleitor comum.

A presidente Dilma não teve esta vitamina – uma carreira construída nas urnas. Foi posta no lugar onde está, numa prova de como é fácil manipular a massa, talvez num ato pensado de seu criador para que o poder não viesse a ser exercido por alguém mais "profissional".

É essa incapacidade que faz a presidente recusar-se a ir ao Maracanã, na noite de hoje, para entregar a taça ao campeão da Copa das Confederações.

Mané Garrincha, gênio do futebol que dá o nome ao estádio de Brasília, onde Dilma, na abertura do torneio, tomou a primeira vaia, chamava de “cinturas duras” os jogadores europeus, que antigamente corriam como se fossem bonecos de pouca articulação.

A presidente, sem desrespeito, lembra o conceito do “anjo das pernas tortas”. Não compreende que o prejuízo de ser novamente vaiada é incomensuravelmente menor que o de não estar lá para enfrentar sua responsabilidade.



Cordão da saideira

Data: 30/06/2013
08:58:21

A presidente deve entender agora a inspiração que tomou Ivanir, o autor do clássico do axé Baianidade Nagô: “Eu queria que esta fantasia fosse eterna...”



Até elle

Data: 30/06/2013
08:57:34

Fernando Collor de Mello, expulso da presidência da República em 1992 sob acusação de corrupção, enfrentou de cabeça erguida o povo que esperara na porta do Palácio do Planalto para vaiá-lo.



Patriotismo à flor da pele no feriado

Data: 29/06/2013
00:15:06

Nos 190 anos do heróico 2 de Julho, que transcorrerão na próxima terça-feira, a data se renova profundamente para o tradicional cortejo de alegria e orgulho dos baianos.

Quando se poderia prever uma festa fraca – por não ser este um ano eleitoral –, com algumas vaias aqui e ali, a movimentação popular em todo o Brasil traz a possibilidade de um espetáculo político como talvez jamais tenha acontecido no histórico trajeto.

O mundo desaba à nossa volta, aguça os sentidos, estimula a ação. Os nervos estão à beira de uma manifestação cívica. Muitos poderão querer dizer alguma coisa às autoridades, e melhor chance sabem que não terão.



Wagner: do Bonfim à Lapinha

Data: 29/06/2013
00:13:40

No nosso caso, são dois os principais alvos. O maior, certamente, é o governador Jaques Wagner, que, pela delicadeza da situação, até foi indagado em entrevistas se compareceria ao desfile, respondendo afirmativamente.

No ano passado, com a campanha pela Prefeitura de Salvador, Wagner não pôde correr o risco de ausentar-se da Lapinha, mesmo sabendo da “receptividade” que teria de professores grevistas, que até o acertaram com um objeto.

Passada a eleição, com a derrota de seu candidato, o governador resolveu não dar bola para o azar democrático e marcou viagem à China no mesmo período da Lavagem do Bonfim, da qual jactava-se de participar havia mais de 30 anos.



A diferença entre milagre e emergência

Data: 29/06/2013
00:12:25

O segundo alvo é o prefeito ACM Neto, não pela importância hierárquica do cargo, mas por uma visão superficial generalizadamente negativa que se pode fazer de sua gestão nos primeiros seis meses, que equivalem à oitava parte do mandato.

Se o prefeito escapar, terça-feira, de protestos populares, será uma façanha, porque dele se esperava, em tão curto período, não um milagre, mas a efetividade de ações emergenciais de socorro à cidade, que não ocorreram nem ao cidadão comum parecem projetadas.

O governador, por convicção ou estratégia, absorveu magnificamente a vitória do adversário e deixou de perder mais pontos com isso. A bola ficou com o prefeito, que – sem descer a detalhes – já precisava ter feito algo mais para renovar a confiança que recebeu.



Pede-se discrição no cortejo

Data: 29/06/2013
00:11:06

Tudo isso se dá na atualidade por causa de coisas do passado. Houve um tempo em que em que a comemoração era exclusivamente uma reverência ao culto do patriotismo, e a participação de autoridades e políticos em geral, ainda que dependentes do voto, tinha a saudosa marca da austeridade.

