Salvador, 30 de agosto de 2016

MOMENTO POÉTICO – Comunhão de males

Data: 30/08/2016
08:33:41

Nobres almas neste mundo
Houveram cumprido desterro
Por terem por um segundo
Maculado n’algum erro.

Outras sofreram tormento
Por bom tempo lamentado
Porque por mau pensamento
Sufocaram no pecado.

Mais infelizes, entanto,
Sem força que as anime,
são as que, tristes num canto,
hajam incidido em crime.

E que dizer do indigitado
 – a quem nenhuma ação redime –
Por ter, juntos, perpetrado
Erro, pecado e crime?



Na corte de Dilma

Data: 30/08/2016
08:32:32

Espantoso, surpreendente, inacreditável mesmo foi ver Chico Buarque entre Lula e Jaques Wagner nas galerias do Senado Federal.

Não, não se trata de questionar o direito que cada um tem de escolher suas amizades e posições políticas.

Mas de o coração dos fãs achar que a presença do inexcedível compositor é desproporcional ao mérito das companhias.



Senador cavador, ministro sinistro

Data: 30/08/2016
08:25:14

Eis que o senador Romero Jucá, serelepe nos corredores do impeachment, é apontado como um ministro sem pasta, grande representante e articulador do presidente Michel Temer e presença sempre influente em reuniões no Palácio do Planalto.

Onde é que nós estamos? – perguntaria o indignado cidadão do passado, ante o fato de que há três meses Jucá foi demitido do Ministério do Planejamento por ter sido flagrado em gravação articulando contra a Operação Lava-Jato, que o próprio Temer diz ser irreversível.

Ou seja, aos olhos de toda a nação, não há muita diferença entre o oficial e o paralelo. O cara não é, mas é. Não vale o escrito, como no jogo do bicho, e o presumido não tem nenhum significado, nem para a Justiça, que não dá a mínima pra Jucá.



Laudano vem cheia de apoio

Data: 30/08/2016
08:23:36

Apenas para reparar informação de conceituado site de notícias desta capital, a candidata a prefeita de Pojuca Maria Luiza Laudano não “renunciou ao mandato de deputada estadual” para disputar a eleição.

São dois os motivos: não concorreu à atual legislatura e, se tivesse mandato parlamentar, conforme a legislação vigente, não precisaria desincompatibilizar-se.

Laudano sabe disso demais: foi duas vezes prefeita do município e outras cinco, deputada na Assembleia Legislativa.

Não está indo à luta à toa: é do PSL do presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, e tem o apoio do PSD do senador Otto Alencar e do PT, de evidente valor na coligação, embora avariado, além do figurante PTdoB.



Ex-presidente Lula: uma liderança reciclável

Data: 29/08/2016
13:17:44

Longe de uma verdadeira autocrítica pela desgraça que impôs ao pensamento e à ação de esquerda no Brasil, o PT, ou o que resta de seu núcleo dirigente histórico, empenha-se em fazer do ex-presidente Lula seu representante para o futuro.

É ele quem, três dias depois de ter sido indiciado pela Polícia Federal num dos muitos inquéritos que rolam contra si, irá para as galerias do Senado comandar a luta inglória pela salvação de Dilma Rousseff – um dever indeclinável, já que foi o único responsável pela ascensão da presidente.

Esse exercício faz parte da opção que resta ao partido: segurar-se entre cacos e trancos para tentar reaver o poder em 2018 com o mesmo Lula. Mas, mesmo que os mais brilhantes advogados consigam inocentar o ex-presidente, imagem é uma coisa que foge aos ditames da lei escrita.

Um líder não pode, ainda que se digam maravilhas de seu desempenho, vincular-se à ideia de um ato de corrupção, quanto mais ser envolvido diretamente em casos diversos, com “provas” ao senso comum mais que suficientes de sua ligação especial com os imóveis de Guarujá e Atibaia.

Se nesses casos há fotos, visitas e usufruto, no caso do Instituto Lula e da empresa de “palestras” Lils, são notas fiscais da ordem de dezenas de milhões por serviços que teriam sido prestados às maiores empreiteiras da Lava-Jato, com repasses por trabalho também não comprovado a empresas que têm filhos do ex-presidente como sócios.

