Salvador, 11 de dezembro de 2016

Só Nilo mostrou força na disputa

Data: 09/12/2016
09:54:13

As últimas cartadas na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa mostram que o deputado Marcelo Nilo (PSL), embora faltem quase dois meses para o pleito, caminha para a reeleição.

Nilo, que afirma ter 31 deputados comprometidos com ele, levou cerca de 25 a um almoço de apoio, um número expressivo, quando se sabe que 32 votos são suficientes para a vitória.

Os adversários Angelo Coronel (PSD) e Luiz Augusto (PP), que caminham juntos, reúnem por enquanto os 13 votos dos seus partidos e não conseguiram fazer um ato inicial consistente para a campanha.



Oposição depende da natureza da eleição

Data: 09/12/2016
09:53:12

A oposição, hoje com 21 deputados, esteve meio órfã em todas as cinco eleições vencidas por Nilo. Desta vez, sob a liderança do prefeito ACM Neto, há a expectativa de que possa jogar um papel mais importante.

A questão é saber se a eleição terá natureza “assemblear”, como dizia o ex-deputado Eujácio Simões, ou se extrapolará para o plano da sucessão estadual, despertando no prefeito o desejo de derrotar o governador Rui Costa e o PT, que querem Nilo.

O líder Sandro Régis (DEM) disse que a oposição está “estudando o melhor caminho” e que verá “a melhor proposta política para a Casa”, ou seja, não vai descer a detalhes na fase atual, preferindo observar o conflito no campo governista.

O presidente da Assembleia, por seu turno, movimenta-se sem reserva e anuncia que já conversou com todos os oposicionistas, entre os quais, aliás, tem o voto declarado do deputado Targino Machado (PPS). É certo que tem outros amigos na bancada, que possivelmente não lhe faltariam numa eleição secreta.



Ponto fraco

Data: 09/12/2016
09:51:48

Fonte deste blog com assento no bloco parlamentar governista disse que Marcelo Nilo tem um “ponto fraco” dentro do seu próprio partido, o PSL.

É que ele teria prometido dez mil votos a cada colega da bancada – são sete – “e agora está preparando o genro para disputar a Assembleia”.



Candidato único

Data: 09/12/2016
09:51:02

Legal foi Marcelo Nilo dizer que, para a presente conjuntura, é preciso um presidente experiente.

Lembra aquela queixa dos que procuram o primeiro emprego: nunca conseguem a vaga porque se exige “experiência”.



Caso Renan foi apenas adiado

Data: 09/12/2016
09:50:20

O Supremo Tribunal Federal agiu politicamente ao decidir manter Renan Calheiros na presidência do Senado, e o fez, enfim, com sabedoria, porque só Deus sabe quanto o Brasil pagaria por estes poucos dias de cumprimento rigoroso da Constituição.

Não perdem por esperar, porém, os que ficaram sinceramente indignados com a situação: Renan, como Eduardo Cunha, é questão de tempo. Chegará o dia em que não será mais presidente nem senador, e dele cuidará o foro não privilegiado.



Elegância sutil do relator

Data: 09/12/2016
09:49:10

O momento mais importante do julgamento foi o trecho final do voto do relator, Marco Aurélio Mello, em que ele cita nominalmente os demais ministros e lhes pede que confirmem a “biografia” pelo “fortalecimento do Supremo”.

É claro que Marco Aurélio não pretendia convencer ninguém com suas palavras, e sim, com elegância e sutileza, denunciar o acordo que envolveu senadores, magistrados e até o presidente da República pela salvação temporária de Renan.



É coisa nossa

Data: 09/12/2016
09:48:15

Temos de respeitar as decisões judiciais, porque é o único recurso a que nos agarrarmos nos dias de hoje.

Mas calculemos a imagem do Brasil no mundo civilizado, onde um acusado de peculato – desvio de dinheiro público por servidor – jamais seria presidente do Senado. Nem senador. Provavelmente estaria preso.