O uso panfletário que tomou conta do desfile, prática que, como se viu, invadiu também o citado Bonfim, por serem ambos efemérides de afluência popular, foi uma reação natural à falta de liberdade de expressão que o Brasil vivia na década de 70, muito ao contrário de hoje.

Este ano, porém, não deve ser igual a tantos que passaram. Pelo menos neste momento de gravidade, que os políticos, os partidos, os sindicatos e entidades, ou mesmo uma eventual associação de criadores de curiós, não proponham o cínico acatamento da “voz das ruas”. Mais sensato seria respeitoso silêncio para ouvir de novo o que dizem as pessoas.



É bom evitar

Data: 29/06/2013
00:08:54

A propósito, em razão da forte aproximação entre o governador e o prefeito, recomenda-se não puxar desta vez o assunto do Aeroporto 2 de Julho.

Um dos apoiadores da mudança do nome para Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, quando deputado, Wagner preferiria que não se mexesse nisso.

Os ativistas, no entanto, não desistirão, ainda mais agora, que a presidente Dilma sancionou lei da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) incluindo o 2 de Julho no calendário histórico brasileiro.



Waldenor quer votar mudança

Data: 29/06/2013
00:07:53

Na Câmara dos Deputados, dois outros parlamentes baianos, os petistas Luiz Alberto e Waldenor Pereira, lutam para aprovar projeto de autoria do primeiro pela restauração do nome do aeroporto de Salvador.

O projeto tramita há 11 anos, mas a votação é barrada por manobras regimentais de aliados do falecido deputado Luís Eduardo, pivô involuntário da confusão. Waldenor é o terceiro relator da matéria e quer incluí-la na pauta da Comissão de Cultura para depois tentar a aprovação no plenário.

Waldenor lembra que o antigo nome do aeroporto foi instituído por lei em 1955, nele permanecendo por 43 anos. Ele destaca o signficado do tema para os baianos e ressalva que “não se trata de desqualificar o homenageado atual, mesmo porque seu nome já se encontra em centenas de edifícios, estabelecimentos, logradouros públicos e localidades”.



Ação global

Data: 29/06/2013
00:05:47

Polícia Federal caça deputado bandido, dizem as manchetes. Falta caçar presidentes bandidos, senadores bandidos, governadores bandidos, prefeitos bandidos, juízes bandidos, empresários bandidos, jornalistas bandidos...



O país que não faz as coisas direito

Data: 29/06/2013
00:04:39

O texto abaixo, com o título acima, foi publicado no último dia 14 de abril, dois meses antes das manifestações de rua no Brasil. Um caso em que o editor tem prazer em admitir solenemente que queimou a língua, rezando para que a esperança não se desvaneça.

O Brasil não assume seus destinos políticos, as decisões que deveriam ser de massa, ou pelo menos de grandes movimentações da sociedade, em geral são tomadas, em nossa História, por minorias privilegiadas. Nas grandes encruzilhadas, optamos pelo caminho mais fácil.

Movimentos de fato pela libertação social sempre foram atos de “lunáticos” regularmente derrotados, como os do levante comunista de 1935 e os da guerrilha do Araguaia. Somos mais da Abolição que abandona seus “filhos” e da República de marechais.

Assim também foi em 1984, quando todos esperávamos que a ditadura fosse varrida. Veio a Aliança Democrática em conluio com o que de pior havia no regime que apodrecia – mas que até hoje, 30 anos depois, é ainda uma sombra a nos acompanhar, para que não saibamos nem quem torturou quem.

Temia-se, desesperadamente, “o sistema”, o que levou homens que lutaram verdadeiramente, arriscando ou mesmo perdendo a vida e a liberdade, a abdicar, no finalzinho da jornada, do direito de assumir o poder.

Da irresponsabilidade daquela articulação veio Sarney. No início, ao suceder Tancredo Neves antes da posse, jurou que o PMDB, então partido da resistência, seria a sua “estrada de Damasco”. Hoje octogenário e “sem porta de saída na política”, dá emprego a namorado de neta adolescente.