Não interessa se Lula será interrogado, processado, preso ou condenado, e mesmo que escape de tudo isso – ele não recomporá jamais a aura que teve um dia. Só se tivéssemos vocação para as tragédias argentinas empreenderíamos esse retorno ao passado.



Voto decidido

Data: 29/08/2016
13:13:57

Se o senador Otto Alencar terminar votando a favor da presidente Dilma Rousseff, melhor seria não ter insinuado que seria contra. Como Otto é um político experiente, presume-se que apoiará o impeachment.



Uso da vice-prefeita não ajuda ninguém

Data: 29/08/2016
13:13:11

Não se trata de saber se obras foram superfaturadas na Prefeitura ou se a fortuna do prefeito ACM Neto triplicou ilegalmente: o uso da hoje dissidente vice-prefeita Célia Sacramento com esse tipo de declaração enfraquece a campanha de qualquer adversário, até a da deputada Alice Portugal.

O motivo é que, muito além das pesquisas que fornecem índices a granel, está a avaliação extremamente negativa que “o mercado” faz da vice-prefeita, nas ruas, nos bares, nas filas de bancos e supermercados, nas participações em emissoras de rádio e nas cartas aos jornais, desabonando-a politicamente.

Eleições na Bahia do passado estão pontilhadas de “teleguiados”, candidatos que disputam apenas para cumprir papéis em favor de terceiros, como diz a imprensa que ocorre agora.

Mais recentemente, até um jornal foi usado para produzir factoides que alimentariam na TV a campanha de quem os pagava. O PCdoB, certamente, com sua história, não pode estar seguindo esse caminho.



Já era esperado

Data: 29/08/2016
13:10:27

A propósito, na nota “Emoções e tensões”, do dia 7, após o inesperado rompimento e do lançamento da candidatura de Célia, este blog especulava: "...cresce a curiosidade por sua campanha e o que poderá dizer para afetar a imagem do principal adversário”.



Vassourada

Data: 29/08/2016
13:08:42

A inocência de Célia é comovente. Depois de romper com o prefeito e candidatar-se contra ele, queria manter nomeações que indicou na Prefeitura.



Discurso bastaria à defesa de Dilma

Data: 29/08/2016
10:35:56

A presidente Dilma Rousseff discursa há mais de meia hora no plenário do Senado, comparando o sofrimento que experimentou no pasado, quando foi presa e torturada pela ditadura militar, com "o gosto amargo da injustiça" que hoje sente "novamente".

Certa de que seu destino está traçado pelo "golpe de Estado", disse que foi ao Senado para "olhar nos olhos" dos políticos que o articulam, aos quais, apesar de chamá-los de "vossas excelências", qualificou de "traidores do passado" e "sem caráter".

Deu o tom de sua defesa e mostrou o que considera conquistas de seu governo e dos do ex-presidente Lula, além de direitos sociais consagrados, agora ameaçadas pelo "poder sem votos".

Está dizendo o que quer, de coração aberto. Para fechar com chave de ouro, bastaria que se retirasse após o pronunciamento, sem dar chance de inquirição aos adversários.



Dilma Rousseff, um projeto de mulher-bomba

Data: 28/08/2016
14:30:33

Cheio de emblemas o encontro entre Fernando Collor e Dilma Rousseff, a três ou quatro dias da decisão mais importante do Senado nos últimos 20 anos.

De início, porque um foi o primeiro presidente a sofrer o impeachment e a outra, no breve interregno de seis eleições presidenciais, será a segunda.

Depois, porque Collor é senador, portanto um dos 81 juízes de Dilma que, como tal, votou contra a presidente nas sessões da admissibilidade e da pronúncia.

Velho mofo da oligarquia política, tanto que, incrivelmente, está aí até hoje, Collor certamente não foi negociar com Dilma, pois seria extrema ingenuidade imaginar que por ela possa – e queira –  fazer algo.

O quadro está bom pra ele, deverá ficar melhor ainda com a consolidação de Michel Temer, por cujo partido algum dia deve ter passado.

