Salvador, 23 de agosto de 2017

Lula esgotou capacidade de surpreender

Data: 29/04/2014
10:06:46

O ex-presidente Lula é um malabarista sem compromisso, e foi isso que o fez, no passado, pedir desculpas pelo mensalão e, tempos depois, após conquistar o segundo mandato, afirmar que desmontaria o mesmo mensalão quando deixasse o governo.

Dizer agora, em entrevista à televisão portuguesa, que o processo no Supremo Tribunal Federal, transcorrido ao longo de oito anos sob total transparência, e com o julgamento transmitido ao vivo, “foi 80% político”, não passa de mais um ato de falsa cegueira.

Lula atira com as armas que tem nas mãos, e que nele não se busque coerência porque não haverá. Nenhum outro chefe de Estado e de governo proclamaria em viagem oficial ao exterior, como ele fez logo após a eclosão do escândalo, que caixa dois “é feito no Brasil sistematicamente”.

A declaração, nos jardins do Palácio Marigny, em Paris, onde era hóspede do governo francês, teve acréscimo: “O povo brasileiro sabe distinguir denúncia verdadeira de peça de discurso. Toda vez que alguém faz ilações sobre corrupção e não dá o nome concreto, fica difícil apurar”.

Os “nomes concretos” apareceram, um a um, e tiveram seus passos esquadrinhados pelo procurador-geral da República e ministros do STF. Se agora Lula os desconhece como “de confiança”, não foi por falta de ampla, livre, competente e cara defesa que eles foram parar na Papuda.



Sucessão não vai comportar jogo de cena

Data: 29/04/2014
10:05:22

O dom peculiar do ex-presidente de interpretar a realidade e tentar moldá-la esbarra, agora, numa questão mais concreta: a eleição de presidente da República, em que a candidata Dilma Rousseff experimenta uma antes nunca vista curva descendente de popularidade.

Em 2007, mal assumira o segundo mandato, Lula teve no deputado Devanir Ribeiro, companheiro das lutas sindicais do ABC paulista, um defensor decidido de nova reeleição para o presidente, projeto repudiado na origem.

Era um tempo de carência de recursos humanos nos quadros partidários, e ele teve de criar e difundir o nome de Dilma, mesmo que para isso tenha sido preciso sofrer muitas multas por propaganda eleitoral antecipada.

Agora, ante a fadiga de material que começa a demonstrar a própria Dilma, Lula acha não um solitário parlamentar para defender seu retorno ao cargo, e sim um partido inteiro, a julgar pela manifestação do líder do PR, falando em nome da bancada federal.

Mas o ex-presidente não poderá desta vez tirar de letra a situação, porque estará diante, realmente, de algo inexplicável: a necessidade de remover a sucessora, antes avalizada como alguém que iria “surpreender” pela capacidade de gestão e de comando.



Três governos serão julgados em outubro

Data: 29/04/2014
10:01:14

“Nós temos, felizmente, à frente dos destinos do nosso país, uma pessoa preparada para vencer os mais diferentes desafios, inclusive o principal, que é fazer mais e melhor do que foi feito nestes últimos oito anos”, afiançou o ex-presidente em 2010, no finzinho do mandato.

Esse seria um motivo politicamente óbvio para Lula, agora sem precisar mudar a Constituição, não buscar o terceiro mandato, já que não se pode imaginar que discurso faria à nação tendo sido a gestão de Dilma uma continuidade incontestável da sua.

O fundamental nessa “decisão” parece ser a incerteza da vitória, apesar das pesquisas, pois, de fato, nada mudou essencialmente no governo Dilma em relação aos de Lula no campo administrativo e econômico. Discrepância, só de natureza idiossincrásica entre protagonistas e figurantes.

Os mesmos grupos estão no poder e as mesmas políticas estão em curso. A corrupção e a incompetência, como no caso emblemático da Petrobras, navegaram sem marola de um governo a outro. No fim, tudo vai ser julgado em conjunto no “pacote de outubro”.



Sexo vence corrupção no interesse da imprensa

Data: 29/04/2014
09:59:42

A imprensa supostamente séria – não a declaradamente sensacionalista, voltada para as fofocas com artistas, esportistas e congêneres – adotou com solidez no Brasil a linguagem-padrão do politicamente correto.

Por essa cartilha, são rejeitadas e condenadas, liminarmente, práticas de intolerância, discriminação, preconceito, invasão de privacidade, racismo e até o recém-incorporado bullying, tão desprezível quanto o ainda existente trote violento.

Entretanto, toda a teoria desaba na primeira oportunidade, como agora, com a revelação da troca, entre o deputado Luiz Argôlo e o doleiro Alberto Youssef, de mensagens que teriam conteúdo homossexual.