O Brasil, lamentavelmente, é sempre assim, duvidoso. Não se mexe para nada, recusa-se a construir o próprio futuro, em quadro que se agrava, de um lado, com a crescente ignorância popular, e, de outro, com a disseminação do individualismo, inimigo por definição das providências coletivas.



O país que não sabe o que é plebiscito

Data: 28/06/2013
08:33:17

Pode ser que, com avançados e muito dispendiosos métodos de leitura, a didática hoje em dia seja outra, mas nos anos 60 era da antologia do antigo curso primário o texto “Plebiscito”, de Artur Azevedo.

Descrevia cena passada no século XIX em que um menino pergunta ao pai o significado da palavra, mas o Sr. Rodrigues, como se chamava, finge que cochila, enquanto a mulher, impaciente, lhe cobra a resposta.

Em resumo, o caso só foi resolvido quando o pai, fazendo-se de aborrecido, deixou a sala, o que lhe permitiu uma providencial consulta ao dicionário para, na volta, dar a explicação que o menino esperava.

Então, ficamos sabendo todos que “plebiscito é uma lei decretada pelo povo romano em comícios”, ou, modernamente, como ensinam os dicionários, “consulta sobre alguma questão específica, em que o povo referenda sua posição respondendo sim ou não”.

Como na alegoria do respeitado escritor, o povo brasileiro não sabe o que é plebiscito, mesmo porque, nas vezes em que foi chamado a pronunciar-se num de natureza política, não viu sua vontade soberana ser respeitada.

Em 1963, renegou o parlamentarismo pelo retorno do presidencialismo como sistema de governo, mas teve de assistir, um ano depois, ao golpe militar que depôs o presidente João Goulart e infelicitou a nação por 21 anos.

Trinta anos depois, o povo não somente optou novamente pelo presidencialismo, como reafirmou a forma republicana – e não monárquica – de governo. Agora, voltou às ruas para dizer que nada daquilo está dando certo, ou seja, apesar de ouvido, o povo não foi escutado.

Mas não é “privilégio” do povo esse desconhecimento. A presidente Dilma propôs um “plebiscito popular”, o que é uma óbvia redundância. E o que é pior: a expressão foi endossada pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Ambos estavam acostumados aos “plebiscitos de cúpula” e acharam por bem estabelecer a diferença.



Líder insiste em deixar ficha limpa para depois

Data: 27/06/2013
13:04:32

Reaberta a sessão, o impasse não foi superado: o líder do governo, Zé Neto, concorda em votar as PECs da reeleição e do recesso, mas pretende deixar o projeto de ficha limpa para 20 de agosto, alegando que é, inclusive, um discurso da oposição.

Segundo Zé Neto, há uma “incongruência normativa de avaliação” no projeto, sendo ele favorável à punição de gestores que “cometeram dolo, têm situações penais comprovadas e ilícitos transitados em julgado”.

No caso dos prefeitos que se excederam nos percentuais de gastos porque suas receitas caíram por motivos externos, o parlamentar defende uma solução, acreditando que a lei baiana deverá estar “em sintonia com o texto que vai sair do Congresso”.

Em resposta, o deputado Elmar Nascimento disse que o líder do governo “não leu o projeto”, porque “se trata de uma cópia da Lei Ficha Limpa Nacional e não faz referência a prefeitos”. Ele acha ainda que “o povo não está preocupado com recesso ou reeleição, mas com os casos de corrupção”.

A legislação nacional nasceu de mobilização popular, que levantou mais de 1,5 milhão de assinaturas. O projeto em tramitação na Bahia, segundo ele, trata de autores de crimes contra e economia popular, de pedofilia e outros, com condenação por órgãos colegiados.



Acordo não vem e Nilo teme pela imagem da Casa

Data: 27/06/2013
12:23:26

Como se previa, não houve acordo entre as duas bancadas. Apesar de o líder da oposição, Elmar Nascimento, concordar com a votação das três matérias polêmicas, o governista Zé Neto pediu, no caso da lei da ficha limpa, “cuidado com os prefeitos”, que “vivem o pior momento da história”.