Outra finalidade – permita-se a ilação – não poderia ter Collor, ex-protagonista e atual articulador da direita mais desgracenta, senão a de moderar Dilma nesta sessão que poderá marcar a história do Senado.

Evidentemente, não dá para supor que palavras de convencimento dirigiria o ex-presidente à quase ex-presidente, mas, se ele arriscou pedir audiência para pronunciá-las (no bom sentido), é porque alguma esperança haveria.

Por outro lado, a presidente afastada não irá restringir sua defesa ao discurso raivoso do “golpe”, contraproducente, além de ineficaz, pois estaria pisando aqueles tapetes roxos apenas para convalidar a “farsa”.

Dilma tem resistido há dois anos. Sem entrar no mérito da sensatez, recusou diálogos e saídas, desdenhou até da articulação do então vice-presidente Temer.

Na fase mais aguda, desprezou a ideia da renúncia, incorporando o espírito eleitoral do “coração valente”, talvez concebido pessoalmente por João Santana.

Recorreu, para atestar sua fibra, à prisão e torturas sofridas nos porões da ditadura militar, sob as quais resistiu pela determinação ideológica e lealdade às causas e aos companheiros que abraçara.

Desejará Dilma, nesta quadra amarga que é a batalha da sua vida, entrar em campo apenas para cumprir tabela?

Se quiser papel político, terá de apresentar amanhã à sociedade algo que contribua efetivamente para o avanço e a mudança, independentemente de seu destino, talvez jogando mais fogo no que deve ser incinerado.

À beira dos 70 anos, pendurada à boca do caldeirão ardente sobre o qual a içaram, a presidente afastada, para merecer um lugar na história, ainda que nas laterais, terá de tirar o foco de meras e terrenas considerações eleitorais e pensar, de fato, no Brasil.



Dê com a língua nos dentes e seja feliz para sempre

Data: 28/08/2016
14:22:08

Empreiteiras implicadas na Operação Lava-Jato gastam uma fábula para assegurar, independentemente de serem ou não produtivos, o futuro de dezenas de executivos envolvidos  no escândalo da Petrobras que se disponham a fazer delação premiada.

Além, portanto, dos benefícios judiciais, essas pessoas, continuem ou não trabalhando, terão seus salários atuais assegurados pelas empresas por longo tempo – quinze anos no caso da Odebrecht e dez na Andrade Gutierrez.

É a chamada bolsa-delação, em andamento para cerca de 60 empregados das duas empresas. O exemplo do ex-presidente da OAS Otávio Azevedo, no momento em liberdade provisória, revela a dimensão do negócio: nos próximos dez anos, ele receberá em torno de R$ 1 milhão por mês.



Empresas ricas procuram novas oportunidades

Data: 28/08/2016
14:20:21

Seria interessante que pessoas e entidades respeitáveis, plenas de conhecimento, avaliassem publicamente se é mesmo possível acontecerem fatos assim nas barbas da nação.

Primeiro, as empresas estão com muito dinheiro, a ponto de jogá-lo fora, impondo-se auditar como o amealharam, já que todas passam de suspeitas.

Como não se pode crer em solidariedade com os “colaboradores”, devem ter interesse muito rigoroso no conteúdo dos depoimentos.

Um aspecto com que se preocupam é a imagem internacional, que afeta contratos com empresas e governos estrangeiros, um mercado fundamental quando não há muito dinheiro por aqui – por ora.



Arcaísmo pós-contemporâneo

Data: 28/08/2016
14:17:54

“Aqui-d’el-rei, socorro, salvem-nos”, disse, muitas décadas atrás do século passado, editorial de A Tarde, certamente da lavra de Cruz Rios, ou de Adroaldo Ribeiro Costa.

Não importa o motivo do desesperado apelo. Temos muitos outros para repeti-lo hoje em dia, e, pelo visto, até o final dos tempos.



Campanhas sociais não substituem o Estado

Data: 26/08/2016
19:54:42

As campanhas de caráter social deveriam contemplar situações emergenciais e únicas, em que a coletividade pudesse dar sua contribuição ao poder público para superar ou minorar um quadro em que, além das ações de governo, fosse necessária a solidariedade geral.