Não que deixem de ser publicadas ou não tenham algum interesse jornalístico no contexto em que se localizam, mas o fato é arrefeceu imediatamente na mídia a suspeita de tráfico de dinheiro que pesa contra o parlamentar e o preso da Operação Lava-jato.

Passaram ao primeiro plano, certamente com o esfregar de mãos em muitas redações, aspectos da vida privada dos dois cidadãos, mais merecedores ainda de reverencial distância por dizerem respeito, talvez, a questões de intimidade sexual.

É assunto tão mais tocante aos sentimentos da população, e por isso alvo de jornais e televisões, que o deputado logo achou quem o defendesse e à sua honra com declarações atestando-lhe virilidade e macheza. No caso de corrupção, ninguém quis se meter.



O resto é fichinha

Data: 27/04/2014
13:51:02

O milagre de João Paulo II foi derrubar a Cortina de Ferro, e, fazendo de base sua Polônia natal, ter dado a partida simbólica para o fim da União Soviética.



Cuidado com o projeto

Data: 27/04/2014
13:50:25

Os papas atuais terão de redobrar esforços para evitar que Putin construa agora não uma cortina, mas uma divisória bem resistente.



Aguardem novas atrações

Data: 27/04/2014
13:49:37

“Dois papas presentes à canonização de dois papas”, berra a televisão. É a Igreja Católica do Terceiro Milênio.



Verbo no passado

Data: 27/04/2014
13:48:58

Com bela vista da Baía de Todos os Santos, incluído o Forte de São Marcelo, um painel fotográfico de autoria de Paulo Mocofaia enfeitava a entrada do restaurante da Assembleia Legislativa.

Há uns dois meses, estão à sua frente, “obstaculizando a visão”, como dizem certos locutores esportivos, duas poltronas, uma mesa e um “caco de planta”.



Missa por Luís Eumar

Data: 27/04/2014
13:48:11

Será celebrada às 15 horas de amanhã, segunda-feira, na Igreja do Centro Administrativo da Bahia, a missa de sétimo dia pela alma de Luís Eumar do Nascimento Nilo.

A notícia de sua morte atingiu os que, como este editor, com ele conviviam na Assembleia Legislativa, onde trabalhava informalmente no apoio ao irmão, presidente da Casa, Marcelo Nilo.

Cerca de sete anos atrás, nossas relações eram distantes, porque não entendia seu ar arredio à minha presença numa ampla mesa do restaurante em que muitos faziam rodízio – de versões, não de carne.

Preferi respeitar sua postura, mas a frequência dos encontros com o passar dos meses fê-lo conceder-me uma fase de aproximação, até o ponto em que pude interpelá-lo: “Afinal, qual era seu problema comigo?”

Luís, no seu jeito tendendo à discrição, explicou: “É que com jornalista a gente tem de ser sempre desconfiado”. A risada foi geral, e o caso, de vez em quando, era relembrado. Sinceridade é coisa que jamais lhe faltou.

Superada a “desconfiança”, tornou-se pessoa dos nossos bate-papos diários e, depois, até fonte acreditada, especialmente nas épocas em que o irmão Marcelo foi candidato a presidente, que foram algumas. (LAG)



Um deputado sem colete salva-vidas

Data: 27/04/2014
13:46:19

O desenlace da questão André Vargas no PT, partido do qual já foi secretário nacional de Comunicação e representou na Câmara dos Deputados como primeiro vice-presidente, remete à antologia de chistes populares.

“Nós quem, cara-pálida?”, teria perguntado o presidente nacional, Rui Falcão, ao instá-lo a tirar o corpo para não aumentar o passivo, e dele ter ouvido a assertiva “estamos fritos”, qual Zorro a Tonto ao ver-se cercado de índios no desfiladeiro.

Vargas quis recorrer a outra piada famosa, mas não colou. A do taxista português que estava na Praça XV, no Rio, quando lhe gritaram: “Corre, Manoel, que sua casa tá pegando fogo em Niterói!”

Largou o carro, saiu correndo e só na barca, no meio da travessia da Baía de Guanabara, é que refletiu: “Ué, não me chamo Manoel nem moro em Niterói, o que é que estou fazendo aqui?”

O problema de André Vargas é que ele mora em Niterói, se chama Manoel e foi jogado ao mar. Agora é com ele, Roberto Carlos e as baleias.



Vereador não comanda tropa

Data: 27/04/2014
13:42:25

O vereador Marco Prisco está recolhido à Penitenciária da Papuda e, independentemente da natureza política ou simplesmente jurídica da prisão, o quadro é de derrota da luta sindical da Polícia Militar.

