Salvador, 23 de agosto de 2017

Mitos do tempo das conversas a distância

Data: 28/02/2017
08:51:59

A moderna era digital trouxe três grandes enganos – e certamente muitos outros – com os quais a humanidade terá de conviver até o final dos tempos, que parece logo ali.

No início, previa-se a melhora, pela prática, da linguagem escrita, que piorou, porque não evoluiu na sintaxe nem na ortografia e ainda incorporou o vício das abreviaturas e supressões.

O segundo mito seria a elevação do nível de informação, decorrente da liberdade de expressão e do acesso praticamente universal ao espaço cibernético.

De fato, passou a haver maior facilidade de comunicação, pela capilaridade do sistema, mas, simultaneamente, como se constata no cotidiano, a internet é o vasto campo aberto da mentira.

As ações dos governos e das indústrias do setor não têm sido eficazes contra o que eles chamam de “conteúdos falsos”, que se disseminam, criando um clima de insegurança e confusão.

O resultado é a “recuperação” do poder da imprensa “institucional” como portadora da verdade – uma fonte conhecida e "confiável", a ser questionada e mesmo responsabilizada em caso de desinformação.

Finalmente, e talvez seja este o aspecto mais sensível, as redes sociais não atenderam à expectativa de que seriam um fator de aproximação entre as pessoas, embora contribuam como instrumento de mobilização.

Na verdade, houve um distanciamento, alimentado pelo comodismo doméstico de monólogos dentro do pretenso diálogo, da opinião sem necessidade de retorno.

Os conflitos de natureza política, social, religiosa e até esportiva, de guerreiros encastelados, exacerbaram-se ante o estímulo frio das “plataformas” de vídeos e teclados.



Neto “in love” com a democracia

Data: 27/02/2017
09:51:48

O prefeito ACM Neto declarou que não será ele a “censurar” ou “retaliar” ninguém em razão de posicionamentos políticos ou de outra natureza.

É um sinal de grande valor para o futuro, que o “Fora Temer” de Russo Passapusso, da BaianaSystem, lhe deu a chance de manifestar.

Sendo ele o herdeiro genético e nominal do falecido senador Antonio Carlos Magalhães, que o lançou e inspirou na política, a declaração sugere que define, nesse aspecto, rumo oposto ao do avô.



Anticarlistas deram apoio em massa

Data: 27/02/2017
09:49:47

A abordagem é necessária porque, à medida que o tempo passa, percebemos que a política não é feita de velhas rixas que fixam parâmetros inabaláveis.

Já houve o tempo do carlismo e do anticarlismo, que, para muitos, Neto incorporaria pelo fato de ser quem é. E muitos preferiram na sua primeira eleição, no segundo turno, votar “ideologicamente”, independentemente da questão da cidade.

A reeleição, contudo, não deixou dúvida: 74% dos votos, com vitória homogênea em todas as regiões de Salvador, o que significa que o prefeito recebeu massivo apoio de segmentos que jamais votaram em ACM e seus candidatos na capital.



O desafio de respeitar a frágil flor

Data: 27/02/2017
09:48:05

A liderança do prefeito já se distingue no âmbito nacional, fruto inegável de talento político e capacidade administrativa. Numa circunstância histórica em que se busca por “renovação”, poderá ter carreira longa e ascendente.

Exatamente aí reside o desafio para quem se pretenda, por exemplo, um estadista: proteger o frágil vaso onde está plantada a flor da democracia e ver no serviço público a oportunidade de melhorar a vida dos seus concidadãos.



Veja a diferença

Data: 27/02/2017
09:47:05

Sobre o mesmo assunto, o presidente do Conselho do Carnaval, Pedro Costa, deu chilique. Certamente sem conhecer o comentário do prefeito, disse que haverá uma avaliação para ver se a banda participará do Carnaval de 2018.

Afirmando que “não é permitida manifestação política” (?), ameaçou com código de ética e ainda mandou sair na Mudança do Garcia quem quisesse protestar.



Aquietem o facho

Data: 27/02/2017
09:46:16

Com o desmonte do governo Temer, petistas e assemelhados estão pulando de alegria nas redes sociais, mandando links pra todo mundo.

Mas podem se conformar, porque vai ser como nos conflitos egoísticos: “Nem eu nem ele”.



AA: Agressores Anônimos

Data: 27/02/2017
09:45:00

A situação se repete: policiais militares têm seus nomes ocultados em novo caso de agressão em circuito carnavalesco, desta vez contra jornalistas.