Eleição premiada

Data: 09/12/2016
09:47:25

Faz sentido no Brasil de Renan: apontado em delação premiada, o ministro Raimundo Carreiro foi eleito presidente do Tribunal da Contas da União.



Meninos medrosos

Data: 09/12/2016
09:45:50

A senadora Lídice da Mata (PSB) acha que “pode ter” muitos corruptos no Congresso, “mas não é a maioria”, e por isso a generalização está “assustando” a Casa.

Recomenda-se à senadora a leitura dos jornais diários e espera-se, sinceramente, que ela não se inclua entre os assustados.



BLAGUE NO BLOG – Trocadilhista improvável

Data: 09/12/2016
09:45:01

Figura nada dada a brincadeiras, ex-deputado federal pelo PCB de Prestes, Milton Cayres de Brito era editor-chefe da Tribuna da Bahia na década de 70.

Um dia, o cartunista Lage voltava do Rio de Janeiro e o avião, devido a fortes chuvas em Salvador, foi desviado para Aracaju.

Milton Cayres foi à sala dos redatores com a expressão séria de sempre e ordenou: “Menino, faça aí uma charge dizendo que não teve teto para Lage descer”.



Ingresia recorrente

Data: 09/12/2016
09:43:04

É incrível que um homem descrito como hábil articulador e agora ocupando a presidência da República tenha proporcionado esse bate-fofo com a indicação de Antonio Imbassahy (PSDB) para ministro de Governo.

Se Michel Temer confirmar o nome do deputado baiano, criará problemas em sua base. Se recuar, engordará seu currículo de decisões desmoralizadas.



A nação cara a cara com o mal

Data: 07/12/2016
14:01:39

Há um consenso no Brasil: afora as ocasiões em que a coisa foi resolvida na violência, jamais se viu no país crise institucional da monta da presente.

Não uma crise de valores, porque estes têm quem os reconheça e defenda. Uma crise existencial, exigindo da sociedade postura agressiva para evitar a sucumbência.

A questão aqui é saber quem vencerá, se a fieira de Severinos, Maranhões, Cunhas e Calheiros que temos produzido para a cúpula legislativa ou se, finalmente, dobraremos esse retorno cívico.



Dilema no Supremo: governabilidade ou lei

Data: 07/12/2016
14:00:23

Ao final do julgamento de hoje no Supremo Tribunal Federal, podemos ter um resultado que tirará Renan Calheiros da linha sucessória da presidência da República, embora mantendo-o na presidência do Senado.

É de pagar para ver. A queda de Renan meteria o Senado numa confusão dos diabos, em que grande peso teria a condição petista do vice-presidente Jorge Viana, cujos correligionários já estão em cima dele.

Estamos completando dois anos de tensão permanente, com vários e portentosos traumas pelo caminho. A situação econômica e social só vem se deteriorando neste período.

O Supremo terá de optar entre um crédito de confiança a um governo que quer operar mudanças urgentes no Congresso e a sentença devida a um presidente de Poder que ousa descumprir ordem judicial.



Liderança de Otto fica maior sem Geddel

Data: 06/12/2016
10:46:37

Um primor de competência e independência a entrevista de página concedida pelo senador Otto Alencar (PSD), ontem, a Fernanda Chagas e Osvaldo Lyra, da Tribuna da Bahia.

Falou com naturalidade sobre a vitória eleitoral do seu partido na Bahia, demonstrando algo como um orgulho humilde, e convidou à união em torno do governador Rui Costa, não sem dizer o que incomoda no governo – o tratamento desigual aos aliados.

No plano nacional, foi sereno e verdadeiro na análise sobre a falta de comando do presidente Michel Temer e na avaliação da própria Casa onde é “calouro”, que vota de acordo com quem está no governo e precisa de “mais patriotismo e menos partidarismo”.