O Brasil é o país das campanhas perenes, como bem simboliza a Criança Esperança, da Rede Globo, a qual, por mais meritória, nem de longe traz resultados da dimensão do dever que o Estado tem de prover aqueles tipos de demanda.

Verdadeiramente, mais funciona como uma iniciativa promocional que beneficia a emissora, como faz a rede McDonald’s ao destinar ao tratamento de crianças com câncer a renda – não se sabe se bruta ou líquida – de um dia de vendas de determinado sanduíche.

Esse apelo à generosidade popular é uma espécie de bitributação, porque os impostos são pagos para todos esses fins que se propõem nas campanhas, e de forma massificada. Não era preciso o Hospital Martagão Gesteira mendigar ajuda todo ano para não fechar.

Um caso emblemático que está permanentemente na mídia é o da Fundação Abrinq, pedindo dinheiro ao povo para projetos sociais que, se resolvem questões localizadas, por outro lado favorecem à imagem dos fabricantes brasileiros de brinquedos, cujo faturamento em 2015 chegou a R$ 5,7 bilhões.



Veículo adequado

Data: 26/08/2016
19:52:18

Isaquias recebido com carreata em Ubaitaba. Não deveria ser uma canoata?



Constituição trata de "contas", sem distinção

Data: 26/08/2016
19:51:18

Há declarações que causam muita repercussão pelo seu aspecto bombástico principal, mas que nem mesmo superficialmente são analisadas, como a do ministro Gilmar Mendes de que a Lei da Ficha Limpa “parece ter sido feita por bêbados”.

A referência etílica sobrepujou, na imprensa, as próprias alegações do ministro, que, ao justificar suas palavras, argumentou: “Ninguém sabe se é contas de gestão, de governo...” Deixando de lado o brutal erro de concordância, vale dizer que Mendes referiu-se às duas naturezas das contas públicas.

Contas de governo, cuja transgressão pode levar o Poder Executivo ao crime de responsabilidade fiscal, são as que dizem respeito ao cumprimento de percentuais constitucionais definidos, por exemplo, para gastos com pessoal, saúde e educação.

As contas de gestão, por sua vez, envolvem o conjunto de despesas ordenadas por gestores de todos os órgãos governamentais, sobre os quais os tribunais fazem uma análise técnica para detectar erros e ilegalidades, podendo gerar processos de devolução de recursos ou multa e até ação penal.

O ministro não precisava fazer a distinção, porque a Constituição, que trata da matéria nos artigos 70 e 71, cita as contas de maneira geral, sem discriminá-las, assim como a Lei Complementar 135/2010. Quando a lei não especifica, vale o sentido amplo, a menos que o objetivo seja apenas moldar uma opinião.



Pensamentos atravessados

Data: 26/08/2016
19:48:32

A Trailândia é o país com maior índice de infidelidade conjugal.



Supremo bate o escanteio...

Data: 25/08/2016
21:00:24

Há 15 dias, por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal decidiu que somente serão enquadrados na Lei da Ficha Limpa candidatos a prefeito cujas contas tenham sido rejeitadas pelas câmaras de vereadores, de nada valendo o parecer dos tribunais de contas.

Realmente, a Constituição dá aos tribunais o papel de órgãos auxiliares do Poder Legislativo, mas, como à corte cabe a interpretação do texto constitucional, esperava-se uma decisão que não liberasse seis mil políticos fichas sujas que concorrerão este ano.

O número não é aleatório: foi fornecido pelo presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, Valdecir Pascoal, para quem o Supremo impôs um “retrocesso” ao país, neste momento de intensa luta contra a corrupção.



...para o Senado cabecear

Data: 25/08/2016
20:59:23

A vez dos senadores chegou. Pelo menos, a de 56 deles, que ontem aprovaram a emenda constitucional de desvinculação dos recursos da União, a DRU, que permite ao governo federal manejar livremente não mais 20%, como até o ano passado, mas 30% do orçamento.