Como se trata de profissionais da poderosa Rede Globo, embora em viagem particular a Salvador, tem-se a esperança de que esse privilégio não se mantenha.



Nem tudo é marketing

Data: 27/02/2017
09:44:07

Foi ridícula essa de trazer a Salvador a “carioca sincera” que detonou o Carnaval do Rio na Globonews.

A opinião espontânea da moça seria mais que suficiente para promover o Carnaval baiano, tanto que viralizou na internet.

O uso político e comercial do fato propõe um modelo corruptor da população, tentada a encontrar uma fórmula de “se dar bem”.



Yunes falou a língua deles

Data: 27/02/2017
09:43:15

Algo diferente vem marcando o episódio José Yunes, velho amigo de Michel Temer, apontado em delação premiada como portador de parte dos R$ 10 milhões que o hoje presidente da República teria solicitado à Odebrecht em esquema de caixa 2.

É que, além de negar participação no suposto crime, no qual teria sido envolvido inocentemente, falou à imprensa, acusando o ministro mais importante do amigo Temer, e não se pejou de definir o papel a que foi induzido com uma palavra típica do submundo do tráfico: mula.

Yunes, de 81 anos, foi deputado estadual em São Paulo ainda pelo antigo MDB, em 1978, e, depois, constituinte federal de 1986. Uma acusação que poderia ser feita a ele sem susto é a de que, por muitos anos, esteve muito próximo a pessoas hoje acusadas das mais diversas falcatruas, tipo Jucá, Renan etc.



O termo certo

Data: 27/02/2017
09:41:50

A propósito, o relato é de que o “operador” Lúcio Funaro entregou o pacote de dinheiro no escritório de Yunes, que o repassou a Eliseu Padilha.

Assim, tecnicamente, o ex-deputado não foi uma mula, já que não transitou com o numerário. Apenas seu escritório funcionou como um entreposto.



Temer: um mandato definitivamente em risco

Data: 25/02/2017
08:59:52

Produto de um entendimento em parte tácito, em parte, explícito, que envolveu o setor político, as classes econômicas e mesmo altas instituições nacionais, o governo Michel Temer se esvai na queda sucessiva de ministros citados ou investigados por corrupção.

O que antes poderia ser definido como “caso pontual”, embora alguns já tivessem ocorrido, tornou-se uma onda gigante do surfe radical. São engolidos os ministros mais próximos de corpo e alma do presidente, ele próprio um “citado”, vendo a crise chegar cada vez mais perto.

No texto “Temer, Lula e a ‘salvação nacional’”, de 04/05/16, fizemos referência às “forças congregadas em torno de Temer (...) que contribuirão, necessariamente, como estratégia, para um upgrade do país num momento particularmente incerto e ameaçador”.

Em 31/05/16, na nota “Demissão de ministro ‘faz parte’ do plano”, prevíamos para o presidente “consagração final, caso não sucumba sob acusação pessoal incontestável, como tantas que têm ocorrido no Brasil moderno, e isso venha a determinar uma cassação ‘política’ de sua chapa pelo TSE”.

Se não andou o processo contra a chapa Dilma-Temer, isso não se deve somente à clássica morosidade da Justiça no Brasil, mas a um posicionamento da corte eleitoral, como outros, semelhantes, que têm tomado o STF e seus ministros em prol da “governabilidade” do país.

O quadro adquire nova conotação com o verdadeiro desmonte a que se assiste no governo. A dúvida é se será possível manter um presidente cercado por uma quadrilha em nome dos indicadores da economia ou se o país seguirá sua marcha de livrar-se dos corruptos, ainda que seja o Congresso a eleger o sucessor.



Da volubilidade tucana

Data: 25/02/2017
08:56:17

Vale sempre lembrar que a ação no TSE foi movida pelo PSDB, quando adversário. Aliados pró-impeachment, os tucanos torcem agora para sua tese ser derrotada na Justiça.



Conspiração sepultada

Data: 25/02/2017
08:55:30

O desenrolar da Operação Lava-Jato vai jogando mais terra sobre a tese desesperada do PT, de que havia uma conspiração em marcha para acabar o partido.

O crescente envolvimento de nomes importantes do PMDB, e até do PSDB, levando o supostamente insuspeito José Serra a pular fora, mostra que ainda não há clareza sobre o destino final de tudo isso.



Exclusividade é com a gente mesmo

Data: 25/02/2017
08:54:42

Em Minas Gerais, o Tribunal de Justiça acabou com a exclusividade de uma marca para a venda de cerveja no Carnaval de Belo Horizonte.