Dono de uma vocação política que nem a “aposentadoria” temporária no TCM conseguiu sufocar, Otto, especialmente após o declínio de Geddel Vieira Lima, firma-se como grande liderança estadual, de peso decisivo no jogo político e com espaço no futuro.



Trânsito e liberdade não faltam ao senador

Data: 06/12/2016
10:44:52

Egresso do carlismo, onde forjou toda a primeira etapa de sua trajetória, e hoje aliado da “esquerda”, Otto é homem de amplo trânsito nas bases municipais dos dois segmentos, o que propicia grande variedade de combinações.

O mesmo pragmatismo e jogo de cintura o senador exibe no quadro nacional, já que foi expressamente liberado pelo presidente do partido, ministro Gilberto Kassab, que ainda lhe deu na Bahia “toda a autonomia para tomar as decisões que melhor convierem”.



FHC não golpearia em idade provecta

Data: 06/12/2016
10:43:03

Reconhecido pela capacidade intelectual e vivacidade de raciocínio que preserva aos 85 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não deve ter refletido ao propor, como solução para a crise atual, uma eleição imediata para sucessão de Michel Temer.

“É preciso logo fazer uma emenda no Congresso para a eleição direta”, disse FHC, em programa de TV, esquecido de que Temer exerce um mandato legítimo, com prazo determinado pela Constituição: 1º de janeiro de 2019.

A extinção de um mandato popular – já que a titular anterior e Temer compuseram uma unidade jurídica político-eleitoral –, que é o que sugere FHC, tem motivações constitucionais previstas: morte, renúncia, perda ou privação dos direitos políticos, perda da nacionalidade e doença incapacitante.

O presidente da República pode ainda ser cassado por crimes de responsabilidade ou comuns, nas devidas instâncias (Senado e Supremo Tribunal Federal). FHC, “democraticamente”, quer a anuência de Temer para seu plano, um “golpe sociológico”.



BLAGUE NO BLOG – Pra lá de prazeroso

Data: 06/12/2016
10:41:00

Geddel Vieira Lima foi envolvido em dois rumorosos casos na vida – a CPI do Orçamento e a investigação na Corretora Baneb –, e em ambos foi plenamente inocentado das denúncias.

Fazemos a ressalva pelo fato de que nos referiremos aqui ao segundo caso apenas para recordar charge do imortal Lage, de longa e brilhante carreira na Tribuna da Bahia.

Como diretor da corretora, no início da década de 80, Geddel foi acusado de obter rendimentos acima do mercado, e havia comentários na imprensa. Lage, naquela época em que ainda era forte o tabu da virgindade, tinha como personagens de tirinha diária uma jovem e seu psicanalista.

Numa das “consultas”, quando o escândalo estava no auge, Kátia Regina, que era o nome da moça, dizia: “Doutor, resolvi seguir seu conselho e dei”. O profissional quis saber como foi e ela retruca freneticamente:

 “Foi maravilhoso, foi espetacular, foi fabuloso, foi fantástico”. Ele, espantado, volta à carga: “Mas foi tão bom assim?” – e ela finaliza: “Bom? Melhor do que isso, só a Corretora Baneb”.



Do feudalismo na política

Data: 05/12/2016
14:02:58

Os desatentos a certas informações simples do mundo da política se assustam, com toda razão, quando ficam sabendo que Roberto Freire era presidente do PPS havia 28 anos!

Chamou-se atenção para o fato porque ele assumiu o Ministério da Cultura e precisou deixar a presidência, pois a Comissão de Ética Pública considera incompatível o acúmulo das duas funções.

Desconhece-se papel de relevância decisória no PPS, como décimo partido entre os atuantes no país, bem como a supremacia intelectual e política de Freire para tão longo domínio.



Em tese

Data: 05/12/2016
14:02:00

Há poucos anos, em data solene, o então governador Jaques Wagner visitava a sede da Associação Bahiana de Imprensa, quando se falou que o presidente da instituição, Samuel Celestino, completava 22 anos no cargo.