A questão é que a PEC da DRU inclui a desvinculação de receitas dos Estados, Distrito Federal e municípios. Além de valer até 2023, a medida, como convém em casos assim, é retroativa a 1ª de janeiro.

São muitos recursos públicos na linha de tiro, para irem daqui pra lá e de lá pra cá, ao sabor da vontade de gestores que originalmente não foram eleitos com essa prerrogativa, antes a lei orçamentária delimitou sua margem de ação.



Temas sensíveis, decisões apertadas

Data: 25/08/2016
20:57:58

O Supremo é pródigo em decisões por 6 a 5, sempre a respeito de temas da maior relevância. Por esse placar, em 2012, reconheceu a autonomia do CNJ para investigar e punir juízes e servidores do Poder Judiciário.

No ano seguinte, aceitou, pela mesma e apertada margem, os famosos “embargos infringentes”, para novo julgamento de 12 réus condenados no mensalão, entre eles o ex-ministro José Dirceu.

Em 2015, a maioria absoluta dos ministros, novamente metade mais um, resolveu que as guardas municipais podem aplicar multas de trânsito, prerrogativa que era exclusiva de agentes estaduais e federais.



O país que preferiu o arrivismo

Data: 24/08/2016
18:16:12

A nação, em geral, não distingue um estadista comprometido com o futuro do país de um político vulgar, que marca sua trajetória pelo exercício da demagogia, sendo dele vítima constante.

Por exemplo, em 1960, preferiu o histriônico e irresponsável Jânio Quadros ao marechal Teixeira Lott, militar legalista que quatro anos antes garantira a posse de Juscelino Kubitschek.

Esse trecho da história todo mundo conhece: Jânio renuncia aos sete meses de governo, levando à posse do vice João Goulart e mergulhando o país numa crise que desembocou no golpe militar de 1964.

Vinte e nove anos depois, quando o Brasil voltaria a eleger diretamente um presidente, dois nomes foram lançados pelos setores populares: Leonel Brizola, exilado no golpe militar de 64, e Lula, forjado aqui, nas lutas sindicais.

Brizola passou praticamente 15 anos isolado do mundo, perdeu referências da sociedade brasileira, que sofreu mudanças profundas. Lula, importante liderança na resistência democrática, trazia a auréola do operário apoiado por intelectuais.

A profunda diferença entre ambos, porém, foi detectada nas primeiras falas. Brizola dizia: “Não sentarei naquela cadeira apenas para que outro não sente”.  Lula mostrou seu estilo: “Brizola é capaz de pisar no pescoço da mãe para ser presidente”.

Venceu Fernando Collor, a candidatura que representava a continuidade política da ditadura. Brizola disputaria de novo em 1994, mas o eleitorado achou por bem colocá-lo em quinto lugar. Morreu com a dignidade preservada, como hoje se reconhece.

Lula foi derrotado três vezes, para, enfim, eleger-se por dois mandatos. O resultado de sua chegada ao poder é o Brasil de hoje, que seus acólitos e beneficiários teimam em pintar como um grande realização. Mas a história não volta atrás. Só nos resta ir em busca do futuro.



Cada um se vira como pode

Data: 24/08/2016
18:12:20

O vereador Edvaldo Brito festejou o aniversário de 38 anos de sua posse como prefeito de Salvador. Não disse que foi prefeito biônico, nomeado pelo também biônico governador Roberto Santos, conforme praxe na ditadura militar.

No rosário de obras de sua curta gestão publicado na imprensa, um reparo: a macrodrenagem da Baixa dos Sapateiros, intervenção gigantesca que acabou os alagamentos da área, foi feita na administração Mário Kertész (1979-81).



Padrinho atrasado

Data: 24/08/2016
18:11:09

Baixou o santo olímpico no governador Rui Costa. Na semana passada, ao receber o medalha de ouro Robson Conceição, anunciou a construção, em Salvador, do “primeiro centro de treinamento de boxe” da Bahia.

Agora repete a dose, pedindo ao ministro do Esporte, Leonardo Picciani, a construção de um centro de treinamento de canoagem em Ubaitaba, certamente movido pelo sucesso do trimedalhado Isaquias Queiroz.