A restrição, segundo a sentença, “gera efeitos prejudiciais aos vendedores e à população consumidora, que sofrerão uma limitação no direito à livre concorrência e livre iniciativa, garantias constitucionalmente asseguradas”.

Recomenda-se à empresa “prejudicada” que se mude com armas e bagagens para Salvador. Com dinheiro na frente, aqui pode tudo.



Pela tangente

Data: 25/02/2017
08:53:46

A quem o indaga sobre a sucessão estadual, o vice-governador João Leão diz que “este não é o momento de se pensar nas eleições de 2018”.

Sendo um aliado, e até participante pessoal do governo, deveria afirmar sem rodeios que apoia a reeleição do governador Rui Costa.

Preferiu a declaração evasiva: “Não podemos pensar agora em política. Eu, Rui e Otto pensamos em administrar o Estado”.



Extorsão é cultural na política baiana

Data: 23/02/2017
14:58:11

Foi um episódio inédito na Assembleia Legislativa o duríssimo discurso do deputado Marcell Moraes (PV) contra o radialista Raimundo Varela e sua mulher, Sheila, acusando-os de publicar matérias negativas no site Varela Notícias com o objetivo de praticar extorsão.

Segundo o deputado, são dois anos de ataques que vem sofrendo por não aceitar propostas financeiras. “O negócio dele é dinheiro”, bradou Marcell, acrescentando que denunciará o fato à Polícia Federal e ao Ministério Público.

O deputado revelou ainda que recebeu um convite de Sheila Varela para uma conversa e disse que a receberia, como a qualquer pessoa, em seu gabinete na Assembleia. “Não aceito convite para conversar em restaurante”, avisou.

Sem entrar no mérito da presente questão, pois cabe ao deputado provar a acusação, é da tradição baiana profissionais de TV chegarem ao requinte de produzir, em determinado município, dois programas, um contra e outro a favor do prefeito, que é gentilmente indagado sobre qual gostaria de ver no ar.

O que garante ao pronunciamento de Marcell o aludido ineditismo é o fato de que muitos parlamentares – e prefeitos – conhecem ou foram vítimas de casos semelhantes, mas somente um teve a iniciativa de levá-lo à tribuna da Assembleia.



Nossos ministros da Educação

Data: 23/02/2017
14:55:42

O “haverão mudanças” de Mendonça Filho nada deve ao “adevogados” de Aloizio Mercadante.



Anonimato para o policial agressor

Data: 23/02/2017
14:55:07

A agressão a um cidadão por um policial que usou um cone de trânsito gerou declarações do comandante-geral da PM, coronel Anselmo Brandão, que anunciou a instauração de processo administrativo para tratar do caso.

Não chegou ao conhecimento público, porém, o nome do agressor, que nesses momentos sempre é preservado, como se fosse membro de alguma casta neste país supostamente republicano e democrático.

Exatamente o oposto do que ocorre diariamente nas delegacias de polícia, sob a conivência do Estado, com repórteres de programas policialescos expondo indiscriminadamente suspeitos e acusados de crimes que ficam à mercê de seu sadismo.



Surubense militante

Data: 23/02/2017
14:53:42

Romero Jucá é pernambucano de Recife. A gente achava que era de Surubim.



Buraco negro

Data: 23/02/2017
14:53:08

As investigações, que avançam, acusam: “Ladrões, ladrões, ladrões!”

Somos os brasileiros ladrões por atavismo generalizado, sem exceção.

Num bem ao Universo, pulemos no precipício cósmico e matemo-nos todos.



Hordas semeadas a mancheias

Data: 23/02/2017
14:52:18

A medida exata da situação de uma sociedade é dada quando um governador – no caso o da Bahia – revela seu temor de que a leniência da Justiça com presos perigosos, devido à crise penitenciária, possa refletir em violência no Carnaval.

Está aí o retrato perfeito do quadro: estamos todos desgraçados, os bandidos não cabem nas cadeias, o perigo está todas as horas nas ruas e a seu encontro vamos nós, movidos a álcool e liberdade.



Isto é o que somos

Data: 23/02/2017
14:49:44

A Secretaria de Cultura, por definição, cuida dos negócios da cultura – negócios no bom sentido. E cultura é algo quer se cultiva. Poderiam ser hortaliças. No presente caso, é arte.