Foi restaurada a “ordem”, com o retorno dos assaltos e homicídios aos níveis “normais”, e a população está “tranquila” nas ruas com a “segurança” que lhe é oferecida.

O assim chamado Soldado Prisco – porque lhe foi negada a anistia conquistada na Justiça e ele continua excluído da PM –, da sua cela, manda, portanto, mensagens inócuas à tropa.

Esse negócio de distribuir rosa em micareta não vai sensibilizar ninguém, muito menos bilhetes manuscritos pedindo desempenho de “excelência na Copa do Mundo”, para a qual, pelo visto, ele não espera ser solto a tempo.

Não houve comoção, não houve nova greve, apesar de ter se anunciado alta temperatura na sexta-feira da Paixão, dia da prisão. Prisco, que tem papel legítimo no processo, como vereador e líder sindical, não pode ficar falando como se fosse o comandante da PM.



Leitores póstumos

Data: 27/04/2014
13:40:50

Cidadão de vida dedicada aos livros, a eles professando culto diário, encantou-se ao procurar em duas livrarias “O outono do patriarca”, de Gabriel Garcia Márquez, e sabê-lo esgotado em ambas, o que ocorreu após a morte do autor, no dia 17.

“Está vendo? Se divulgarem os romancistas e suas obras, o público leitor se manifestará” – exultou. O problema, dizemos nós, é que só divulgam quando morrem, ou “o povo” só se interessa quando o indigitado vai pro beleléu.



Sai de baixo

Data: 27/04/2014
13:39:11

Esse PP é um partido danado, que tem Maluf e Bolsonaro. Quem tá com eles se apresente.



Nem pizza evitará efeito eleitoral da CPI da Petrobras

Data: 26/04/2014
11:30:49

Para caracterizar as comissões parlamentares de inquérito como um indiscutível direito das minorias, o veterano senador Pedro Simon lembrou certa vez que é a única decisão que exige apoio de apenas um terço do plenário. “No mais, tudo é votado, até moção de pesar”, exemplificou.

Entretanto, foi preciso, mais uma vez, a interferência do Supremo Tribunal Federal para solucionar um problema eminentemente político, garantindo a instalação no Senado da CPI exclusiva para investigar as denúncias sobre a Petrobras, por enquanto sustentada por liminar da ministra Rosa Weber, pendente de julgamento pelo pleno.

Apesar de o espírito da lei não autorizar, é comum a resistência dos potenciais investigados ao funcionamento de uma CPI, tendo muitas, no jargão do meio político, terminado em pizza, como a que pretendeu, na Bahia, investigar as escutas telefônicas clandestinas em 2001 e 2002 e foi derrubada por uma manobra da maioria.

Agora mesmo, na da Petrobras, o governo tentou, primeiro, evitá-la, depois, diluí-la pela inclusão de outros casos de corrupção, e por fim, num processo que está em curso, o próprio presidente do Senado patrocina sua contestação no Supremo, quando deveria saudá-la como salvaguarda da democracia e da transparência.

Uma vez que venham a ser superados os obstáculos e a CPI passe a funcionar plenamente, ao governo caberá, ainda, fazer valer sua maioria, seja pela indicação de presidente e relator, seja pela capacidade de aprovar ou rejeitar depoimentos, documentação e outras propostas.

Mas aí entra em cena o fator mais importante: a opinião pública, municiada e provocada pelo acompanhamento que a imprensa fará das atividades, senão estaria irremediavelmente comprometido o trabalho da comissão como um instrumento típico de minorias parlamentares.

Não se pode tapar o sol com peneira, reza a sabedoria popular, e assim o efeito prático da CPI da Petrobras não será aquele determinado por quem controla os votos, mas sim o julgamento, pela população, das denúncias que a oposição, no exercício de legítima prerrogativa, fará à nação, com ampla cobertura.

Em outras palavras, goste ou não ou governo, será inevitável o estrago eleitoral. Estamos a pouco mais de cinco meses do pleito e se trata, afinal, da maior empresa brasileira, pública, alvo de denúncias múltiplas de gestão temerária, tráfico de influência e corrupção que ameaçam seu desempenho e estabilidade.



Apuração dos grampos morreu na largada

Data: 26/04/2014
11:27:28

Ainda sobre a CPI dos grampos na Bahia, registre-se a coerência política do hoje presidente municipal do DEM, ex-deputado Heraldo Rocha, que foi o relator da comissão – presidida pelo deputado Paulo Câmera – e único dos seus protagonistas que de lá para cá não mudou de lado.

Os grampos, como se recorda, foram aplicados contra adversários políticos sob inspiração do falecido senador Antonio Carlos Magalhães, mas ocorreram durante os sucessivos governos de César Borges e Otto Alencar, atualmente firmes aliados do PT nos planos nacional e estadual.