Defendendo uma “resposta sem açodamento” à sociedade, o líder Zé Neto anunciou um calendário a ser cumprido pela bancada do governo para votar a PEC do recesso no dia 13 de agosto, o fim da reeleição no dia 20 e, finalmente, no dia 27, a lei que proíbe fichas sujas de ocupar cargos públicos.

A reação do deputado Elmar foi imediata: “Não havendo acordo, estamos com as ruas. Vou convocar o povo a invadir a Assembleia Legislativa porque o governo não quer votar o ficha limpa. A partir de hoje, enquanto perdurar a decisão, vai ser jogo de goverrno e oposição. Com exceção dos projetos dos médicos e dos professores, vamos obstruir tudo”.

O presidente Marcelo Nilo, que havia aberto mão de suas posições para facilitar o entendimento, manifestou preocupação com a “decisão perigosíssima”, que expõe a imagem do Legislativo. Após informar que uma equipe de A Tarde já se dirigia à Casa para fazer o registro, conseguiu dos líderes nova suspensão da sessão, por 20 minutos, em busca de uma solução.



Confabulações continuam

Data: 27/06/2013
11:43:39

O entendimento na Assembleia vai demorar um pouco: na presidência da sessão, o deputado Paulo Azi reabriu os trabalhos para, em seguida, suspendê-los por mais meia hora.



Deputados tentam acordo sobre reeleição e recesso

Data: 27/06/2013
11:14:59

Acaba de ser suspensa por 30 minutos a sessão da Assembleia Legislativa para que os líderes do governo e da oposição entrem num acordo que poderá resultar na votação, hoje, de três projetos polêmicos: fim da reeleição do presidente da Casa na mesma legislatura, redução do recesso parlamentar e exigência de ficha limpa para ocupação de cargos públicos.

A medida foi sugerida pelo presidente Marcelo Nilo, que assim recua de uma posição que vinha mantendo havia muito tempo: não votar no mesmo dia as duas propostas de emenda constitucional – reeleição e recesso. Anteriormente, Nilo e o líder do PT, Rosemberg Pinto, haviam divergido duramente, com o petista acusando o presidente de querer manter a reeleição em interesse próprio.

Das três matérias, aparentemente a questão de ficha limpa é a mais problemática para um acerto, uma vez que o líder do governo, Zé Neto, minutos atrás, colocou uma restrição que, se mantida, inviabilizará a votação. O líder quer distinguir “os ficha suja de verdade daqueles prefeitos que estouraram o limite de gastos por perda de receita”.



Empréstimo não será votado hoje

Data: 27/06/2013
10:15:12

Depois de abrir, há poucos minutos, a sessão ordinária da Assembleia, o presidente Marcelo Nilo chamou a atenção para o fato de que não foi convocada para hoje uma sessão extraordinária.

Isso significa que a autorização do empréstimo de 2,1 bilhões de dólares não será votada hoje, porque o requerimento para sua apreciação em regime de urgência foi aprovado na noite de terça-feira e é necessário um intervalo de 48 horas para a votação.



Votação de empréstimo depende de emenda

Data: 27/06/2013
09:59:33

Depois da frustração da terça-feira, quando não houve possibilidade de um acordo para aprovar as matérias constantes da pauta, a Assembleia Legislativa tentará hoje votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias para dar início ao recesso parlamentar de meio de ano.

A dificuldade foi criada pelo projeto que o governo apresentou, de última hora, para autorização de empréstimo do de 2,1 bilhões de dólares no Bank of America, dinheiro em tese destinado ao refinanciamento da dívida do Estado.

A oposição está disposta a um entendimento para votar a LDO, mas somente se for possível incluir no projeto de empréstimo a obrigatoriedade de os recursos serem empregados no alongamento, e não para cobrir eventuais buracos orçamentos de outros setores.



Oposição quer governo ouvindo voz das ruas

Data: 27/06/2013
09:41:39

A bancada da oposição na Assembleia Legislativa anunciará logo mais, às 10 horas, em entrevista coletiva, uma série de propostas que o governador Jaques Wagner poderia implementar no segundo semestre no Estado para melhorar a atuação nos campos da ética, transparência, combate à corrupção, saúde, educação e transporte público.