Artistas emanados das camadas mais oprimidas e viscerais do imenso grupo social que formamos deram na telha e resolveram compor músicas e coreografias que incentivariam “a violência física, moral e psicológica ou a desvalorização das mulheres, LGBT e negros”.

A política cultural estatal ou individual – da Secult ou de Jorge Portugal – não bate com a própria essência da cultura, que necessariamente expressa a sociedade em que ocorre e se forma.

É de duvidar que alguma autoridade na área, dentro ou fora dos poderes governamentais, venha a ter o dom de identificar o que é ou não digno de fazer parte de um acervo cultural.



Já dá para ver Bruno na Prefeitura

Data: 21/02/2017
11:17:18

Por alguns, a expressão “ato falho” é usada para designar um erro qualquer de uma pessoa, tendo o vulgo se encarregado da difusão da novidade semântica.

Mas a repórter Tatiana Mendonça, da revista Muito, aplicou-a corretamente em recente matéria com o vice-prefeito Bruno Reis.

Foi quando, sobre a formação da chapa em que se elegeu, assim classificou uma resposta de Bruno, que “nunca escondeu de ninguém o desejo de ser prefeito da cidade”.

Ora, sabe-se que ele é vice, e só será prefeito se ACM Neto renunciar para disputar o governo do Estado – ou na hipótese mais remota de candidatar-se em 2020 e vencer.

Portanto, pelo que se poderia chamar de uma traição psicológica, Bruno revelou o que se julga oculto, embora depois venha a se constatar que, como disse o poeta, “terá sido o óbvio”.



Os embecados do Judiciário

Data: 21/02/2017
11:15:28

Ministros, secretários, atendentes e advogados que atuam no Superior Tribunal de Justiça vão ganhar becas e capas no valor total de R$ 89,5 mil.

Além de não ajudarem em nada o que as autoridades chamam de prestação dos serviços jurisdicionais, são adereços anacrônicos, símbolos de um elitismo incompatível com a ideia elementar de justiça.



Plano de saúde com um mês de mandato

Data: 21/02/2017
11:14:32

O deputado Targino Machado (PPS) disse que vai se aposentar pelo INSS seguindo o caminho de qualquer brasileiro comum, sem “privilégios em detrimento da honra”.

Ao defender uma discussão aberta das “mazelas dos três Poderes”, o parlamentar revelou-se indignado com as vantagens que um senador incorpora mesmo sendo suplente e assumindo o mandato por apenas um mês.

“Como aconteceu há pouco com um suplente do senador Edison Lobão”, afirmou, “esse tempo já é suficiente para eles levarem muitos direitos para casa, como um plano de saúde ilimitado, pago por todos nós”.



Diálogo

Data: 21/02/2017
11:11:03

O presidente da Assembleia Legislativa, Angelo Coronel, recebeu o presidente do sindicato dos servidores, Gilmar Carneiro, e o tesoureiro, Flávio Abreu, para tratar do plano de cargos e salários. Foi uma “promessa de campanha” de Coronel, que vai analisar o impacto no orçamento da Casa. O plano é um tabu antigo, mas parece que agora sai.



Há vagas na legião presidencial

Data: 19/02/2017
08:12:35

O governo Temer demonstra especialização para escolha de ministros com base na teoria do balão de ensaio ou da simples indecisão mesmo.

Superado o caso Imbassahy, que ficou dois meses em modo espera e teve resultado positivo para o governo, deu-se o inverso com ministro aposentado do Supremo Carlos Velloso.

Da explicação inicial de que o presidente o convidara para “ajudar a salvar o Brasil” à recusa da vaga no batalhão de heróis, foram umas três semanas. Um progresso.



Uma lambança que a experiência repele

Data: 19/02/2017
08:11:11

Temer e Velloso somam 157 anos de idade, o que põe em dúvida a explicação dada pelo ex-presidente do STF para a desistência ou, vá lá, recusa ao convite.

Com tanta experiência, não deixariam vazar negociações para o Ministério da Justiça, especialmente nesta hora amarga da segurança pública, sem que houvesse certeza de um desfecho favorável.

Os motivos alegados por Velloso – a pendência de dezenas de contratos de seu escritório de advocacia e a opinião familiar contrária – teriam existido mesmo antes que Temer pensasse em recrutar sua força hercúlea.



Uma pista: a ética fez parte da decisão

Data: 19/02/2017
08:10:09

Velloso pode ter deixado uma pista ao dizer que sua decisão decorreu de “compromissos de natureza profissional e, sobretudo, éticos”, conceito que tem duplo sentido, não só o dos contratos do advogado.