Na época, à exceção de Otto, que militava no PL, um partido da cesta de legendas de ACM, todos eram do extinto PFL. Instalada na Assembleia Legislativa no início de 2003, a CPI não andou, porque Heraldo apresentou um requerimento para se aguardarem as investigações da Polícia Federal, prontamente acatado por Câmera, e o assunto morreu ali.

Os trabalhos não duraram mais que dez minutos. A então deputada Moema Gramacho (PT) ainda tentou entregar documentos que traziam as apurações já realizadas pela PF, mas Câmera recusou-se a recebê-los, alegando que não foram remetidos oficialmente à comissão, e saiu correndo, perseguido em vão pela imprensa. Hoje no PDT, apoia o governo Wagner, do qual foi secretário.



Defensores sabem se defender

Data: 26/04/2014
11:25:23

Embora não desconheça o papel do órgão em favor das faixas mais pobres da população, o deputado Adolfo Menezes (PSD) cita os salários da Defensoria Pública como prova da “hipocrisia reinante no nosso país”.

O deputado estranha que um defensor público vá ganhar em torno de R$ 24 mil, enquanto o governador do Estado recebe R$ 20 mil. “Quer dizer, vai ganhar mais do que o governador, mais do que um senador, mais do que a presidente, mais do que o deputado, que apanha todo dia da imprensa”.



Ibope na raça

Data: 26/04/2014
11:24:19

Dia de votação importante na Assembleia Legislativa é sempre dia de trabalho extra do deputado Zé Neto (PT), líder do governo, na dura missão de correr atrás do quórum para evitar a queda das sessões.

A dificuldade maior é que muitos deputados passam da hora no restaurante, o que já levou Zé Neto ao desespero, fazendo-o até apelar ao presidente Marcelo Nilo para que os aparelhos de TV da Casa sejam sintonizados no Canal Assembleia, no qual, supõe, todos verão seus chamados.

“Principalmente no restaurante, isso [as TVs em outras emissoras] tem ocorrido, o que interfere em nossa contagem de quórum”, queixou-se o líder, completando: “Temos de pedir aos nossos assessores que se desloquem até o restaurante”.



PEC da UPB é inconstitucional

Data: 26/04/2014
11:22:19

Proposta de emenda constitucional do deputado Marquinho Viana (PV) pretende dar à União dos Municípios da Bahia (UPB) a prerrogativa de indicar um terço dos conselheiros dos Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios.

Curioso é que a PEC conseguiu o apoio de 24 deputados para tramitar, apesar de seu objeto ser inconstitucional, porque a UPB é uma associação civil, que não pode ter a prerrogativa de interferir na administração do Estado, especialmente na composição de cortes.

Além disso, como entidade representativa, em última análise, de prefeitos, e não de prefeituras, como se pretenderia, seria eticamente desaconselhável que tivesse o poder de indicar representantes para julgar contas de gestores municipais.

Os conselheiros dos tribunais, pela legislação atual, são indicados pelo governador do Estado, Assembleia Legislativa e Ministério Público de Contas.



Campos vai demarcando distância para Dilma

Data: 24/04/2014
10:13:32

Como acredita plenamente em pesquisas, por mais antecipadas que sejam, e delas faz a base de todo o seu pensamento, a imprensa brasileira vê com reservas a postulação presidencial do ex-governador Eduardo Campos, identificando apenas o senador Aécio Neves como adversário da presidente Dilma Rousseff num eventual segundo turno.

Entretanto, trata-se de um profissional da mais alta competência, como vem de provar, mais uma vez, na recente passagem, na Semana Santa, pelo santuário de Aparecida do Norte. O candidato posicionou-se contra o aborto, estabelecendo uma nítida e definitiva diferença para sua adversária.

Se é a estratégia correta, tempo em breve dirá, já que, por reiteradas aferições do mesmo Ibope que pesquisa eleições, em torno de 70% dos brasileiros aprovam o direito da mulher de interromper a gravidez. O que sobressai é Campos ter se definido com clareza sobre o tema, deixando para Dilma a exclusividade de ser contraditória.



Dubiedade foi a tônica da candidata em 2010

Data: 24/04/2014
10:11:19

Todos se recordam da campanha presidencial de 2010, quando Dilma ia incluir a liberação do aborto em seu programa de governo, obedecendo a diretrizes do PT e também a sua própria consciência, já que três anos antes o havia descrito como “um problema de saúde pública”, completando: “Acho que deve ser descriminalizado”.