Segundo o líder Elmar Nascimento, “enquanto em outros Estados os governadores tomam medidas para atender às manifestações das ruas, o nosso fica calado e faz cara de paisagem”. Ele citou, por exemplo, a decisão do governador Marconi Perillo, de Goiás, de instituir o passe livre para estudantes na Região Metropolitana de Goiânia.

Elmar adiantou duas medidas da “agenda propositiva” a ser apresentada: a exigência de ficha limpa para a ocupação de cargos públicos e a própria redução, em 20%, dos quase dez mil cargos de confiança da estrutura do Estado. “O governo do PT criou 1.700 cargos, mas isso não melhorou a qualidade do serviço prestado”, observou.



Assembleia pode limpar pauta hoje

Data: 25/06/2013
14:40:39

Premidos pelo calendário, governo e oposição buscam limpar a pauta da Assembleia Legislativa na sessão que começa logo mais, às 14h45. Só uma eventual falta de quórum impediria os trabalhos, mas já há 33 presenças registradas no painel, uma além do necessário para votação, embora se saiba que muitos deputados marcam presença e saem.

Será ainda na tarde de hoje a conclusão das conversas entre os líderes Zé Neto e Elmar Nascimento, dela dependendo a votação de um pacote de matérias que incluiria a Lei de Diretrizes Orçamentárias, indispensável ao início do recesso.

De início, não era o dia preferencial para a votação, devido ao retorno do feriadão, mas o jogo Brasil e Uruguai, amanhã, obriga à tentativa de antecipação. A próxima terça-feira já será o feriado do 2 de Julho.

Além da LDO, entre os projetos da pauta estão a criação de cargos na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização e os planos de cargos e salários dos médicos e das universidades estaduais, acertados com as categorias.

Antes de entender-se com o líder do governo, o deputado Elmar disse que “há possibilidade”, mas “vai depender do acordo a ser feito”, sem entrar em detalhes. Zé Neto, por sua vez, afirma que se está “caminhando para um acordo”.



Deputado proporá suspensão da Via Bahia

Data: 25/06/2013
14:35:57

O deputado Jurandy Oliveira (PRP) vai buscar apoio com seus colegas da Assembleia Legislativa para que seja aplicada à Via Bahia, concessionária da BR-324, “uma medida punitiva, que pode ser até a suspensão do contrato”.

Precisando trafegar bastante pela rodovia nesse longo feriadão de cinco dias, em visita a diversos municípios onde atua, o parlamentar disse que o período não causou muita alteração na rotina quase cotidiana que ele cumpre na BR-324.

“A Via Bahia está inviabilizando a circulação entre Salvador e Feira de Santana”, afirmou, destacando ser impossível a articulação de uma viagem de avião, porque “a gente passa quatro, cinco seis horas na estrada e nunca sabe quando vai chegar”.

Isso decorreria do excesso de consertos na pavimentação, o que determina constantes bloqueios em pistas, causando congestionamentos. Jurandy lembra que a concessionária “há vários anos vem fazendo a cobrança do pedágio sem o devido atendimento ao público”.



Dizem os tricolores de oposição

Data: 25/06/2013
14:34:42

Explica-se por que as manifestações não tiveram a participação de estrelas: o PT não pôde levar suas bandeiras e o Vitória, que levou, não tem estrela.



Mudança só viria se Dilma fosse líder

Data: 24/06/2013
12:11:23

Para coordenar com êxito o processo de mudança que propõe no país, com sua ampla reunião de governadores e prefeitos, que não deixará de incluir os mais altos dignitários da República, a presidente Dilma Rousseff terá de provar que não é um “poste” lá colocado pelo antecessor.

Por outro lado, precisará contar também com a “colaboração” dos demais atores convidados, e se é verdade que vivemos numa sociedade perversa, de exclusão, que apenas joga migalhas para os mais pobres, justamente a esses políticos devemos a situação, não sendo por acaso que o povo contra eles se levanta.

Admitindo-se que a presidente, fiel a sua história pessoal, esteja movida de bons propósitos, além até de sua capacidade de articulação e comando, será indispensável uma improvável compreensão dos representantes do poder econômico e dos interesses escusos hoje instalados na política brasileira.