Há na iniciativa uma evidente incoerência: o governador quer estimular a prática de esportes em que, mal ou bem, o país tem tido um bom desempenho. Ele precisa preocupar-se primeiro com aqueles em que não tivemos nenhum destaque, como a natação.



Símbolo restrito

Data: 24/08/2016
18:09:42

Rui ainda deu uma claudicada ao falar de Robson: “Eu quero que você seja um símbolo para nossa periferia e para a juventude negra do nosso Estado”. E a juventude de outras, digamos, etnias?



Um ibope digno de vigilância

Data: 24/08/2016
18:08:59

A pesquisa que dá 68% de intenção de votos ao prefeito ACM Neto, índice de deixar o segundo turno na poeira, traz a boa chance de rastrear o Ibope, sempre acusado, muitas vezes com razão, de exibição de números suspeitos.

Sabe-se, numa amostragem que exprime boa parte dos segmentos desta cidade, afinal não tão “desigual” assim, que o prefeito deverá reeleger-se, salvo melhor juízo ou inaudita catástrofe.

A oposição em frangalhos sonha com o segundo turno, e muito justamente se vale do trabalho do governo do Estado na capital. Tem de estar atenta, como sempre, às pesquisas, que querem lhe tirar esse gosto.



Pressão integral

Data: 24/08/2016
18:07:00

O desempenho do governador Rui Costa em Salvador, considerado bom ou ótimo por 37% dos entrevistados, é outro índice a ser monitorado daqui para a frente.

A intenção óbvia da pesquisa é alimentar os espíritos para a guerra eleitoral entre Rui e Neto: além de encomendada pela Rede Bahia e feita pelo Ibope, cuida só dos números da capital.



Inocuidade total

Data: 24/08/2016
18:05:36

E daí que Rui Costa se encontre com Célia Sacramento?



População fez a segurança no Rio de Janeiro

Data: 22/08/2016
10:57:52

É possível que o noticiário “normal” tenha sido ofuscado pelas competições, mas não seria surpresa se as estatísticas revelassem que o Rio de Janeiro teve os 15 dias mais tranquilos de sua história recente no tocante à criminalidade.

Foi uma demonstração de patriotismo da marginalidade nacional, sabedora de que, literalmente, as atenções de todo o planeta estavam voltadas para os Jogos Olímpicos.

Mesmo o brasileiro comum, que costuma provocar a ação da polícia por brigas de condomínio, de trânsito, de bar, se recatou neste momento, consciente de que não poderia macular o bom exemplo que acabamos dando.

A situação estava tão encantadoramente tranquila, com as pessoas se divertindo dia, noite e madrugada nos espaços culturais e esportivos, que foi preciso um grupo de estrangeiros inventar um assalto que desafiou a nossa argúcia.

Houve, na verdade, uma repetição do que aconteceu em outros megaeventos que a cidade acolheu, como a Copa do Mundo e a visita do papa Francisco, quando ficou demonstrado que a segurança é melhor nas mãos do povo.

A lamentar, duas mortes por motivos que o Brasil ainda não pôde superar: a do técnico de canoagem alemão Stefan Henze, num acidente com o táxi que o conduzia, e a do soldado Hélio Andrade, da Força Nacional, que entrou numa zona proibida às autoridades policiais.



Além de almoço, não existe terrorismo gratuito

Data: 22/08/2016
10:55:47

Por outro lado, cabe registrar: nem sombra de atentado terrorista ou simples ameaça, apesar do grande esforço de parte da imprensa e até de órgãos públicos de consubstanciar uma realidade que absolutamente não é nossa no plano da política internacional.

A posição histórica brasileira é de apoio às resoluções da ONU em favor da causa palestina e árabe de maneira geral, o que inclui temas de alta sensibilidade, como a devolução por Israel de territórios ocupados, conforme as fronteiras anteriores a 1967, e a divisão de Jerusalém.

Nesse contexto está o embrião do conflito que os Estados Unidos, a partir das invasões do Afeganistão e Iraque, disseminaram em todo o Oriente Médio. Grupos terroristas cujo traço comum é a condição islâmica cumprem, afinal, um mandamento de guerra, que é a reação contra os que os atacam.