Houve reação nas “redes sociais”. Não se sabe exatamente como essas ondas são medidas, mas o fato é que se temeu pelos efeitos eleitorais e a candidata foi obrigada a vir a público contestar “calúnias e boatos” e declarar: “Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a legislação vigente sobre o assunto”.

Dilma não foi punida com a expulsão do PT, como ocorrera com o então deputado Luiz Bassuma por posição semelhante. A mais essa dubiedade, Eduardo Campos responde com a “vida real”, pois levou a Aparecida o recém-nascido filho Miguel, portador da síndrome de Down, diagnosticada com antecedência que lhe permitiria tê-lo abortado.



Posição confortável no confronto eleitoral

Data: 24/04/2014
10:09:48

O tirocínio do ex-governador de Pernambuco evidencia-se pela própria decisão que tomou de candidatar-se, pois, de saída, seu desembarque do poder federal abala muito, especialmente no Nordeste, a vantagem que os governos do PT, de Lula a Dilma, vêm obtendo na região.

Por outro lado, não se pode deixar de considerar a estreita relação pessoal que mantém com Aécio, o que os torna parceiros prévios, uma espécie de competidores cordiais, unidos também pelo princípio de que, sendo ambos de oposição, é ao governo que dirigirão seus ataques.

Temos aí um quadro futuro muito original: num segundo turno entre Dilma e Aécio, Campos apoiaria Aécio. Se os adversários forem Dilma e Eduardo, Aécio ficará com Campos. Mas num confronto, improvável que seja, entre Aécio e Campos, Dilma, necessariamente, terá de compor com o ex-aliado, que ousou desfalcar o “time de Lula”.



Só tem artista

Data: 24/04/2014
10:07:55

Passou despercebida na “peregrinação” de Campos por São Paulo a frase que pronunciou com a maior candura antes de emitir sua opinião, recusando-se a falar sobre política: “Hoje é dia de Páscoa. Vamos ter o ano todo para conversar sobre isso”.



Para recordar

Data: 24/04/2014
10:07:16

A exata resposta de Campos ao ser indagado sobre o aborto: “Acho que a legislação brasileira já prevê as circunstâncias e os casos. Eu não vejo motivo para que se altere. E como cristão, como cidadão, como pai de cinco filhos, a minha vida já responde a sua pergunta”.



A propósito

Data: 24/04/2014
10:06:32

É impossível que, há muito tempo, não tenha havido um acerto entre o ex-governador e sua escudeira, Marina Silva, evangélica assumida e declaradamente antiaborto.



Ironia

Data: 24/04/2014
10:05:49

Em 2010, para ajudar a garantir sua eleição, Dilma teve o apoio direto e pessoal de outro evangélico, que percorreu as igrejas do Rio de Janeiro desfazendo as “calúnias e boatos” que a candidata acusava estar sofrendo.

Foi ninguém menos que o deputado Eduardo Cunha, hoje líder do PMDB na Câmara e algoz da presidente em algumas derrotas que andou experimentando no plenário.



Distância da Seleção ajuda a rejeitar Copa

Data: 23/04/2014
22:28:21

Um dos fatores que mais contribuem para a tendência brasileira, constatada em pesquisas, a rejeitar a Copa do Mundo, ao lado da evidente insatisfação popular com a corrupção e os serviços públicos, é a crescente falta de identidade com a Seleção Brasileira.

Nos tempos em que vigia o conceito nelsonrodrigueano de “pátria de chuteiras”, seria uma heresia menosprezar a competição, ainda mais no próprio país, quando todos poderiam exercitar ao vivo os briosos sentimentos nacionais.

Houve uma tentativa de misturar as coisas durante o regime militar, estimulando-se a torcida contrária em certos segmentos políticos para confrontar o uso descaradamente político da Copa de 70 pela ditadura.

Não funcionou, primeiro, porque não ocorreu, em razão da própria censura e da repressão, um movimento orgânico nesse sentido. Depois, era forte o vínculo entre o orgulhoso torcedor e o “escrete canarinho”, redentor de todos os medos e vergonhas.

A história começou longe, ditada pela proximidade física e espiritual entre a população e os jogadores, todos atuando aqui mesmo, nos clubes do coração de cada um, relação que começou a mudar na década de 80, quando teve início a exportação em massa de nossos craques.

Zizinho, um deus vivo na época praticamente amadora do futebol brasileiro, saía do Maracanã após jogar partidas pela Copa de 50 e ia pegar, com sua sacola na mão, como um passageiro qualquer, a barca que o levaria a Niterói, onde morava.

Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo e Júnior, os quase heróis da Copa de 82, comandaram o início do êxodo para a Itália e outros países. Com eles ainda havia alguma ligação, mas, a partir daí, a relação só fez deteriorar-se.