"Marketing" teve destaque nas operações

Data: 24/06/2013
12:10:06

Há cerca de dois meses, abordamos aqui o “merecimento” do marketing a um lugar de destaque institucional na estrutura de poder no Brasil, porque, na prática, como uma praga, ele se havia imiscuído em todas as esferas político-administrativas, avocando-se, em última análise, o dever de governar.

O comentário é necessário porque o discurso de Dilma sobre as manifestações de rua foi especialmente acompanhado, como a imprensa registrou, pelos eflúvios marquetistas, envolvendo reunião extra-palácio entre Dilma, o ex Lula e brilhante publicitário que a Bahia exportou.

A peça lida pela presidente nesta festa junina inesquecível reflete a busca da interpretação da realidade, para a qual deve ter havido contribuição multidisciplinar, a astúcia do ex-presidente e, por fim, o texto asséptico, embora ligeiramente úmido, de João Santana.



Massa é única força disponível

Data: 24/06/2013
12:05:23

Entretanto, a revolta social no Brasil, cabalmente demonstrada, é um acontecimento amplo e profundo, que talvez não possa ser contornado com palavras. “É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar”, diz a presidente.

Não é o que a vida cotidiana traduz – apenas como um pequeno grande exemplo – na doença crônica brasileira das obras inacabadas, das obras que se arrastam, das obras superfaturadas, sem que nada atinja o “poder econômico”, que só espera a próxima “licitação”.

Tudo isso é dinheiro, que enriquece pessoas e grupos, que financia políticos, que corrompe funcionários, que compra mais poder. Dilma e o sistema que a sustenta estão no comando das operações há dez anos, e o destino a levou pessoalmente ao olho do furacão.

Mudar equivale a promover uma revolução, e nesse caso, aproveitando “o impulso desta nova energia política” que identificou nas manifestações, o trunfo da presidente é vincular-se à massa e falar grosso na reunião, se quiser a “reforma política” a que se referiu, pois bem sabe que revolução não se faz por decreto.



Problema não é de gestão, é de corrupção

Data: 24/06/2013
12:03:29

Talvez a maioria da população não saiba que a carga tributária brasileira se iguala à dos países de melhor condição social do mundo e que, entre os 30 que mais arrecadam, o Brasil é o que apresenta menor retorno social. Ou seja, o dinheiro público por aqui é volátil.

A presidente chama prefeitos e governadores “para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos”, mas o país não precisa, basicamente, de um esforço de gestão, e sim do estabelecimento de princípios morais e políticos sobre os quais se dê a tarefa de governar.

Não haverá projetos, programas nem campanhas que bastem para melhorar os serviços à população se a presidente não se empenhar e convocar toda a nação a ajudá-la, como afirmou na televisão, no “combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos”.



Nação sonha com a justiça do gigante

Data: 24/06/2013
12:02:11

Tarifa de ônibus e mobilidade urbana são, por assim dizer, etapas vencidas neste debate, nem deveriam estar na fala presidencial. O que o povo exige é outro país, não aceita mais o gigante esplêndido estendido ao sol, indiferente à sorte de seus filhinhos.

Anunciar conserto do SUS e royalties para a educação pouco significa nesta hora em que o país tem de sair da encruzilhada terrível em que se coloca eternamente e caminhar em direção à justiça social. O banho de champanhe não pode continuar coexistindo com a falta de esgoto.

“Todos me conhecem”, declarou Dilma para caracterizar sua disposição de lutar contra a corrupção. Agora, quando toma a iniciativa histórica de reunir a cúpula do país como “presidenta de todos os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam”, esperamos ter a oportunidade de conhecê-la melhor. 



Garantia de fábrica

Data: 24/06/2013
12:00:21

País nenhum sobreviverá se seu principal produto não for gente. Porque são pessoas com selo de qualidade que vão pensar, decidir e avançar – em qualquer projeto de que estejamos a falar.



Pavimentação da cidade dá sinais de abandono

Data: 23/06/2013
11:59:15

Tendo chegado cercada de muito boas referências, à administração municipal já poderia ter ocorrido a constatação de que o estado do piso é fator fundamental para o funcionamento de uma cidade. Nas condições atuais de Salvador, torna-se possível concluir que o assunto vem sendo subestimado.