Os inimigos são, além dos norte-americanos, seus cúmplices nos massacres de civis: França, Inglaterra, Turquia, Alemanha, como já foi, por exemplo, a Espanha, atacada em seu setor ferroviário, com quase 200 mortos, e depois retirada da lista quando suas tropas deixaram o território afegão.



Autodeterminação e soberania

Data: 22/08/2016
10:53:48

A propósito, o novo governo em curso no Brasil, em via de tornar-se definitivo por mais dois anos e quatro meses, anuncia e opera mudanças internas e externas.

Razoável é que, com relação à questão árabe-israelense, seja fiel às tradições do país de respeito à autodeterminação dos povos e à soberania das nações.



Isaquias vibrou com bronze e desdenhou da prata

Data: 22/08/2016
10:50:07

Ao perder, sábado, a medalha de ouro nos metros finais da prova da canoagem para a dupla alemã, Izaquias Queiroz mostrou toda a sua frustração batendo o remo na água com fisionomia de evidente de desagrado.

É tão própria do ser humano a reação que o cegou, naquele momento, para o grande feito que havia alcançado, de primeiro brasileiro a ganhar três medalhas na mesma edição dos Jogos.

Se já sonhava com o melhor – o primeiro lugar, que, com o parceiro Erlon de Souza, sustentou com vantagem por longos 800 metros –, a prata não valia nada.

Ao contrário, dias antes, ao conquistar inesperadamente um bronze em outra disputa, foi de uma alegria tão esfuziante que, sem demérito para o terceiro lugar, parecia que acabara de levar o ouro.

Foi preciso algum tempo para, como se diz, cair a ficha. Ciente de que estava na mira das câmeras, Isaquias ensaiou um sorriso amarelo, deu um abraço pouco convicto em Erlon e “festejou”.



Prost também fez distinção entre vitórias

Data: 22/08/2016
10:47:51

O contrário aconteceu com o consagrado piloto francês Alain Prost, que perdeu o campeonato mundial de Fórmula 1 em 1983 e 1984, respectivamente para Nelson Piquet e Nikki Lauda, quando era dado como vencedor.

Foi disputar o título de 1985 novamente como grande favorito, e desta vez, realmente, disparou na frente ao longo do ano. Ao cruzar a linha de chegada na prova decisiva, comemorou como uma pedra de gelo, com esnobes acenos da mão esquerda.

No ano seguinte, foi diferente. A briga era entre Piquet e Nigel Mansell, com suas poderosíssimas Williams. Na última corrida, a 15 voltas do final, estoura o pneu de Mansell, que abandona.

Por preucação, a equipe chamou Piquet para trocar os pneus. A liderança caiu nas mãos de Prost, que não mais a perdeu, conquistando um improvável bicampeonato. A festa foi tanta que só faltou ele pular do carro.



Enfim, um trabalho para a polícia do Rio

Data: 19/08/2016
14:22:18

Brincamos, no dia 15, com a notícia do anunciado assalto a nadadores americanos no Rio, considerando-o dentro da taxa “normal” da criminalidade carioca.

Agora vemos esse papelão patético e criminoso dos atletas, em que a infantilidade delinquente nem mesmo reage ao flagrante da farsa para pedir desculpa.

O fato foi produzido pela arrogância imperial, de quem acha que pode fazer tudo na colônia, cujas autoridades subalternas não têm competência para descobrir a verdade.

Num país que se dizia preparado para enfrentar o terrorismo, a guerra bacteriológica, o ataque pelo mar e outras desventuras mais, talvez essa venha a ser a única ação da segurança brasileira nestes Jogos Olímpicos.



Um pobre idioma à mercê de todos (*)

Data: 19/08/2016
14:20:34

Aproveitemos o pedagógico episódio dos apolos decaídos para lucubrar sobre este patrimônio que é a língua portuguesa.

Sabemos que a língua é dinâmica, isto é, com o tempo, modifica-se, inova-se, adapta-se.

Antigamente isso era um processo lento, porque as palavras viajavam de caravela, e mesmo o avião não acelerou tanto assim as coisas.