O quadro atual é de completo distanciamento entre a “base” e a “cúpula”. A Seleção tem jogadores que jamais se projetaram no Brasil, havendo muitos que migraram ainda adolescentes. A maioria vive hoje nos ares e padrões europeus, possivelmente para sempre.

A imprensa esportiva faz seu papel, estimula as festas com bandeirolas em bairros populares, porque seus agentes correm o mundo de avião, fazem parte da “cúpula” e pensam que ainda vivem a nostálgica “cadeia verde e amarela, de norte a sul do país”. Mas a verdade é que o encanto está definitivamente quebrado.



Deputado quer controle sobre água mineral

Data: 23/04/2014
22:24:41

O deputado Euclides Fernandes (PDT) fez indicação ao governo Jaques Wagner para a criação, pela Secretaria da Fazenda, de um selo fiscal para controlar a distribuição e venda de garrafões de água mineral, evitando que o produto seja fraudado, já que o consumidor não tem a garantia da origem.

“As tampas utilizadas nos botijões colocados à disposição do mercado podem ser colocadas manualmente, sem a necessidade de equipamentos complexos, tornando possível o engarrafamento com água comum, sem nenhum critério, ludibriando o consumidor”, alega.

A obrigatoriedade do selo não só permitirá ao governo ter o controle do volume do produto colocado no mercado, com impacto positivo na arrecadação, como porá fim, diz o deputado, “a um sistema fraudulento que há muito impera no Estado”.



Magistrado de fino trato é coisa antiga

Data: 23/04/2014
22:22:37

Um empregado de condomínio, num episódio conflituoso, chamou a síndica de “dona” e a um condômino, de “você”, questão que poderia ser resolvida com algum bom senso no próprio ambiente doméstico.

Mas sendo a vítima um juiz, eis que o litígio bate às portas do Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Ricardo Lewandowski, como se não bastasse a preocupação de manter preso o vereador Marco Prisco, teve de meter o bedelho.

O magistrado de primeira instância deu ganho de causa ao colega, mas o ministro não manteve a liminar, embora pareça razoável que alguém seja tratado com a distância que julga ideal, desde que tenha atitude recíproca.

Não se pense, entretanto, que é um problema moderno, decorrente da degenerescência dos costumes no terceiro milênio. Já ocorria no tempo seiscentista de Gregório de Matos, tendo o próprio Boca do Inferno como um dos protagonistas.

Advogado de homem processado por certo magistrado por tê-lo tratado de “vós”, Gregório ironizou na recomendação ao cliente: “Se tratam a Deus por tu/ e chamam a El-Rei por vós/ como chamaremos nós/ ao juiz de Igarassu? Tu e vós e vós e tu”.



Vamos concertar (e consertar)

Data: 23/04/2014
22:19:28

A imprensa em geral desta província da Bahia que nos perdoe, mas dizer que homem preso sob acusação de crimes sexuais é parente do controlador-geral da União e marido de juíza tem só uma definição: sensacionalismo barato.

Haverá um dia em que os magnatas do jornalismo baiano se reunirão e assumirão um código mínimo de conduta, para que em delitos praticados por terceiros não se envolvam pessoas que absolutamente nenhuma culpa têm.

Essa prática irresponsável tem somente uma razão: a convicção de que aquela “informação” que beira a fofoca interessa a quem pensa nas coisas mais mesquinhas desta vida, um infeliz leitor a ser incorporado à estatística.

A imprensa – lamentável constatação – busca excentricidades vãs, verdadeiras bobagens que possam destacar uma notícia, enquanto o essencial passa submerso.



A vida sorri para os bois de piranha contemporâneos

Data: 22/04/2014
23:30:53

A expressão boi de piranha é frequentemente usada de forma incorreta, como se o dito ruminante fosse, na verdade, o justo que paga pelo pecador ou a vítima solitária de algum ardil.

Na verdade, como é bom esclarecer aos que eventualmente desconheçam, trata-se do desditoso animal destinado à sanha das vorazes predadoras dos rios, posto à morte para que o rebanho, a montante, passe com segurança.

Não escolhe seu destino nem dele tira, por mais fortuita que seja, qualquer vantagem.  Vira sangue nas caudalosas águas correntes.

Já o boi de piranha moderno pode até pagar a conta, mas, acreditem, ele recebeu o estorno antecipado.

Estes são devaneios decorrentes da greve “de advertência” da Polícia Federal, cuja entidade nacional, entre pleitos formais da carreira, acusa o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de “priorizar o controle político das investigações”.

Temos de crer, portanto, que a mais recente e retumbante conquista da Polícia Federal nesse campo, que atingiu de frente a imagem do governo e do partido no poder, na pessoa do agora ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados André Vargas, tem explicações excludentes.