O cargo de ministro da Justiça, o mais antigo entre os auxiliares presidenciais no Brasil, exige um desempenho republicano de quem o exerce, não manipulação política vulgar.

É mais crível que Velloso, mesmo sendo amigo de Temer há décadas, não tenha gostado da configuração que lhe foi reservada no projeto de salvação nacional, sendo mais razoável a penumbra que o risco ao prestígio longamente acumulado.



Labor eterno

Data: 19/02/2017
08:09:01

Moisés Temer subiu não à Montanha, mas ao Planalto, e tendo recebido do Senhor Meirelles o 11º mandamento, gravemente o proclamou: “Não te aposentarás”.



Esse tempo é meu

Data: 19/02/2017
08:08:19

Nove partidos, entre grandes, médios e inexpressivos, tiveram cassado o tempo no rádio e TV porque não dedicaram 20% da propaganda ao incentivo à participação feminina na política.

Curioso é que partidos que mais se empenharam pela “reparação de gênero”, como PT e PCdoB, estão entre os punidos.

O motivo é simples: em nome do politicamente correto, são criadas as percentagens feministas e as vagas nas chapas são preenchidas mesmo que isso não corresponda à realidade política, com candidatas "laranjas".

Mas quando se trata de distribuir, de alguma forma, o precioso tempo na televisão, que se danem os princípios, as cúpulas masculinas não abrem mão da precedência.



A sabatina vem aí

Data: 17/02/2017
23:35:32

Em observações anteriores sobre a relação do virtual ministro do Supremo Alexandre de Moraes com a ética, foram esquecidos os sucessivos plágios em obra que se supunha guardada por sólida erudição.

A indicação de Moraes é uma das frentes da batalha que a máquina viciada do poder no Brasil trava loucamente na busca da sobrevivência e da preservação de seus melhores espécimes.

Será um prazer ouvi-lo, ao vivo, terça-feira, inquirido ao menos por senadores com autoridade para questioná-lo, que são poucos – pouquíssimos quando se considera que o debate se dará numa comissão.

Alexandre de Moraes reúne todas as condições para não ser ministro do Supremo Tribunal Federal, desde a contradição de sua própria tese do impedimento até os encontros constrangedores com senadores que o julgarão e depois poderão ser julgados por ele.

Jamais houve caso de rejeição a uma indicação do presidente da República para o Supremo, mas, se à sociedade e à opinião pública só resta a fé, tenhamo-la de que a corte não será deslustrada por esse convívio.



Paz a distância

Data: 17/02/2017
23:30:43

Em recente sessão especial na Assembleia Legislativa, o senador Otto Alencar vangloriou-se de ter sido o articulador, lá no início da década de 90, da paz entre Antonio Carlos Magalhães, governador, e João Leão, prefeito de Lauro de Freitas.

O auspicioso acontecimento teria se dado no hipódromo antes existente no município vizinho, que propiciou a instituição, certamente no páreo principal, do Grande Prêmio Governador do Estado.

Segundo Otto, ACM resistiu à proposta: “Vou chegar lá, e esse prefeito que anda me criticando tanto...” – e houve mesmo uma tensão inicial, com olhares de banda.

No fim, clima mais relaxado. “O Leão brincou com ele”, disse Otto, acrescentando que ali começava uma aliança que levaria ao apoio a Luís Eduardo Magalhães e, depois, César Borges, em 1998.

Nesse aspecto, carece de precisão o relato, porque Leão, um político sempre independente, elegeu seus dois candidatos em 1992 e 1996, respectivamente Otávio Pimentel e Roberto Muniz, contra nomes apoiados por ACM.



Ampla, geral e irrestrita

Data: 17/02/2017
23:27:31

O Supremo poderia estender sua decisão quanto aos presidiários e decretar a responsabilidade do Estado de indenizar brasileiros que vivem em “condições degradantes”.



Tudo protocolado

Data: 17/02/2017
23:26:36

Espanta a noticia de que o gabinete de um ministro do Supremo está com 7.500 processos.

Talvez fosse preciso um mutirão, mas isso é coisa para pensar depois das férias e dos recessos.



Muita história pra contar

Data: 17/02/2017
23:25:43

Informa-se que integrantes do PSD e do PP baianos estão sendo “cortejados” em Brasília para se aproximarem da oposição em suas relações regionais, já que ambas as legendas apoiam o governo Temer.