Olhou os jornalistas com aquele sorriso discreto e olhos brilhando de prazer: “Ora, mas não são vocês que vivem falando da reeleição?”



Reeleição foi um mal desnecessário

Data: 05/12/2016
14:01:05

Ao grande público, jornalistas incluídos, a emenda da reeleição, quase 20 anos atrás, foi recebida com certa indiferença e conformismo, porque o governo Fernando Henrique Cardoso vinha de emplacar o Plano Real, trazendo considerável estabilidade à economia após décadas de inflação galopante.

A proposta foi muito bem vendida como um instrumento democrático, que permitiria ao governante eficiente ter, pelo menos uma vez, a perspectiva de reconhecimento, expressado nas urnas, pela sociedade, com que poderia, por consequência, dar seguimento a projetos importantes incabíveis em um só mandato.

Na Redação de A Tarde, em 1997, o editor-chefe, Cruz Rios, contra um sentimento majoritário, fez valer a experiência dos seus quase 80 anos de Brasil: previu, com toda clareza, que a mudança favoreceria a corrupção – não fora a corrupção da própria emenda – e que cada prefeito, governador ou presidente, chegando ao cargo, só pensaria, desde o primeiro dia, na reeleição.



De natalícios monetários

Data: 05/12/2016
13:59:19

O mesmo jornalista estranhou num desses anos que se estivesse festejando “o aniversário do real”.

Indignado, perguntava a repórteres e editores que encontrava: “Você já viu comemoração do aniversário do escudo? Ou do dólar?”

Fato é que o tempo passou, o real sofreu abalos, embora, felizmente, tenha se aguentado de pé, e hoje ninguém mais se lembra de sua idade.



Temer carece de reflexão sobre a própria conduta

Data: 03/12/2016
15:50:05

“Como não temos instituições muito sólidas, qualquer fatozinho, me permitam a expressão, abala as instituições”, disse o presidente Michel Temer, nisso enxergando um obstáculo à entrada do capital estrangeiro, que está “ansioso para aplicar no Brasil”.

O “fatozinho” a que ele se referia era a demissão, pouco antes, do ex-ministro Geddel Vieira Lima, por ato com o qual ele mesmo compactuou nas sombras. Portanto, seria bom Temer evitar o constitucionalismo de fundo de quintal, com todo respeito a esse por vezes acolhedor espaço de um lar.

O presidente, como diriam locutores esportivos ao narrar jogadas velozes, descamba perigosamente para o nível mais baixo do exercício da primeira magistratura da nação.

Exemplo disso foi a reação ao repórter que o indagou sobre algum aspecto da ampla crise política, dele ouvindo, rispidamente, que fora ali falar de zika.

Um presidente da República que se diz legítimo não escolhe assunto. Deve satisfação a cada um dos cidadãos. E não adianta se debater que não vai resolver.



Democrata de raiz

Data: 03/12/2016
15:48:39

O patético da conjuntura o presidente deixou para a recepção, no Aeroporto de Chapecó, dos esquifes de atletas, funcionários e dirigentes.

Explicou que não foi o medo de vaias que o impediria de ir à Arena Condá para a cerimônia fúnebre, como se divulgou.

Apenas não quis antecipar sua presença para evitar à população transtornos com as medidas de segurança.



Onde é que nós estamos?

Data: 03/12/2016
15:39:58

Temer merece vestir a camisa do Inacreditável Futebol Clube: “Quando vejo essa chuva caindo aqui, penso que é São Pedro chorando a morte dos jogadores”.



Quem, eu?

Data: 03/12/2016
15:39:13

Na investida que fez contra a proposta de autocrítica no PT, considerando-a “uma imolação em praça pública” e para a qual acha que “não é o melhor momento”, o ex-governador Jaques Wagner se permitiu uma concessão:

“A grande autocrítica que a gente deve fazer é que no primeiro mandato do presidente Lula não fez a reforma política”, e o PT “acabou sucumbindo também no modelo conservador” – a corrupção a que todos assistimos.