Uma é a incompetência dos “controladores”, que não se deram conta da dimensão do caso e o deixaram correr frouxo. Outra é justamente a “competência”, que levou à remoção do pólipo para que outras anomalias do tecido possam grassar.



Rodízio de cana

Data: 22/04/2014
23:26:43

A Polícia Federal prendeu o grevista Prisco. E agora, quem prenderá os grevistas da Polícia Federal?



Memórias da corrupção

Data: 22/04/2014
23:26:04

Quando a safadeza mais se espraia, vem à lembrança o ex-ministro, ex-deputado e ex-prefeito Antonio Palocci, o homem que achava tudo “inadequado”, menos fuçar contas bancárias alheias.

O ex-presidente Lula se orgulhava de Palocci. Em 2002, eleito, ele confessou ter pensado o seguinte: “Eu preciso de Palocci em Brasília”.



Há risco de aplauso

Data: 22/04/2014
23:25:07

A imprensa periodicamente anuncia novos julgamentos, novas condenações e novas multas ao ex-prefeito João Henrique. Literalmente, já se perdeu a conta de quanto ele deve ao Erário.

Mas o importante é que ninguém sabe se ele pagou ou que diferença essas punições fazem no processo eleitoral em que anuncia prolífica participação.

Ninguém vai atrás, ninguém quer saber. Apenas se copiam súmulas judiciais sem mesmo a preocupação de somar os valores.

Daqui a pouco, se por artes do demo o homem conseguir se eleger, vai a turma se babar com mais um ”fenômeno” brotado da indigência quase geral.



A criatura sobrevive

Data: 22/04/2014
23:23:54

Pouco se falou na maior façanha do recém-falecido Luciano do Valle: a “criação” de Maguila, um inexpressivo pugilista que chegou ao segundo lugar no ranking dos pesos-pesados do respeitado Conselho Mundial de Boxe, tendo lutado contra George Foreman e Evander Hollyfield.

O que imediatamente remete à figura do radialista Raimundo Varela, que após os assustadores nocautes sofridos pelo civilmente chamado Adilson Rodrgiues, sempre sugeria: “Luciano do Valle deveria ser processado por tentativa de homicídio”.

Maguila, hoje com 54 anos, sofre do mal de Alzheimer e se mostra bastante debilitado fisicamente, com sequelas atribuídas aos longos anos em cima do ringue e submetendo-se a constantes internamentos.



Evolução

Data: 22/04/2014
23:22:25

Os tempos, realmente, mudam. O clamor contra o racismo se eleva no planeta quando esportistas negros são tratados como se fossem macacos.

Maguila era a personificação de tudo que hoje se condena, já que seu apelido era pura e simplesmente o nome de um gorila de desenho animado. E todo mundo aplaudia.



Do direito de greve para operários da segurança

Data: 21/04/2014
10:20:29

Disse o filósofo e poeta Cláudio Dortas, quase meio século atrás: “Sou contra a lei porque a lei é filha do erro”. A questão está aí, na origem distorcida da polícia, que também nasce de uma motivação negativa.

As corporações foram instituídas como solução “natural” ante a necessidade de proteção do patrimônio e da ordem pública, as quais sem elas seriam alvo constante da turba esfomeada e excluída desde longínquas eras.

Eram formadas pelos mais fortes, mais corajosos e, naturalmente, mais obedientes, esta última condição conseguida à base de bom soldo e vantagens outras que conduziam seus membros a posição social acima da massa ignara.

Eram gendarmes obcecados pelo cumprimento do dever, e assim ocorreu também numa “capitania” próspera como a da Bahia, em que batalhões de homens armados foram reunidos sob os conceitos da disciplina e da hierarquia.

A Polícia Militar é praticamente bicentenária, mas somente nas últimas décadas de existência movimentou-se em direção oposta ao espírito de sua gênese, transformando, em última análise, a sensação de segurança da comunidade em terror contínuo.

Não é algo que acontece de repente ou sem razão. É, para usar um jargão incontestável, a modernidade do mundo, em que até o Brasil experimenta sua mais longa vivência democrática, embora a primeira greve da PM baiana tenha sido em 1981, ainda no regime militar.

Esse processo, num tempo em que não há mais segredos sobre a informação elementar – “todo mundo” sabe de “tudo” –, contribuiu para enfraquecer o vínculo da instituição com o sistema de poder, que no seu âmago não representa mais.

Os policiais são hoje operários da segurança, sentem-se cidadãos autônomos, que se associam sindicalmente para pugnar por direitos de indivíduos, sem deixar de levar em conta que as falhas no seu trabalho, muitas vezes, não tenham como punição a advertência, a suspensão, mas a morte, demissão irrevogável.