Temos, é verdade, setores de grande importância, como a saúde, a educação, a limpeza urbana, a exigir ação contínua e eficaz da Prefeitura, mas nenhum tem a amplitude e o significado da pavimentação, que materializa o direito de ir e vir a mover a comunidade.

É pelas ruas e avenidas que passa o transporte público, circulam as mercadorias e as pessoas vão ao trabalho, à escola e ao lazer. No entanto, o que vimos nestes seis primeiros meses do prefeito ACM Neto foi a aparente ausência de planejamento que garantisse a melhor conservação possível às principais vias da capital.



Prefeito paga tributo diário à impopularidade

Data: 23/06/2013
11:57:11

Todos sabem as condições da Prefeitura após anos de gestão temerária a que foi submetida, assim como todos sabem que há patamares a serem conquistados no trabalho de recuperação física de Salvador, e que muitas vezes uma mera operação tapa-buraco requer tempo firme, com sol.

Entretanto, os órgãos municipais não mostram presteza nas providências. Tem havido casos, em bairros diversos, de buracos que aparecem, se agigantam, causam transtornos ao tráfego e danos aos veículos, e lá permanecem, embora se alternem vários períodos de sol e chuva, como tem acontecido.

Se não há técnicos que enxerguem esse quadro, que pelo menos um marqueteiro se acerque do prefeito para dizer que diariamente, em toda a cidade, sua popularidade cai um pouquinho sempre que motoristas e passageiros veem ou se arrebentam em alguma cratera urbana.



Recuperação requer núcleos descentralizados

Data: 23/06/2013
11:55:57

Não é o caso de dizer que a Prefeitura não tem recursos e que o recapeamento completo custaria R$ 5 bilhões, como se informou. A administração tem de concentrar esforços para esse trabalho prioritário de recuperação, inclusive descentralizando-o por núcleos operacionais dotados de equipamento e material adequados.

Nota-se na ação municipal a iniciativa de refazer a camada asfáltica de muitas avenidas, com a retirada completa da pavimentação antiga, e esse é um programa que, no futuro, quando for completo ou perto disso, certamente muito agradará aos soteropolitanos.

Nos dias de hoje, porém, a situação requer cuidados emergenciais permanentes, pois a população, que paga impostos e está mais ciosa de seus direitos, está exposta ao risco de acidentes e tem prejuízos financeiros com esse verdadeiro descaso.



Onde Neto e Wagner se separam

Data: 22/06/2013
11:07:51

O governador Jaques Wagner e o prefeito ACM Neto vêm fazendo até aqui uma magnífica representação – no sentido político da palavra, adverte-se aos maldosos –, com o diálogo aberto, constante, cordial, em nome dos interesses da coletividade soteropolitana e, por que não dizer, baiana.

Esse entendimento sofre agora a primeira discrepância, que chega com a mesma naturalidade que os protagonistas tentam imprimir a sua relação institucional. E a “culpa” só poderia ser de um acontecimento como a revolta social que se desenrola no Brasil, criando o momento em que as identidades políticas careceram de separação.

Neto, há seis meses no cargo em circunstâncias extremamente adversas, afirma que a cidade não se preparou para a Copa das Confederações, indiretamente atribuindo parte da situação a Wagner, que, por razões que podem ser diversas, não tratou Salvador como a capital do Estado que governa há seis anos e meio.



De herança maldita e dever partidário

Data: 22/06/2013
11:03:26

Com esse ônus indelével, e vendo a grave ameaça sobre o primeiro grande acontecimento esportivo do seu governo, Wagner tentou, no primeiro momento, embarcar na onda do movimento, e hoje já cede aos elogios à atuação da Polícia Militar na repressão e à promessa de reforço para o jogo de hoje.

Se não apontasse, da forma indireta como fez, a “herança maldita” que recebeu, o prefeito estaria assumindo uma responsabilidade que não é dele. E quanto ao teor das manifestações, exerceu plenamente sua independência para considerá-las “o cumprimento de um dever cívico”. O máximo que se permitiu foi não comentar a ação da PM.