No entanto, Wagner foi apontado pelo líder da corrente petista Articulação de Esquerda, Valter Pomar, como a pessoa que disse, em encontro nacional há quase 20 anos, que o partido “tinha que aprender a ser uma grande máquina eleitoral”.

Autocrítica é uma iniciativa dura, mas necessariamente renovadora. A proposta do ex-ministro, em suma, é que o PT faça cara de paisagem e se apresente nas próximas eleições como se nada tivesse acontecido.



BLAGUE NO BLOG – Triângulo desamoroso

Data: 03/12/2016
15:37:47

Década de 80, um time de primeira entrevistou Dorival Caymmi para o Jornal da Pituba, um nanico metido a besta da época: Sérgio Guerra, Antonio Rizério, Césio Oliveira, Renato Pinheiro e Vander Prata.

Mas o gravador, com fita e tudo – tecnologia do passado –, desapareceu na farra que se seguiu. Sem outra solução, o grupo, dois dias depois, procurou Caymmi, que de boa vontade concedeu nova entrevista, não sem antes observar: “Só na Bahia”.

Foi bom, porque na segunda entrevista surgiu um diálogo interessante. Indagado por Renato se conhecera Carmen Miranda, Caymmi não foi elegante:

“Conheci e comi. E naquele tempo comer Carmen Miranda era comer o Brasil, porque o Brasil só tinha Carmen Miranda e Getúlio Vargas”.

A tréplica foi imediata: “E Getúlio, você também comeu?” Para registro da História e conforto dos trabalhistas, Caymmi disse que não.



Aviso à imprensa em geral

Data: 03/12/2016
15:35:48

Basta de contar votos para Léo Prates.



Eis um esportista – e humano

Data: 02/12/2016
14:29:37

Surpreende – não poderia deixar de ser assim, até pelo ineditismo – a decisão de Nico Rosberg de abandonar a Fórmula 1 menos de uma semana depois de ter conquistado, pela primeira vez, o título mundial.

Num segmento em que as diferenças são de milésimos de segundo e os egos, infinitamente gigantescos, um piloto, categoria que ao comum dos mortais se assemelha a extraterrestres imperscrutáveis, dá um saudável sinal de humildade.

Não, ele não quer, aos 31 anos, curtindo as delícias de um casamento feliz do qual tem uma filha de um ano e, digamos, sem problemas financeiros, continuar expondo-se numa profissão de “malucos” apenas para bater recordes.

Foi um tapa na cara desses que esperam do esportista a entronização do sacrifício como ideal de vida e estão até hoje pensando em quantos campeonatos e vitórias teria Ayrton Senna se não tivesse morrido.

Na nota em que comunica sua saída, depois de agradecer a todos que o ajudaram a chegar “ao topo”, o grande campeão conclui: “Vou virar a próxima esquina da vida e ver o que está disponível para mim”.



Contradições sobre o ópio do povo

Data: 02/12/2016
14:27:04

Em certos meios, se você disser que a ditadura do proletariado já era, pode até ser acusado de intolerância religiosa.



Se arrependimento matasse...

Data: 02/12/2016
14:26:32

De um eleitor sincero: “Votei em Geddel Vieira Lima para governador e senador. Hoje não votaria nem para síndico do La Vue”.



AAGU

Data: 02/12/2016
14:25:55

A propósito, se nada tivesse acontecido e o “pedido” de Geddel fosse para outra instância, teríamos um novo órgão: a Advocacia Administrativa Geral da União.



Em corda curta

Data: 02/12/2016
14:25:09

De R$ 85 milhões em emendas parlamentares – recursos a que os deputados estaduais têm direito constitucional para obras e serviços em regiões que indicarem –, o governo do Estado só liberou 2%.