Sim, é contra a lei o movimento paredista em organizações militares, e por isso seus insufladores e participantes correm o risco de repressão pelas Forças Armadas e enquadramento em legislação das mais duras. Mas estamos diante de uma situação de fato, com a qual teremos de aprender a conviver.



Pescaria improdutiva

Data: 21/04/2014
10:17:03

O PT sinaliza para uma solução anódina na substituição de André Vargas na vice-presidência da Câmara dos Deputados. O deputado Luiz Sérgio não é um nome brilhante do partido, mas parece ter a qualidade fundamental para o cargo: não está metido nem deverá meter-se em problemas heterodoxos.

Ganhou notoriedade quando foi designado para ser “pescador de homens” na Câmara e Senado como ministro das Relações Institucionais da presidente Dilma, encarregado de costurar apoios para o governo entre os parlamentares.

Como não teve êxito, foi mandado para o Ministério da Pesca (a propriamente dita), mas também não consta que tenha fisgado algum peixe.



Previsões

Data: 21/04/2014
10:15:10

O leitor R.M. observa que “Paulo Roberto Costa manda e desmanda na Petrobras quase uma década, distribuindo dinheiro para muita gente e também para sua conta pessoal”. E questiona: “Está preso. E os demais?”

O relato continua: “Nestor Cerveró dá um rombo na Petrobras de quase R$ 3 bilhões, é demitido e dá entrevistas, inclusive a deputados na Câmara, depois vai para casa desfrutar os ganhos, que aumentará dando consultorias. E daí?”

Diante dos fatos, o leitor se permite algumas previsões: “André Vargas acabará encarnando o papel de mártir petista, o doleiro Youssef será libertado e retomará suas atividades normais, como Paulo Otávio, Maluf, Luiz Estêvão, Cachoeira...”

“A turma do mensalão” – diz ainda R.M. – "brevemente estará na rua para ser acomodada na estrutura petista federal, se Dilma se reeleger, ou onde o eleitor optar ainda pelo PT”.



O perigo é uma vez só

Data: 21/04/2014
10:13:03

A revista Veja envolve novamente o deputado Luiz Argôlo (SDD) com o doleiro Alberto Youssef, mas o parlamentar já havia declarado que viu uma única vez o homem acusado pela Polícia Federal de evasão de divisas, entre outros crimes financeiros.

Outro baiano anteriormente citado no caso é o deputado Mário Negromonte (PP), que deu a mesma resposta quando indagado sobre operações escusas do doleiro com a Petrobras: “Só vi Yousseff uma vez na vida”.

Deduz-se que solitários encontros com o indigitado cidadão podem conduzir a suspeitas indevidas, o que torna recomendável aos políticos que só viram Youssef uma vez: esperem que saia da cadeia para vê-lo de novo. Apenas como medida preventiva.



Prisão de Prisco só traz prejuízo a Wagner

Data: 19/04/2014
10:18:15

Entre as injustiças que estejam sendo praticadas contra o governador Jaques Wagner, a maior, seguramente, é a de atribuir-lhe as articulações que resultaram na prisão do vereador Marco Prisco pela Polícia Federal por ações da greve da PM de 2012.

Às vezes, quando se faz política com o fígado, é possível este tipo de erro: ainda com o sangue quente do revés, partir para a ofensiva desmedida e inconsequente ao adversário por mero exercício de poder.

Wagner, ao contrário, é homem de sangue frio, como demonstrou há pouco mais de um ano, ao apoiar a indicação do deputado Gildásio Penedo para o Tribunal de Contas, levando de volta à Assembleia Legislativa seu hoje maior opositor, Carlos Gaban.

No caso presente, o governador havia conseguido resultado principal – o fim da greve. Não é do seu perfil nem lhe faria bem politicamente um contra-ataque que, quase com certeza, conduzirá Prisco à Assembleia Legislativa.

A evidência oficial da distância que o governo quer manter da prisão foi a imediata manifestação do secretário Maurício Barbosa, que empenhou seu nome na garantia de que não houve interferência estadual. Seria uma mentira deliberada caso se constatasse o contrário.

É improvável até que o governador tenha tido conhecimento com antecedência de um “plano” que só faria mal a seu governo, pois seria o caso de imediata reação para frustrar a ação desses legalistas de feriadão.

A rigor, somente a preocupação de manter no Estado as tropas federais é que poderia sugerir o preconcebimento de Wagner no episódio, mas essa decisão é plenamente justificável pela necessidade de manter a segurança enquanto a PM se recompõe.




Página Anterior    Próxima Página