Por outro lado, de um suposto líder como Wagner, se esperava uma palavra mais afirmativa, uma análise da realidade do país, que produziu espontaneamente esse atestado de descontentamento popular. Ele não pode fazê-lo por atrelamento à estrutura de poder, ao corporativismo partidário que, vez por outra, como na recente entrevista a Veja, aparenta negar.



Brasil x Espanha, um sonho de clássico

Data: 22/06/2013
11:01:48

Diz-se que o jogo Brasil x Itália, logo mais, em Salvador, terá ambiente razoavelmente tranquilo, porque as duas seleções estão classificadas, o que aliviaria a tensão de maneira geral na cidade.

Mas há um senão: o segundo colocado da chave enfrentaria a supercampeã Espanha, que muito provavelmente vencerá a terceira partida e será a primeira de seu grupo.

Só brasileiro que não tem medo da chamada “final antecipada” pode assistir relaxado à partida de hoje na Fonte Nova. Os nervos estarão agitados em todo lugar.



Caindo na real

Data: 22/06/2013
11:00:40

Demorou, mas os governantes estão descobrindo que o povão não quer rapapés para a Fifa nem anúncio de plano-safra ou distribuição de escavadeira.



O povo sabe o que quer

Data: 22/06/2013
10:59:58

Uma tentativa até pueril de confundir a opinião pública é dizer que o atendimento aos manifestantes torna-se difícil pela inexistência de representantes com uma pauta de reivindicações.

Na Baha, esse simplismo, estranhamente, é encabeçado pelo próprio governador Jaques Wagner, que argumenta: “Se o movimento tem bandeira, o objetivo tem que ser trazido à mesa. Com pauta genérica, não há como dialogar. Como é que eu atendo o que não me chegou?"

Ora, embora haja reivindicações específicas diversas emergindo dentre as multidões, os políticos, especialmente eles, sabem muito bem o que a nação quer – e não seria exagero dizer que esperam que a onda passe para que eles não precisem fazer nada.

A população clama nas ruas por um Brasil que justifique a cobrança das mais altas taxas tributárias do mundo, traduzido em oferta de serviços públicos de qualidade, justiça rápida e eficiente, moralidade no emprego de recursos públicos, controle da violência, entre tantas outras necessidades.



Liberdade para sonhar

Data: 22/06/2013
10:58:25

Vale recordar palavras de um nobre seiscentista que, com muita justiça, se transformaram em provérbio: “O príncipe que ouve seus súditos é um sábio que coloca em si mesmo algemas de ouro”.



Constituinte para reforma

Data: 22/06/2013
10:57:17

De um militante antigo e sincero da esquerda brasileira, que prefere a discrição: “O PT deveria tomar vergonha na cara e trabalhar imediatamente por uma constituinte exclusiva para a reforma política. Talvez assim, num contra-ataque propositivo, conseguisse uma saída interessante”.



A festejar

Data: 22/06/2013
10:56:04

Em nenhum momento desses graves acontecimentos que vêm ocupando a atenção do país nos últimos dias, jamais se ouviu falar da mais remota possibilidade de um golpe militar ou qualquer outra forma de restrição ou negação das liberdades. Um tema cujo completo esquecimento mostra o grau de solidez da democracia brasileira.



Democracia é melhor terreno para resolver conflitos

Data: 21/06/2013
11:07:58

A “primavera árabe”, sequência de protestos e conflitos que há dois anos se desenrolam no Oriente Médio, foi e está sendo feita contra dinastias de poder comandadas por tiranos sanguinários, em geral assassinos de seu próprio povo por décadas.

No Brasil, a mobilização das massas nas ruas de grandes, médias e até pequenas cidades ocorre num país democrático, onde, ao menos em tese, as instituições funcionam, o que torna a solução do problema infinitamente mais fácil.

Se, nos países árabes, a lógica ditatorial sugere uma reação escalonada, que vai da repressão à guerra civil, por aqui temos todos os instrumentos de diálogo, incluída a imprensa, para refletir sobre os fatos e procurar caminhos à altura do estágio de desenvolvimento político do país.




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