Apesar do estardalhaço da divulgação, não é novidade. Entra legislatura, sai legislatura, o choro é o mesmo, pois governo que se preza mantém a Assembleia em corda curta para folgar no momento apropriado.

Mentira maior no âmbito das coisas públicas, só o ponto facultativo, embora o jornalista Wellington Nascimento defenda exemplo mais contundente: a reposição de dias não trabalhados.



Não serão os criminosos a escrever a lei

Data: 01/12/2016
14:47:46

Poderíamos nos esquivar de comentar a tentativa de uma quadrilha encastelada em cada uma das Casas do Congresso Nacional de reinventar o sistema jurídico – porque suas pernas são curtas e é sempre bom, a esta altura da vida, evitar pressão sobre os neurônios.

A nação, desinformada sobre temas mais complexos, fica perdida em meio à intensa discussão, sem saber que desde os primórdios da civilização é assim: os crimes acontecem, cabendo a uma plêiade seleta e legítima farejá-los e denunciá-los à Justiça.

As partes acusadas podem defender-se plenamente, jamais querer restringir o direito do Estado, representado por promotores e procuradores, de expor os supostos fatos com a clareza que achar necessária.

A partir daí, cabe a uma instância superior – ou várias – a decisão. Serão os juízes e os ministros que dirão se aquela causa é ou não procedente, e até estabelecem, em geral, parâmetros para ações de reparação.

Sabemos que “erros judiciários” ocorrem, mas não na proporção desejada pelos congressistas brasileiros – perdão, por enquanto só deputados, o Senado está em movimento adverso – para justificar a cafajestagem legislativa em curso.

Há um longo caminho até a aprovação de projetos restritivos do poder de investigação e julgamento. E mesmo que se concretizem é matéria de fácil rejeição pelo Supremo Tribunal Federal por absoluta inconsistência doutrinária e carência de jurisprudência histórica.

Não são os bandidos que devem dizer como as pessoas da lei se comportarão. Erros, excessos, injustiças, tudo que contrariar o direito e a democracia deve ser combatido, mas não ao sabor das artes de organizações criminosas que se atrevem a tutelar a cidadania.



Nilo indica que irá à urna contra adversários

Data: 30/11/2016
17:34:25

Nas últimas eleições de presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Marcelo Nilo (PSL) colocava as condições em que se apresentaria, com a ressalva de que não participaria de um bate-chapa e só disputaria como candidato de consenso.

No entanto, a nota divulgada ontem à imprensa, depois que outros nomes foram lançados – Luiz Augusto (PP) e Angelo Coronel (PSD) –, demonstra que desta vez vai ser diferente: “Sou candidato à presidência da Assembleia Legislativa de minha terra”, declarou Nilo em tom solene, sem ter fechado o entendimento amplo que costuma fazer.

O presidente, que busca seu sexto mandato consecutivo, disse que estava pronto para retornar ao plenário no próximo ano, mas que, ouvindo “as ponderações da maioria dos parlamentares”, decidiu concorrer, comprometendo-se a “persistir na postura de magistrado” que o teria caracterizado nestes dez anos.



Questão vai de Rui Costa a ACM Neto

Data: 30/11/2016
17:32:05

Nesta contenda da Assembleia, para a qual faltarão, a partir de amanhã, exatamente dois meses, muitos ingredientes se intrometem. As eleições de 2018 são o principal: ao governador Rui Costa, para navegar com tranquilidade nestes dois anos, interessa um presidente que, sem favor, se chama Marcelo Nilo.

Nilo, mais uma vez, está convicto de que o comando do Legislativo é essencial para chegar à chapa majoritária, e parte para o confronto. Nas circunstâncias atuais, poderia mesmo negociar a vaga caso se reelegesse. Entretanto, encontra, de forma inédita, motivação e oportunidade para um adversário consistente, que não se presume quem será.