Será um trabalho desnecessário. Na Bahia, PP e PSD estão muito próximos de ACM Neto (DEM), Antonio Imbassahy (PSDB) e Geddel Vieira Lima (PMDB), e a eleição na Assembleia Legislativa bem o demonstrou.

O novo presidente da Casa, Angelo Coronel, chegou a desencavar o fundo do baú para lembrar que fez duas vezes dobradinha com ACM Neto, ele para estadual, Neto para federal.



O calor tá demais

Data: 17/02/2017
23:24:14

Leigos não sabem quanto custam as coisas, mas se o prefeito ACM Neto quiser manter a guarda alta numa eventual disputa eleitoral em 2018, deve se desdobrar nestes 20 meses para cumprir a promessa de campanha de botar ar-condicionado nos ônibus.



Piratas transitam livremente no convés

Data: 15/02/2017
21:55:31

“Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura... se é verdade/ Tanto horror perante os céus?!”

Com todo respeito à perplexidade de Castro Alves ante o tráfico humano em “Navio Negreiro”, repitamos os versos imortais para o Brasil dos dias de hoje.

O líder do governo, Romero Jucá, quer incluir na imunidade por fatos anteriores ao mandato, de que goza o presidente da República, também seus substitutos eventuais, deputado Rodrigo Maia, senador Eunício Oliveira e ministra Cármen Lúcia, esta certamente dispensando seus favores.

Vê-se, portanto, para ficar no Poeta da Praça, em sua ode à libertação da Bahia, que uma “pugna imensa” se trava, etapa por etapa, numa inacreditável sucessão de golpes e jogadas transmitidos ao vivo em horário nobre.

E com tal descaramento que a própria tese extremada da defesa contém sua antítese: quando um senador dependurado em inquéritos, processos e escândalos propõe uma emenda constitucional para evitar que certas pessoas sejam processadas como criminosas, os crimes estão declarados.



Fiat lex

Data: 15/02/2017
21:53:22

É da cultura: discretamente, em Salvador, a Câmara Municipal aprovou uma emenda à Lei Orgânica para permitir que um dos seus membros, o ex-presidente Paulo Câmara, possa ocupar um cargo federal.

Trata-se de um reles e oportunista privilégio, criado talvez para atestar oficialmente que esta capital jamais teve um vereador digno de prestar serviço ao governo central do país.

Mas não há motivo para animação. O caso atual é de favorecimento parental, mesmo que haja mérito. O preceptor Antonio Imbassahy chegou ao ministério e pode cavar espaço.

Tudo isso foi feito à luz do dia, com o cumprimento dos tais trâmites regimentais. A emenda, que corresponde a uma emenda constitucional, foi aprovada em primeiro turno no ano passado e, agora, em segundo.



O povo deveria ouvir as explicações de Moraes

Data: 14/02/2017
19:16:15

Será um espetáculo grandioso a sabatina, a transcorrer na terça-feira da próxima semana, para “avaliação” pelos senadores da Comissão de Constituição e Justiça do candidato do presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

É um caso emblemático. Sua aprovação – que dependeria ainda do plenário – será uma derrota da sociedade na difícil luta contra a corrupção. Não que ex-ministro da Justiça seja corrupto, mas ele está sendo protegido por um bando de quadrilheiros da República e não tem, por outro lado, se mostrado eticamente à altura da nobre função de ministro do STF.

Seria o caso de movimentos pela democracia e lisura na vida pública montarem um telão na porta do Senado para que a multidão possa assistir ao ministro explicar o porquê de Renan Calheiros e Romero Jucá terem quebrado lanças para tentar, sem êxito, apressar para hoje a sabatina.

A população teria oportunidade de saber, pelas perguntas certamente de uma pequena minoria, que Moraes, em busca da cadeira na mais alta corte do país, fez um ensaio da sabatina a bordo de uma embarcação no Lago Paranoá, ao lado de dez senadores, entre os quais implicados nos processos que ele julgará.

Valeria também a pena definir a distância entre o jovem advogado que propunha, na tese de doutorado, o impedimento de um membro do governo ser indicado ao Supremo pelo presidente da República e o ávido postulante de hoje, que corta voltas para chegar lá.

Diz-se que o Brasil está avançando em matéria de cidadania, e de fato há muitas conquistas a festejar. Entretanto, essa nomeação armada para o Supremo é desses eventos angulares, um golpe tão potente nas instituições que depois dele tudo será possível. Talvez o povo na rua, consciente do que ocorre, fosse a solução.




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