Hoje vivemos relações promíscuas na, pode-se dizer, plenitude da comunicação eletrônico-cibernética, que elevou a fofoca de bairro a fofoca universal, com a diferença de que a primeira era muito mais fácil de desmentir.

No bojo dessa transformação, o polêmico conceito do “politicamente correto”, com a perda de poder pelos segmentos que o vinham sustentando no país, está sendo substituído pelo “gramaticalmente correto”.

De repente, o velho e expressivo “risco de vida” foi expurgado da imprensa, porque, segundo interpretação dos sábios emergentes, “ninguém corre o risco de voltar à vida”, o que seria uma incoerência.

Hoje se diz e se escreve nos meios de comunicação que o indigitado cidadão “não corre risco de morte” ou, pior ainda, “não corre risco de morrer”.

Como disse respeitado mestre do idioma, querem nos fazer deixar de falar a língua que falavam os avós dos nossos avós, e citou casos obviamente ilógicos, mas usuais, como “um veneno ótimo para baratas”.

Temos agora mesmo um caso trágico a acontecer em Salvador e na Bahia, que é um conhecido apresentador de televisão usar o vocábulo “parafernália” para designar confusão, briga, bafafá.

Trata-se, como se sabe, de palavra muito fina, que define, enfim, o conjunto de ferramentas ou instrumentos para execução de determinada atividade.

Sua nobreza vem de estar em geral relacionada com estetoscópio, termômetro, tensiômetro e outros itens do afazer médico. Repetida exaustivamente em programas populares, poderá em breve aspirar à extensão, nos dicionários, do significado.

Voltando aos capadócios norte-americanos, eles não fizeram “falsa comunicação de crime”, como está consagrado em nosso jargão jurídico. A comunicação foi verdadeira, falso foi o crime, não o deles, claro. De agora em diante, portanto, “comunicação de falso crime”. Será que pega?

(*) Pobre, naturalmente, no sentido sentimental do termo.



Pensamento do dia

Data: 19/08/2016
14:14:57

O problema do mundo está na tréplica.



Brasil legisletílico

Data: 19/08/2016
14:14:19

Vem aí a Lei do Copo Cheio. A abstinência será proibida no artigo 1º.



Bafômetro no tribunal

Data: 19/08/2016
14:13:45

Será que o ministro Gilmar Mendes tinha bebido algo antes de dar a declaração sobre a Lei da Ficha Limpa?



Dilma tem chance de chutar pau da barraca

Data: 18/08/2016
10:33:16

Com a defesa que irá fazer pessoalmente no Senado, a presidente Dilma em nada mudará o seu destino, que já está selado, supondo-se até que piorará o placar pela insistência em dizer que são golpistas os seus juízes.

Como, portanto, não pode esperar clemência, muito menos contrapor apenas inocência aos argumentos de dezenas de senadores, só resta a Dilma fazer revelações e questionamentos que contribuam para o Brasil avançar um pouco na política.

Mais de dez anos no núcleo do poder, cinco no exercício direto, dão a Dilma autoridade e conhecimento para deixar um legado à nação num momento destes, ainda mais diante de pessoas que, seguramente, têm muito mais culpas do que ela na desgraça atual.

À presidente Dilma, se acredita mesmo no que diz, nas lutas da juventude que costuma evocar, como agora, resta ser condizente com a própria história – do contrário será uma mártir demeritória incinerada na caldeira dos velhos coronéis.



Balançado por Temer

Data: 18/08/2016
10:29:47

Há um mês, sob o título “Indecisão que decide”, dissemos que o senador Otto Alencar votaria pela cassação de Dilma porque, depois de apoiá-la na primeira votação, declarou-se “indeciso”.

Veio a segunda rodada, a da pronúncia, que tornou ré a presidente, e Otto manteve a solidariedade, numa posição que a imprensa atribuiu à atuação do governador Rui Costa.

Agora, a dez dias do julgamento, o senador declara: “Passei um ano e tanto pedindo a Dilma sobre meu projeto da revitalização do São Francisco e nada. O gesto do presidente Temer acatando meu projeto mexeu comigo”.




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