Na avaliação discreta de um deputado que Por Escrito, por sua amizade com Nilo, define como insuspeito, “a questão não é externa, é interna, da Casa”, ou seja, diz respeito aos interesses de um grupo, não mensurado com exatidão, que deseja nova configuração na distribuição do poder.

De outro lado, com grande potencial de influência, está o prefeito ACM Neto na condição de possível candidato a governador, ou mesmo como maior liderança da oposição estadual. Se tivesse não um aliado, que seria demais, mas alguém mais bondoso que Nilo na presidência da Assembleia, poderia manobrar contra seu principal alvo – Rui Costa.



Nomes diversos para construir um adversário

Data: 30/11/2016
17:29:28

Normalmente, deputados anunciam que disputarão a presidência da Casa como uma espécie de autovalorização pública, que nenhum prejuízo traz se fecharem um acordo com postulante mais forte, ao contrário.

São exemplos Marcell Moraes (PV) e Sargento Isidório (PDT), franco-atiradores, só que o segundo pelo menos tem experiência com armas. Ambos se valem da moda sinuosa que está pegando nacionalmente, de que “é um assunto do Legislativo”.

É diferente quanto aos deputados Luiz Augusto e Coronel, representantes de segmentos políticos fortes, que têm como líderes, respectivamente, o vice-governador João Leão e o senador Otto Alencar.

Um experiente deputado governista, que não é ligado a nenhum dos dois grupos, considera que se trata de “balões de ensaio” para medir a repercussão entre os parlamentares. Talvez seja, mas o fato é que na lista dos 63 despontam poucos com capacidade para compatibilizar os pensamentos em conflito.



Livro registra homenagens a Fidel

Data: 30/11/2016
17:27:40

O Consulado Geral de Cuba para o Nordeste, na Rua Lord Cochrane, 66, Barra, manterá até domingo um livro de condolências para registrar as homenagens do povo baiano a Fidel Castro, líder histórico do país, falecido sexta-feira.

A casa estará aberta das 9 às 18 horas até sábado, e no domingo, das 9 ao meio-dia. Neste dia, às 9 horas, haverá uma caminhada até o Porto da Barra, a cerca de 100 metros, para colocação de flores no mar.



Quanto tempo se perdeu

Data: 30/11/2016
17:22:05

Hoje, quando se anuncia o apoio de 31 vereadores, num plenário de 43, a Léo Prates, vale recordar nota deste blog em 25 de outubro – há um mês e cinco dias.

Sob o título “Efeito Bruno Reis”, um trecho dizia: “Apenas um palpite: o presidente da Câmara Municipal será do DEM – e será Léo Prates, vice-líder e amigo do prefeito ACM Neto”.



Prates atrai adversários de Neto

Data: 28/11/2016
09:53:01

O vereador Léo Prates (DEM), em sua campanha pela presidência da Câmara Municipal, acumulou nos últimos dias dois apoios dos mais emblemáticos: o vereador José Trindade (PSL) e os três da bancada do PTN – Carlos Muniz, Toinho Carolino e Sidninho.

O inusitado do quadro é que tanto Trindade quanto o presidente do PTN, deputado Bacelar, são desafetos do prefeito ACM Neto, que é, digamos, o líder político de Prates e não admite que ninguém diga que ele está influenciando na eleição.

É certo que tem peso considerável na situação a tentativa do presidente Paulo Câmara (PSDB) de perpetuar-se na cadeira. A própria reeleição já foi um golpe na tradição da Casa, e muitos agora se unem contra o tri.



Razões pessoais

Data: 28/11/2016
09:51:57

Citado ontem por este blog na matéria sobre a sucessão do presidente Marcelo Nilo na Assembleia Legislativa, o deputado Adolfo Menezes (PSD) entrou em contato para a observação seguinte:

“Realmente, fui sondado para a presidência, o que para mim é uma honra muito grande, mas não pude aceitar porque não me sentiria bem disputando contra Marcelo, que é meu amigo”.




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